“Carpe Diem”

“…Quero que a derrota saiba bem

 Que transporto a vontade de vencer, 

Que o limite estará sempre mais além, 

No amanhã, em cada amanhecer…”  

           Já lá vão uns anos, que  depois de ver o filme, “O Clube dos Poetas Mortos”, resolvi escrever umas palavras, a que chamei, “Esgotar a Felicidade”, de que faz parte a quadra de cima.  Estamos a fechar mais um ano, olho para trás e pergunto: “ – Será que vivi tudo o que havia para viver, neste ano que parte?” Queira Deus que sim, mas, é claro que não. Umas vezes porque não tive oportunidade, outras, o que é bem mais grave, porque não tive a coragem e me faltou capacidade. Chamei a este texto, “Carpe Diem”, goza o dia, aproveita o dia, colhe a vida…Um dia li uma frase de Dale Carnegie, “ – Faz de cada dia um espaço hermeticamente fechado”.  Olha amigo estamos a entrar num novo ano e quero-te dizer, aqui da minha insignificante existência, que gozes de facto a vida, que sem medos ou complexos consumas tudo o que o que os dias te trouxerem, não te percas na duvida por pensares que não serás capaz, não. Não. Não te entregues ao amanhecer, nós somos capazes de tudo. Acredita. Não ponhas a Lua no Sol que acaba de nascer. Por mais medonho que o céu te pareça, lembra-te que há tanta vida, para lá do que as nuvens escondem, pergunto-te: “ – Já andaste de Avião? Já partiste com um céu negro, grandes torbulencias, chuva e ventos fortes?.  Sim? Então, também sabes que quando o avião sem medos rasga todas estas tormentas, há um céu azul e um sol fantástico lá por cima à tua espera”. Faz da tua vida uma viagem. Embarca todos os dias no avião da felicidade, da coragem. Agarra a vida e por mais que os dias se te apresentem negros, nunca te dês por vencido e lembra-te, há quem esteja à espera das tuas derrotas. Nada é definitivo, podem apresentar-te muitas insofismáveis verdades, se tu quiseres nada nem ninguém te deterá. Bebe cada dia, como se da ultima gota do vinho da garrafa de Deus se tratasse, embriaga-te na Fé, na esperança, não vás pelo inebriante perfume da derrota. Vai pelo fantástico dia, que mais uma vez tens para viver, vive cada hora, cada minuto, cada segundo, como se do ultimo se tratasse, com felicidade, com coragem e perseverança, porque olha, por mais que julgues que tens ou que não tens, hoje, ainda acordaste e amanhã não sabes se vais cá estar e se isso acontecer, de que te valeu guardar tanto? De que te valeu teres tanto? Então, tenho que te dizer da forma menos simpática, viveste e andaste cá da forma mais estúpida. Viver é gastar tudo o que a vida te dá, de nada te valerá guardar. O que consumires, ninguém mais consumirá. O que não consumires, perdeste, porque aquilo que te foi apresentado, foi para tu aproveitares, tudo o que te foi apresentado, por mais difícil e intransponível que te pareça, se te foi posto é porque tinhas capacidade para o superar.  Termino a desafiar-te para a leitura de dois livros, “O Princepezinho” de Antoine De Saint-Exupery e “Fernão Capelo Gaivota” de Richard Bach e deixo,como comecei, uma quadra, neste caso a ultima, do meu, “Esgotar a Felicidade”.

                     “…E quando a lança do final encontrar   

                 O resto do que em mim sobreviveu   

                 Não quero um coração a lancinar      

              Porque afinal, percebeu que não viveu.”

“Que ao menos em Dezembro, haja Natal…”

“ …Numa prece, deixo um pedido fraternal,

Se o natal, não poder ser todos os dias

Que ao menos em Dezembro, haja Natal” 

Este, é um pedido que encontro, numas palavras de um fado que gravei com o António Pinto Basto, escrito pelo Jorge Fernando, propositadamente para nós, em 1997 e que se chama “Um Pedido a Teu Cuidado”. E eu pergunto: “ – O que fizemos nós ao Natal?” A verdade é que já gastámos as palavras, passamos o tempo a fazer afirmações, como o titulo deste texto, mas depois não fazemos nada. Compramos, ou tentamos comprar, o melhor,  quantas vezes, vivemos acima dos nossos orçamentos. 

