AS ESCOLHAS…

Não sei se a vocês também vos acontece, mas a mim, se calhar pelo tipo e forma de vida que levo, dou muitas vezes comigo a pensar nas escolhas que fiz, nas opções que tomei, no sentido que dei e dou à minha vida. Devo confessar igualmente, que sou meio paranóico, tudo me preocupa e aflige, apesar de não aparentar muito, eu sei!. Mas pronto, hoje entrego-me aqui um bocadinho e dispo-me desta forma de me dar ao mundo, é que na maioria das vezes escondo-me, não sei se por ter medo que me conheçam bem, mas se calhar é mais pelo simples facto de me sentir mal quando me observam, gosto de levar uma vida pacata, refugio-me muitas vezes em mim!. Não, não me enganei, nem há aqui nenhuma redundância, há talvez a semântica das palavras, que me permitem dizer-vos, que sou assim sabem? Com tudo isto quero dizer que me encontro quando escrevo, não sei se tanto assim em prosa, mas em verso, sim, aquele que enche a rima dos meus versos!, no melhor e no pior, nos momentos de raiva, desilusão, tristeza, mas também aquele que tem força, fé e esperança. Sabem? Sou balança de signo, e para aqueles que acreditam nestas coisas,  há quem diga que andamos sempre há procura do equilíbrio, mas a verdade é que vamos de extremo a extremo, passando fugazmente pelo meio, pelo fiel da balança. Tenho momentos na minha vida em que me sinto óptimo, tenho outros em que me sinto péssimo, isto para voltar ao inicio do texto, é que há vezes em que julgo ter feito as melhores escolhas, e outras há, claramente, em que não me consigo rever nas atitudes, nas palavras que deixo escapar, na ira que também tenho. Já que estou a falar tanto de mim deixem-me dizer-vos que nem me considero mau rapaz, sofro profundamente quando vejo fazer mal a alguém, dantes via muito aqueles filmes tristes e fartava-me de chorar, agora, não consigo, juro não suporto ver fazer mal, ver fazer sofrer, mas, o pior, o que mais me atormenta, é quando percebo que também eu sou assim, também provoco a outros o sofrimento que não suporto ver causar, e é exactamente por isso, que ás vezes me arrependo das escolhas que faço, e das atitudes que tenho e, envergonhado refugio-me de mim e do mundo, agarro-me á caneta e ao papel e lá descarrego aqueles versos tristes, que tanto gosto de cantar!…

DESALINHADO?

Já alguma vez se sentiram desalinhados? Eu já!, ou melhor, desalinho por condição, ou se preferirem, não alinho!, não alinho no politicamente correcto, não gosto de me esconder atrás da suposta verdade, que é não dizer o que penso ou sinto, sob o pretexto de não ir contra as ideias e opiniões dos outros, até porque para isso o único adjectivo que encontro é,  hipocrisia!. Sei que esta é uma palavra forte, que muitas vezes as verdades escondidas apenas se devem ao facto de não querer ferir os outros, que muitas vezes não se dá opinião, porque sabemos ser contrária à de alguém e assim, “ – Se calhar amanhã vou precisar dele e depois posso ser prejudicado…”, enfim, há ses e mais ses, mas talvez se os não houvesse estivessemos mais perto de Deus, pelo menos do deus em que acredito, não o deus de Frei Tomaz, mas com o Deus de Jesus Cristo esse que é pai, e por isso mesmo, não põe ses no seu discurso, esse que não se esconde na hipocrisia quando quer expulsar os vendilhões do templo, esse que nos diz sem rodeios, que o caminho que escolhemos é mau, esse que não nos pede para hesitar no amor que queremos e devemos dar, esse que nos aponta o dedo quando falhamos. Costumamos dizer que gostamos e preferimos a verdade, mas, só a verdade que não tiver a ver connosco, essa já é dispensável, até porque os nossos erros têm sempre justificação, não é?. Mas a verdade é que ás vezes também eu tenho que alinhar, porque claro, também erro, e erro muito e também padeço do mal de que todos precisamos de todos, e amanhã, não sei em que valeta vou estar e quem aparecerá para me dar a mão. No fundo somos todos iguais, uns mais iguais que outros, porque têm mais importância, mais poderes, mais dinheiro, tantas coisas mais, mas, concerteza, mais hipócritas à sua volta. Enfim, com isto tudo, já reparam que até eu sou um desalinhado muito alinhadinho…é a vida!   

