“Que ao menos em Dezembro, haja Natal…”

“ …Numa prece, deixo um pedido fraternal,

Se o natal, não poder ser todos os dias

Que ao menos em Dezembro, haja Natal” 

Este, é um pedido que encontro, numas palavras de um fado que gravei com o António Pinto Basto, escrito pelo Jorge Fernando, propositadamente para nós, em 1997 e que se chama “Um Pedido a Teu Cuidado”. E eu pergunto: “ – O que fizemos nós ao Natal?” A verdade é que já gastámos as palavras, passamos o tempo a fazer afirmações, como o titulo deste texto, mas depois não fazemos nada. Compramos, ou tentamos comprar, o melhor,  quantas vezes, vivemos acima dos nossos orçamentos. 

É noite de natal. “ – Boa noite a todos desculpem o atraso, mas…,” a minha mulher de repente interrompe e: “ –  mas o quê cala-te, já é o terceiro ano que chegas atrasado…”. Resolvi hoje contar-lhes a seguinte história: “Um ano no Natal tentei fazer o seguinte, escondi as prendas e, quando na noite do “Dito” menino, se fez hora de dar e receber presentes, disse aos que me rodeavam que neste ano, tinha decidido dar apenas Amor, traduzido num beijo. Uns disseram:  “- olha, Este, este ano passou-se, Amor e Beijos? Mas queremos isso para quê, nós que gastámos um dinheirão em prendas, agora recebemos  um beijo de amor, bela porcaria”, outros: “- Ok, mas não achei piada nenhuma”, houve igualmente quem dissesse, com aquele ar de quem está comprometido: “ – Há! Sabes?, Por acaso já houve um ano em que pensei fazer o mesmo, mas calculei que as reacções fossem estas e achei que não ficava lá muito bem visto e depois pensam logo, o sovina nem um chocolatinho nos comprou, que belo amigo…” . Claro que depois fui buscar os presentes a sério, até porque, também eu pensei que as reacções iriam ser aquelas e era o que faltava era que eu ficasse mal visto. Pois é, que ao menos em Dezembro haja natal…, a verdade é que hoje à tarde, quando saía da missa, e me dirigia para casa, na pressa que tinha, para vir aqui para a festa de Natal em Família, encontrei, naquele caixote de cartão junto à esquina do Banco, um mendigo que aparentemente dormia, aproximei-me e como até tinha uma caixa de bombons, que me acabaram de dar no emprego, quis oferecer-lhe a caixa, estendendo-lhe a mão, sabem o que me disse?  – Preferia que me oferecesse o que segura a caixa, o que me quer oferecer, encontrarei amanhã em abundância em qualquer caixote do lixo, agora uma mão e uma palavra de amor e carinho, há muito que não encontro, a não ser daqueles que como eu, um dia perderam tudo e nos encontramos na volta da revolta de um caixote de lixo, sabe meu amigo é que hoje as pessoas embrulham o ódio, a maldade, o fingimento e distribuem-no pelos amigos. As mãos? São para meter nos bolsos e o amor há muito que deixou de morar nos vossos corações. Todos os dias por aqui passam milhares de pessoas, nunca me ligam e hoje, só porque é Natal, aproximam-se e julgam-se muito santos por vir dar uma esmolinha a um pobrezinho, coitadinho, usam Deus e o Natal comoTira-nódoas, quando nos sujamos, procuramo-lo, julgando assim ficar limpos. Quer um conselho?, Dê Beijos e Amor, desembrulhados, mas vai ver que não vai ser fácil, porque  isso, não se contabiliza e vão achá-lo louco. Meu caro amigo, abra a caixa dos bombons e ofereça-os, assim, desembrulhados, para que todos possam ver o que de facto lá está dentro, porque na maioria das vezes nós, damo-nos assim embrulhadinhos em papel bonito, com laço e tudo e vai-se a ver depois de desembrulhados, não valemos nada. Agradeço-lhe a atenção, mas, estar-lhe-ei eternamente grato por esta hora de conversa, leva a mão suja por ter apertado a minha que há muito não vê um pinga de água, mas pode ir mais feliz porque hoje, deu o melhor que qualquer um de nós têm para oferecer, amor e carinho, assim desembrulhados, tudo num aperto de mão e em meia-duzia de palavras…”Desde então, e já lá vão três anos, todos os anos neste dia, procuro aqueles que não rua envergonhadamente se escondem de nós, não lhes levo nada a não ser a minha mão e as minhas palavras e sinto-me o mais feliz dos homens,  por sentir que tudo o que lhes dou é recebido, porque é oferecido, directamente do coração, sem embrulhos…

1 Comentário

  1. Olá mais uma vez amigo Zé,vou comentar porque penso que o Natal é o consumismo puro.As pessoas pelo Natal não se apercebem o que estão a festejar ,só pensam em comprar e até chegam a pedir emprestimos para as prendas MEU DEUS.Sabes na minha casa por norma não damos prendas pelo Natal por isso mesmo,além de monetariamente é um bocado pesado, optamos por dar as prendas aos amigos pelos aniversários.
    NOS PELO NATAL FESTEJAMOS O NASCIMENTO DO SALVADOR
    Aproveito para te desejar um santo e feliz Natal para ti e tua familia assim como 2008 te traga muitos exitos e MUITA SAUDE
    Um abraço
    Jose Marcelino


Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s