É noite de natal. “ – Boa noite a todos desculpem o atraso, mas…,” a minha mulher de repente interrompe e: “ –  mas o quê cala-te, já é o terceiro ano que chegas atrasado…”. Resolvi hoje contar-lhes a seguinte história: “Um ano no Natal tentei fazer o seguinte, escondi as prendas e, quando na noite do “Dito” menino, se fez hora de dar e receber presentes, disse aos que me rodeavam que neste ano, tinha decidido dar apenas Amor, traduzido num beijo. Uns disseram:  “- olha, Este, este ano passou-se, Amor e Beijos? Mas queremos isso para quê, nós que gastámos um dinheirão em prendas, agora recebemos  um beijo de amor, bela porcaria”, outros: “- Ok, mas não achei piada nenhuma”, houve igualmente quem dissesse, com aquele ar de quem está comprometido: “ – Há! Sabes?, Por acaso já houve um ano em que pensei fazer o mesmo, mas calculei que as reacções fossem estas e achei que não ficava lá muito bem visto e depois pensam logo, o sovina nem um chocolatinho nos comprou, que belo amigo…” . Claro que depois fui buscar os presentes a sério, até porque, também eu pensei que as reacções iriam ser aquelas e era o que faltava era que eu ficasse mal visto. Pois é, que ao menos em Dezembro haja natal…, a verdade é que hoje à tarde, quando saía da missa, e me dirigia para casa, na pressa que tinha, para vir aqui para a festa de Natal em Família, encontrei, naquele caixote de cartão junto à esquina do Banco, um mendigo que aparentemente dormia, aproximei-me e como até tinha uma caixa de bombons, que me acabaram de dar no emprego, quis oferecer-lhe a caixa, estendendo-lhe a mão, sabem o que me disse?  – Preferia que me oferecesse o que segura a caixa, o que me quer oferecer, encontrarei amanhã em abundância em qualquer caixote do lixo, agora uma mão e uma palavra de amor e carinho, há muito que não encontro, a não ser daqueles que como eu, um dia perderam tudo e nos encontramos na volta da revolta de um caixote de lixo, sabe meu amigo é que hoje as pessoas embrulham o ódio, a maldade, o fingimento e distribuem-no pelos amigos. As mãos? São para meter nos bolsos e o amor há muito que deixou de morar nos vossos corações. Todos os dias por aqui passam milhares de pessoas, nunca me ligam e hoje, só porque é Natal, aproximam-se e julgam-se muito santos por vir dar uma esmolinha a um pobrezinho, coitadinho, usam Deus e o Natal comoTira-nódoas, quando nos sujamos, procuramo-lo, julgando assim ficar limpos. Quer um conselho?, Dê Beijos e Amor, desembrulhados, mas vai ver que não vai ser fácil, porque  isso, não se contabiliza e vão achá-lo louco. Meu caro amigo, abra a caixa dos bombons e ofereça-os, assim, desembrulhados, para que todos possam ver o que de facto lá está dentro, porque na maioria das vezes nós, damo-nos assim embrulhadinhos em papel bonito, com laço e tudo e vai-se a ver depois de desembrulhados, não valemos nada. Agradeço-lhe a atenção, mas, estar-lhe-ei eternamente grato por esta hora de conversa, leva a mão suja por ter apertado a minha que há muito não vê um pinga de água, mas pode ir mais feliz porque hoje, deu o melhor que qualquer um de nós têm para oferecer, amor e carinho, assim desembrulhados, tudo num aperto de mão e em meia-duzia de palavras…”Desde então, e já lá vão três anos, todos os anos neste dia, procuro aqueles que não rua envergonhadamente se escondem de nós, não lhes levo nada a não ser a minha mão e as minhas palavras e sinto-me o mais feliz dos homens,  por sentir que tudo o que lhes dou é recebido, porque é oferecido, directamente do coração, sem embrulhos…

“Necessidade ou condição?”