“NÃO SE ACEITAM…

     Há uns tempos recebi no meu mail uma história que me serviu de inspiração para o texto de hoje.    

“Sempre tive uma vida ocupada, os meus afazeres enchem-me os dias e nem sempre consigo realizar todas as tarefas para que sou chamado. Um dia é sempre antecedido e precedido de outro , pois, que grande novidade, mas para mim sucedem-se se forma voraz e alucinante, um dia como todos os outros cheguei a casa cansado de mais um dia, apenas esperava que a minha mulher me chamasse para jantar e logo depois teria que regressar para o escritório, tinham ficado por responder uma série de cartas e não tinha ainda tido tempo para dar uma olhadela para a bolsa para saber se as  minhas acções me permitiam estar hoje mais rico ou mais pobre e se podia amanhã investir mais na EDP, na PT, na GALP ou noutra qualquer que me desse garantias de estar mais rico. Enquanto lia o meu jornal, como sempre com o meu grande interesse pela parte politica, o meu filho mais novo, que teria agora 5 anos, ou será 6? Não importava muito a idade dele para a minha importância e responsabilidades. Mas dizia eu, o meu filho mais novo tentava insistentemente  interromper os meus assuntos importantes e por várias vezes o tive que mandar calar e deixar-me tomar atenção e perceber de que forma os impostos me vão beneficiar ou prejudicar no próximo ano. A determinada altura, estando eu tão absorto nos meus assuntos nem percebi que ele uma vez mais tinha entrado na sala e se colocara atrás de mim com as mãos atrás das costas como que a querer esconder alguma coisa. Eu tirava o meu mais recente livro de economia da prateleira e quando me virei encalhei nele, deixei cair o livro, acabei por partir a minha estátua da liberdade em cristal que me tinha custado uma fortuna e assinalava a minha passagem por New York. Obviamente que fiquei aborrecidíssimo e mandei-o de imediato de castigo para o seu quarto, ao que como é natural e até em função da educação, bem paga, que lhe tinha proporcionado, me obedeceu sem retorquir. Voltei aos meus muitos afazeres quando de repente fui interrompido pelos gritos lancinantes da minha mulher, pensei para que será tanto espalhafato, nada de importante seguramente, mas, a determinada altura e porque de facto eram gritos incomodativos, tive que interromper a minha leitura e fui ver o que se passava, foi aqui que percebi como a minha vida era um erro e tudo aquilo a que dava tanta importância, ruía naquele segundo. Fui atrás dos gritos e dei com a minha família prostrada em redor de qualquer coisa, era o meu filho mais novo, Miguel, assim se chamava e agora sei perfeitamente que tinha 6 anos e estava na primeira classe. Tinha caído da janela do seu quarto, assim pensei até que me dirigi ao primeiro andar e encontrei no chão do quarto um desenho e ao lado uma folha com estas palavras escritas. “ – crido pai, talvez não te lemrbes mas hoje faze anos e eu que agora já sei xuntar as letras, pidi à minha profe para me ajudar a escever esta carta,  mas tu não pode. Bexo.” O desenho era um pai a passear num jardim com o filho e por baixo, em letras enormes pintadas de cores diferentes, que juntas davam as palavras. PAI AMO-TE. Senti nesse momento que ele não caíra mas que se atirara da janela, senti nesse instante que tinha conduzido o meu filho para morte apenas porque nunca lhe dei a cara para beijar, os meus braços para abraçar. Julguei dar-lhe tudo, julgo que não há brinquedo que ele não tivesse, não houve educador que não contratasse, não houve a melhor roupa que não lhe comprasse. Comprei-lhe tudo menos algo que tinha à mão e que não custava nada, mas que nunca lhe dei, AMOR!. Hoje escrevo esta carta no lar que criei para filhos órfãos, vendi tudo o que tinha e recebo em cada dia o Amor daqueles que tal como o meu filho nunca conheceram os pais…. Arrependo-me em cada dia do que fiz ao meu próprio filho e por isso mandei colocar na parede do lar em letras tão grandes como o erro que cometi, esta inscrição: NÃO SE ACEITAM NESTE LAR CIANÇAS ORFÃS DE PAIS VIVOS…”.      

