“NÃO SE ACEITAM…

     Há uns tempos recebi no meu mail uma história que me serviu de inspiração para o texto de hoje.    

“Sempre tive uma vida ocupada, os meus afazeres enchem-me os dias e nem sempre consigo realizar todas as tarefas para que sou chamado. Um dia é sempre antecedido e precedido de outro , pois, que grande novidade, mas para mim sucedem-se se forma voraz e alucinante, um dia como todos os outros cheguei a casa cansado de mais um dia, apenas esperava que a minha mulher me chamasse para jantar e logo depois teria que regressar para o escritório, tinham ficado por responder uma série de cartas e não tinha ainda tido tempo para dar uma olhadela para a bolsa para saber se as  minhas acções me permitiam estar hoje mais rico ou mais pobre e se podia amanhã investir mais na EDP, na PT, na GALP ou noutra qualquer que me desse garantias de estar mais rico. Enquanto lia o meu jornal, como sempre com o meu grande interesse pela parte politica, o meu filho mais novo, que teria agora 5 anos, ou será 6? Não importava muito a idade dele para a minha importância e responsabilidades. Mas dizia eu, o meu filho mais novo tentava insistentemente  interromper os meus assuntos importantes e por várias vezes o tive que mandar calar e deixar-me tomar atenção e perceber de que forma os impostos me vão beneficiar ou prejudicar no próximo ano. A determinada altura, estando eu tão absorto nos meus assuntos nem percebi que ele uma vez mais tinha entrado na sala e se colocara atrás de mim com as mãos atrás das costas como que a querer esconder alguma coisa. Eu tirava o meu mais recente livro de economia da prateleira e quando me virei encalhei nele, deixei cair o livro, acabei por partir a minha estátua da liberdade em cristal que me tinha custado uma fortuna e assinalava a minha passagem por New York. Obviamente que fiquei aborrecidíssimo e mandei-o de imediato de castigo para o seu quarto, ao que como é natural e até em função da educação, bem paga, que lhe tinha proporcionado, me obedeceu sem retorquir. Voltei aos meus muitos afazeres quando de repente fui interrompido pelos gritos lancinantes da minha mulher, pensei para que será tanto espalhafato, nada de importante seguramente, mas, a determinada altura e porque de facto eram gritos incomodativos, tive que interromper a minha leitura e fui ver o que se passava, foi aqui que percebi como a minha vida era um erro e tudo aquilo a que dava tanta importância, ruía naquele segundo. Fui atrás dos gritos e dei com a minha família prostrada em redor de qualquer coisa, era o meu filho mais novo, Miguel, assim se chamava e agora sei perfeitamente que tinha 6 anos e estava na primeira classe. Tinha caído da janela do seu quarto, assim pensei até que me dirigi ao primeiro andar e encontrei no chão do quarto um desenho e ao lado uma folha com estas palavras escritas. “ – crido pai, talvez não te lemrbes mas hoje faze anos e eu que agora já sei xuntar as letras, pidi à minha profe para me ajudar a escever esta carta,  mas tu não pode. Bexo.” O desenho era um pai a passear num jardim com o filho e por baixo, em letras enormes pintadas de cores diferentes, que juntas davam as palavras. PAI AMO-TE. Senti nesse momento que ele não caíra mas que se atirara da janela, senti nesse instante que tinha conduzido o meu filho para morte apenas porque nunca lhe dei a cara para beijar, os meus braços para abraçar. Julguei dar-lhe tudo, julgo que não há brinquedo que ele não tivesse, não houve educador que não contratasse, não houve a melhor roupa que não lhe comprasse. Comprei-lhe tudo menos algo que tinha à mão e que não custava nada, mas que nunca lhe dei, AMOR!. Hoje escrevo esta carta no lar que criei para filhos órfãos, vendi tudo o que tinha e recebo em cada dia o Amor daqueles que tal como o meu filho nunca conheceram os pais…. Arrependo-me em cada dia do que fiz ao meu próprio filho e por isso mandei colocar na parede do lar em letras tão grandes como o erro que cometi, esta inscrição: NÃO SE ACEITAM NESTE LAR CIANÇAS ORFÃS DE PAIS VIVOS…”.      

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