Amigo, sabe o que quer dizer, amigo? Segundo o dicionário: “ (do latim amicu, substantivo masculino),  o que quer bem,  favorável; partidário; aliado; afeiçoado; que tem amizade.” já agora o que dirá sobre amizade? Aqui vai: “afeição, amor, boas relações, laço cordial entre duas ou mais entidades; dedicação; benevolência”. E se eu lhe perguntasse a si. Será que se revê, nestas respostas que o dicionário nos dá? Já agora: ” –  há quanto tempo não faz um amigo?” Achará abusador perguntar: “ Tem algum amigo?”. Mas eu respondo, “ – não sei.”, e tenho que confessar que: “- há muito que deixei de saber”. Devo confessar que não sou piegas e que não me fascinam. “rebuscados lances de teatro”, mas, tenho que confessar que dou de facto grande valor à amizade e que lamento profundamente não ser daquelas pessoas cheias de amigos, que saem, que se divertem e tudo o resto. Sabe porquê? Porque não consigo fingir e o mais grave é que não acredito nada nessas tangas, p`ra quê? Quando deixar de haver interesses, ou na primeira dificuldade ,onde é que eles estão? Devo concordar que poderá haver, mas, a vida infelizmente mostra-nos que não é bem assim, umas vezes porque é preciso agradar a uns, outras vezes, porque pode parecer mal a outros, mas que raio, então ser amigo, não é entregar-se? Não é estender a mão, sem nos importarmos que alguém esteja a olhar? Não é aceitar todas as diferenças, formas de estar, de pensar, de agir e acima de tudo, aceitar? Pois é, é aqui que para mim o Mundo pára, não me peçam para ser amigo, se o que esperam de mim for olhar com os mesmos olhos, então quatro não vêem mais? Ser amigo, para mim, é algo que não vem no dicionário, é aceitar, aceitar a diferença do outro e ao aceitar, aceitamos tudo, os erros também. Não gosto muito do termo perdoar, não obviamente pelo significado que lhe está subjacente, mas, pelo facto de me incomodar, então porque temos que pedir perdão, a alguém que comete os mesmos erros que nós, quem nos julgamos para só perdoar, quando alguém, que apenas agiu de uma forma diferente, daquela que nós entendemos como correcta, nos pede perdão, então não prestamos, porque os nossos amigos se assim se considerassem verdadeiramente, nunca  teriam necessidade de nos pedir perdão, considerar-se-iam perdoados por natureza, porque Deus não nos disse,  que perdoar era necessidade de quem ama, mas a condição de quem vive.  Tal como na história do soldado, mesmo que tenhamos a certeza que o nosso amigo morreu, é melhor ir buscá-lo, porque ele, afinal, ao chegarmos  pode estar vivo e de certeza que não esperava outra coisa de nós senão ir buscá-lo, até  porque o importante, não é acreditarmos que está morto, mas que morreria concerteza de desilusão, por o não termos ido busca. Por fim digo: “ – Para se ser amigo não é necessário estar sempre presente é condição fazê-lo quando todos já partiram…”

“Invenções…”

A vida é uma invenção constante. inventamos alegrias, inventamos tristezas,inventamos problemas e soluções. tudo inventamos. Só nos falta inventar porque não se inventa a vida, simplesmente acontece. Pena, é que não acontecamos nós na vida, da forma mais simples. Como? Simplesmente amando e deixando que a vida, invente em nós o espaço para o amor, que há muito lhe deixamos de dar.A vida é a maior invenção de deus e nós, passamos a vida a inventar a forma de a viver, da pior forma possível. Anunciamos Paz mas procuramos a guerra,  até porque há muito inventámos o Lucro da guerra e a despesa da Paz. Inventamos melodias e poemas, cheios de palavras que muitas vezes não cabem na teimosia, do teimoso sentido que lhe queremos dar. Ainda inventamos esperanças e promessas para o amanhã que está por inventar, nas mentiras que inventamos não dizer. Inventamos o dia quando é noite e fazemos noite cada dia ao amanhecer, pela invenção de outra luz lhe querer dar.Tudo é invenção nossa. Ao nascer trazemos um corpo que os nossos pais nos inventaram, limpo e puro, mas, inventamos saber, no saber que o mundo nos quis dar. Crescemos inventando um futuro, onde tudo ainda está por inventar e no fim… “-A vida é simples, nós é que a complicamos porque passamos a vida a inventar, até ao dia em que a vida se farta de nós e nos inventa a morte…”.

“Homem só…”