A VIDA SEGUE IGUAL…

“Afinal,

as obras ficam, as pessoas não,

outros que venham as continuarão;

a vida segue igual!”   

    Mais um trecho de uma das canções de Júlio Iglésias, “La vida sigue igual”.A vida segue igual, os rios não param, nem as montanhas se movem quando alguém parte, costumamos dizer que o céu e o inferno estão cheios de insubstituíveis, tenho encontrado nos meus dias homens e mulheres de enorme talento, de grandes qualidades, de grandes feitos, de grandes obras, grandes empreendimentos, sempre apressados, sempre sem tempo, na grande maioria das vezes respondem-nos –“ a minha vida é um turbilhão, não tenho tempo para nada, nem para mim, não sei o que vai ser se um dia me acontece qualquer coisa?…”. O que vai ser?, não vai ser nada, o sol nascerá e pôr-se-á à mesma hora, as arvores e as flores manterão o seu ritmo de crescimento e envelhecimento e aquele pardal que anda há dias a namorar a sua fêmea até pode ser que tenha sorte e acabe por acasalar. Tenho igualmente encontrado homens e mulheres absolutamente extraordinários, com tempo para tudo, para contemplar cada dia como uma dádiva de quem hoje acordou e se sente feliz porque ainda pode partilhar mais um dia com a sua família e os seus amigos, que partem para os seus trabalhos sem pensar que são os únicos que o conseguem realizar, sem pensar que há um mundo que gira sem cessar e que assim vai continuar independentemente da importância que cada um julga ter e que  isso nos leva dia após dia para o fim. Todos os grandes que conheci são simples, humildes, bom, também não o seriam  se o não fossem, seriam concerteza tontos, e despidos da mais elementar lucidez, é que nós é que partimos, todas as obras que construirmos cá ficarão e outros as seguirão podendo alterar tudo aquilo que para nós era muito importante e indestrutível. Afinal do ovo daquele casal de pardais já nasceu um passarinho, que já voa e ganha os céus e nunca mais viu ou conhece os pais e nem se importa com isso!, o ciclo amanhã repetir-se-á, e a vida? Essa segue igual…! 

zegoncalez@sapo.pt 

O GRITO

“Silencio!

Do silencio faço um grito

E o corpo todo me dói,

Deixai-me chorar um pouco!” 

Palavras de Amália Rodrigues, do silencio faço um grito!, quantos gritos fazemos nós em silêncio?, quantos gritos que só nós ouvimos, umas vezes porque não queremos que nos oiçam outras porque por mais alto que gritemos, ninguém nos quer ouvir.  Hoje apetece-me gritar, não em silencio mas em voz bem alta, gritar aos que magoam, gritar aos que matam, que violam, que roubam, gritar aos ditadores para que não oprimam, gritar a tudo e a todos, talvez vestido de louco, de tão louco que ao menos por pena me oiçam gritar. Não, não estou enraivecido, tal como Amália estou apenas triste, porque não entendo o mundo e o mundo não me entende a mim, o mundo não entende que tenho direito ás minhas diferenças, o mundo não entende que posso ter outra cor, apenas outra cor… Politica, De Pele, De Religião, De clube, De Simpatias…, que me pode apetecer falar dos homens, não dos sábios que desses toda a gente fala, mas dos outros, dos pequeninos como eu que também riem e choram, cantam e sofrem, vivem e morrem, Respiram!, respiram quantas vezes só o ar que os poderosos não querem, quantas vezes só o ar a que os poderosos julgam termos direito, Mas no fim, todos acabamos da mesma forma, sem ar, sem o ar que alguns entendiam como seu e sem o Sol que alguns julgaram comprar. Depois de tanto gritar, vou chorar, porque chorar eles deixam e até lhes convém e tal como Amália diz, “só choro agora, que quem morre, já não chora”…

