O CAMINHO DAS PEDRAS…

Há já uns anos, no carnaval, estive em Estremoz a jantar e a cantar com um dos mais talentosos artistas portugueses, Fernando Tordo. Foi uma noite que jamais esquecerei, até porque estava também o meu irmão e uma série de amigos, foi no Carnaval na adega do Isaías, cantámos, tocámos e vejam bem o músico, entenda-se tocador, era eu, portanto no mínimo terá sido uma noite sofrível no que aos acompanhamentos musicais diz respeito. É claro que também bebemos uns copitos do tinto, ou terá sido do branco?, isso também não interessa nada, pouco é que não terá sido concerteza!. Tudo isto para dizer que a determinada altura a musica deu lugar á conversa e eu teria os meus 16, 17 anos, portanto já lá vão dois ou três (era bom), mas, se hoje tenho tanto para aprender nessa altura teria necessariamente muito mais e estava a começar uma carreira, tinha todos os sonhos e ilusões de quem pensa ter o mundo na mão e que nada nem ninguém se interporá no nosso caminho, a determinada altura disse-me o Fernando Tordo – “escolhe a vida que quiseres, luta e trabalha pelos sonhos que quiseres realizar, mas escolhe o caminho das pedras, não o das rosas!”  Passaram cerca de vinte anos desde esse carnaval, mas nunca mais me esqueci deste conselho, e como o tenho encontrado na minha vida, ás vezes vejo uma estrada que me parece óptima, ponho-me ao caminho e sem que perceba bem porquê volta que não volta dou comigo no chão, – mas como é possível que uma estrada destas, limpa, sem pedras, de valetas cheias de flores possa esconder tantos perigos, como é possível que por trás destas valetas se escondam tantas ratoeiras e como é possível que esta estrada de rosas tenha tantos espinhos. Já escolhi também várias vezes algumas estradas que à partida me parecem tão más, cheias de pedras, sinuosas, tortuosas, sem flores nas valetas e acima de tudo sem trilhos, sem outros pés marcados no pó. A verdade é que sempre que escolhi estas ultimas estradas, apesar de me desequilibrar aqui ou ali, nunca caí, e quando olho para trás reparo que aquela estrada fui eu que a fiz, com os meus defeitos e as minhas virtudes, por isso de há um tempo para cá optei apenas por escolher estradas de pedras e principalmente pouco trilhadas…

zegoncalez@sapo.pt

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