Hoje decidi sentar-me aqui, assim, sozinho, com todo este Céu, esta Terra, tudo o que não me pertence, nem a mim nem a ninguém. Sentei-me aqui para perceber quão pequeno e insignificante sou, tudo acontece à minha volta sem que me perguntem se está bem, se gosto assim, se concordo ou discordo, se aprovo. Afinal, aqui, onde tudo acontece da forma mais perfeita, não me perguntam nada. Os pardais fazem os ninhos onde bem lhes apetece, as árvores perdem as suas folhas num abandono desprezante, os rios não param de moldar aquelas pedras, os peixes provocam a minha presença num saltitar constante e ali mais à frente andam dois coelhos a devorar a mais fresca das ervas. Não percebo. Como é possível? Então eu não conto, não tenho direito a uma opinião? Como é possível que tudo aqui acon- teça com esta perfeição e eu, logo eu, que tanto sei, não me perguntam nada? Sempre me julguei tão importante, sempre pensei que onde quer que estivesse, a minha opinião fosse necessária e fundamental, sempre entendi que o mundo não teria hipóteses de evolução e sustentação sem a minha intervenção. Construí casas, estradas, pontes, grandes máquinas, grandes invenções e aqui, logo aqui, onde estou só e tão disponível, não faço falta nenhuma. É quando estamos mais sós e onde ninguém nos conhece, que percebemos a nossa verdadeira dimensão,  é quando passeamos na rua no meio de uma multidão, de homens e mulheres cheios de pressa para coisa nenhuma, que nos apercebemos de quanto sós estamos. E se eu gritasse agora, chamar-me-iam louco não era? Loucos somos todos nós que nos fartamos de gritar por coisa nenhuma e nos calamos quando a Vida reclama a nossa voz. Loucos somos nós Homens e Mulheres que nos desgastamos em lutas constantes por coisas sem importância nenhuma. Afinal, certo está este Mundo aqui, onde não há quem mande ou queira mandar, onde a vida nasce, cresce e morre sem interferências. Aqui tudo corre de forma correcta, porque ao contrário de nós, cada um vive a sua própria vida e não se importa ou interfere na vida dos outros…

“Graças a Deus…”

Acreditam no destino? Eu não, ou melhor, pode haver qualquer coisa pensada para nós, mas o fundamental somos nós que o realizamos. Ontem estive a ver um Filme sobre a vida de João Paulo II, de quem confesso ter sido e continuar a ser fã, eu e milhões e milhões por todo o Mundo. Estaria ele predestinado? Estaria a vida D`ele escrita logo ao nascer? Teria Deus enviado Aquele Homem, com aquela missão? Eu que nem sequer acredito muito nessas coisas do destino, uma vez que entendo que: “- O meu destino sou eu que o faço. Que o construo dia a dia, com as minhas atitudes e opções”. No caso de João Paulo II, julgo que houve ali mão de Deus, a sua vida foi uma sucessão de acontecimentos prematuros e inesperados, ser ordenado Bispo aos 38 anos, ser eleito Papa aos 58 anos, sempre e em tudo o mais novo da História. Havia um mundo para mudar, havia tensões politicas e religiosas, havia um Deus adormecido um pouco por todo o mundo, havia uma juventude descrente e revoltada com os caminhos escolhidos, quer pelos ideais políticos quer pelo suporte psicológico que está subjacente à religião, e aqui incluas todos, porque quer nasçamos, católicos, judeus, protestastes ou de outra qualquer religião, há um principio que não devemos esquecer: TODOS SOMOS FILHOS DE DEUS  e, João Paulo II fez questão de no–lo dizer e mostrar. Este homem vestido de branco, que considerou ser ele a chave  e o motivo do terceiro segredo de Fátima, não se tornou imortal e eventualmente santo, por ser um filosofo, um grande pensador, mas sim por ser um grande comunicador, um homem cheio de coragem, um homem do terreno. Cada vez mais assistimos a lideres de gabinete, João Paulo II disse-o no primeiro dia, não escolhi esta vida para estar enclausurado, o beneficio da minha actividade é na rua, nas estradas, nos caminhos, é a dar o exemplo, é sem medos dar opinião, mesmo que isso me custe a própria vida, se cá vim foi pra viver, pra desafiar: “-Tu que me ouves já te encontraste?, já decidiste o caminho que queres seguir? Se não nos encontrarmos, jamais encontraremos o caminho que devemos seguir. Já agora diz-me:  já encontraste Deus?” Tantas palavras que já aqui deixei, apenas para dizer que no caso presente, acredito, que  deus nos enviou João Paulo II, não sei se tanto para sermos mais religiosos ou não, mas de certeza para termos uma luz, um guia, um exemplo. Para percebermos que tudo é possível, pode-se nascer o mais humilde dos operários, mas amanhã, podemos ser o melhor lider, o maior dos pensadores, o maior da mais elementar actividade que desempenhemos. A grande diferença está e estará sempre nos que tentaram, nos que arriscaram, nos que não tiveram medo de assumir as suas próprias ideias e as puseram em prática, naqueles que tiveram a coragem de agarrar em todos os instrumentos que deus nos deu e dá e de os utilizar,  para o bem. Que não há maior bem que o do respeito e perdão, PERDÃO, só perdoando, seremos perdoados, ele que viu a sua terra ser oprimida e os seus chacinados, só teve uma resposta, perdoar, sempre perdoar e mostrar o caminho e apontar os erros através das palavras sem medo, ditas no tempo certo e com a intenção certa, sempre: “ – Podem-nos roubar tudo mas, jamais  devemos permitir que nos roubem a alma”. Esta foi a lição que João Paulo II nos deixou, por mais pequeninos e insignificantes que nasçamos se quisermos, nada nos deterá e os grandes feitos, as grandes obras, foram sempre alcançados por aqueles que não tiveram medo,  de apesar da mais negra das noites terem agarrado no facho e arriscaram um caminho, de fé e verdade, a verdade que por mais oprimida, acabará sempre por prevalecer: “ – A guerra traz mais guerra, o ódio traz mais ódio. Aos que nos ferirem com armas, responderemos com o perdão das palavras e não se esqueçam, devemos trancar as portas do estábulo enquanto o cavalo lá estiver dentro, não depois deste já ter saído. Muitas vezes na vida, aparecemos quando há muitos a fazer barulho e escondemo-nos quando basta uma só palavra”. Fecho como comecei, não acredito muito nas coisa do destino, mas acredito que alguns cá vêm para nos ajudar a construir o nosso. Eu dou graças a Deus por me ter dado a possibilidade de ter passado por cá ao mesmo tempo que este predestinado que,  nasceu Karol e morreu João Paulo II.