zegoncalez@sapo.pt      

OS ERROS

Talvez hoje pudesse começar assim, “ – quem é que nunca errou?”, e  a resposta é por demais evidente, ninguém! Mas  gostaria de ir mais longe e perguntar, – “porque é que erramos?”. Não acredito que alguém goste de errar ou levar uma vida pejada de erros, ninguém encontra seguramente felicidade nos erros cometidos, até porque sabemos todos nós que preço  elevado  têm certos erros. Julgo que há vários factores que concorrem para que se erre, e talvez, numa leitura mais psicológica há quem acredite que há pessoas mais propensas ao erro, pela sua forma de estar, de ser, de  viver, de arriscar, pela sua idiossincrasia. Errar está na nossa natureza, erramos quando falamos dos outros, erramos quando não pensamos as nossas atitudes, erramos quando nos julgamos donos de toda a verdade e saber, erramos ao julgar os erros dos outros e quantas vezes logo de seguida caímos nós no mesmo erro. Erramos muitas vezes também na avaliação que fazemos das pessoas e dos acontecimentos sem que tenhamos todos os dados para um julgamento correcto, é um bom exemplo o que se tem passado em Portugal com os McCann. Bom mas para mim, erramos fundamentalmente porque por mais que queiramos não conseguimos, ser perfeitos, muito longe disso, somos todos seres imperfeitos e são essas imperfeições que nos levam a fazer uma leitura de cada momento e a agir ou reagir em função das ilações que tiramos. Há de facto os mais inteligentes, os mais atentos, os mais estudiosos, os mais trabalhadores, os mais tantas coisas…há de facto os que têm mais dados para falhar menos, mas ainda assim para mim: – NINGUÉM FALHA PORQUE QUER, OU PORQUE LHE APETECE SIMPLESMENTE, FALHAMOS PORQUE NA MAIORIA DAS VEZES SÃO AS CIRCUNSTANCIAS DA PRÓPRIA VIDA QUE ASSIM O DETERMINAM…E POR MAIS QUE QUEIRAMOS, NÃO NOS RESTA OUTRA SOLUÇÃO SENÃO ERRAR…

zegoncalez@sapo.pt 

O CAMINHO DAS PEDRAS…

Há já uns anos, no carnaval, estive em Estremoz a jantar e a cantar com um dos mais talentosos artistas portugueses, Fernando Tordo. Foi uma noite que jamais esquecerei, até porque estava também o meu irmão e uma série de amigos, foi no Carnaval na adega do Isaías, cantámos, tocámos e vejam bem o músico, entenda-se tocador, era eu, portanto no mínimo terá sido uma noite sofrível no que aos acompanhamentos musicais diz respeito. É claro que também bebemos uns copitos do tinto, ou terá sido do branco?, isso também não interessa nada, pouco é que não terá sido concerteza!. Tudo isto para dizer que a determinada altura a musica deu lugar á conversa e eu teria os meus 16, 17 anos, portanto já lá vão dois ou três (era bom), mas, se hoje tenho tanto para aprender nessa altura teria necessariamente muito mais e estava a começar uma carreira, tinha todos os sonhos e ilusões de quem pensa ter o mundo na mão e que nada nem ninguém se interporá no nosso caminho, a determinada altura disse-me o Fernando Tordo – “escolhe a vida que quiseres, luta e trabalha pelos sonhos que quiseres realizar, mas escolhe o caminho das pedras, não o das rosas!”  Passaram cerca de vinte anos desde esse carnaval, mas nunca mais me esqueci deste conselho, e como o tenho encontrado na minha vida, ás vezes vejo uma estrada que me parece óptima, ponho-me ao caminho e sem que perceba bem porquê volta que não volta dou comigo no chão, – mas como é possível que uma estrada destas, limpa, sem pedras, de valetas cheias de flores possa esconder tantos perigos, como é possível que por trás destas valetas se escondam tantas ratoeiras e como é possível que esta estrada de rosas tenha tantos espinhos. Já escolhi também várias vezes algumas estradas que à partida me parecem tão más, cheias de pedras, sinuosas, tortuosas, sem flores nas valetas e acima de tudo sem trilhos, sem outros pés marcados no pó. A verdade é que sempre que escolhi estas ultimas estradas, apesar de me desequilibrar aqui ou ali, nunca caí, e quando olho para trás reparo que aquela estrada fui eu que a fiz, com os meus defeitos e as minhas virtudes, por isso de há um tempo para cá optei apenas por escolher estradas de pedras e principalmente pouco trilhadas…

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