“Os olhos do homem grande…”

Sempre tive fé. Sempre encontrei na minha vida Cristo. Aquele que se deu por nós na cruz, aquele que sempre me disseram ser bom e amigo. Mas também muitas vezes o tenho perdido, ou talvez seja mais correcto afirmar, que não o encontro. Não o encontro em mim, não o encontro na rua, nas casas, nos outros e tenho que confessar que muito menos o encontro ou percebo, quando vejo sofrimento. Lembro-me de ser pequenino, de chegar à cama e junto do meu Deus pequenino, ir rezar. Dormia descansadamente, como se a Lua, que entrava pela janela, me dissesse: dorme descansado meu pequenino”. Mas um dia, um dia, comecei a duvidar de tudo, lembro-me quando morreu o meu amigo Quim-Zé, tão pequenino e eu todas as noites quando as minhas mãos procuravam Deus para se juntar, perguntava à lua que já não iluminava tanto o chão do meu quarto: “- Ó lua tu que estás tão perto do meu Menino Jesus, pergunta-lhe lá porque é que levou o meu amigo?”. Fui crescendo e para além do Quim-Zé outros amigos perdi, outros que me faziam tanta falta também partiram, aquela luz da lua que enquanto criança achava tão bonita, era agora bem mais cinzenta, bem mais triste. Comecei a duvidar, a perguntar, a não entender.”- Então se temos um Deus justo e bom, porque nos leva Ele aqueles de quem gostamos, porque nos provoca e deixa sofrer?”. Anos tive de grande duvida. Fui deixando as minhas preces e mesmo quando as minhas mãos reclamavam um encontro com Deus, eu afastava-as, sabia que as duvidas que outrora tivera, eram agora uma certeza, Deus não existia, nem era bom. Vi tantos meninos partir, vi tantas mães chorar. Passei a ver o Mundo com os olhos do homem grande. O Homem da guerra, do sofrimento, das lutas, do ódio, da inveja e maldade. Um dia parei e comecei a olhar para mim,  reparei que afinal eu também já era um homem grande, que já não juntava as mãos apenas por ter duvidas, mas por ter tantas certezas, por agora achar que afinal a Lua que dantes me vinha visitar, não vinha para sonhar comigo aqueles sonhos bons. Vinha porque tinha que vir, porque o Mundo rodava e ela é claro, tinha que aparecer. Deixei de achar graça a tudo, deixei mesmo de achar graça a mim, até ao dia em que Deus me levou outro amigo, este de bem mais perto, este com um coração que pulsava o mesmo sangue que me corre nas veias e voltei a encontrar-me com Deus, curiosamente com o mesmo Deus pequenino que dantes tinha ao pé da cama e para meu tormento, comecei a perceber que afinal, tinha sido eu que me tinha afastado D`ele, afinal Ele sempre ali estivera e que foram os olhos do homem grande, que comecei a utilizar, que me fizeram tornar cinzenta e fosca a minha brilhante Lua. Ontem voltei a juntar as mãos e para meu espanto Deus ainda lá estava, quis-lhe perguntar tanta coisa, mas de tão cansado adormeci, ainda tive tempo para perceber que a minha lua estava tão bonita como dantes. Hoje quero ver se me deito mais cedo e menos cansado, para ver se consigo perguntar ao meus Deus pequenino: “ – Como estão os meus amigos?, todos aqueles que já partiram e tenho a certeza, como eram tão bons, estarão  seguramente com o Deus grande lá no céu…”.

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