“A Jarra dos Gladíolos…”

Voltei hoje a New Land, aqui nasci, já lá vão uns bons anos. Nunca mais cá tinha voltado desde aquele dia: “ – O sol estava a pino e já não suportava as dores da alma. Ela tinha partido e disse-me que não mais voltaria. Guardei sempre o seu sorriso, aquele ultimo sorriso, um misto de alegria e tristeza, um misto de conforto e sofrimento. Lembro-me, quando me disse que não nos restava outra solução se não a separação. Que já não dava, o sofrimento estava instalado e há um momento na vida em que percebemos, que já não somos felizes, que já não faz sentido fazer caminho, que todas as estradas foram conquistadas e já nem reparamos na beleza das flores campestres que nascem livremente e, só já nos prendemos nas pedras, que nos magoam os pés, por mais pequenas que sejam. Tudo fiz, acreditem, passei a lavar a roupa, a passar a ferro e sabem mais? Até os pés  lhe passei a lavar. Hí! E os jantares e os almoços, tornei-me um especialista em gastronomia. Fiquem a saber que, até as pinturas e as limpezas passei a fazer, logo eu, que sempre considerei que, esses trabalhos são para as mulheres, não sei, não acho jeito, aqui que ninguém nos ouve, era um bocadinho machista, desculpem, achava esses trabalhos um pouco amaricados. Mas, enfim, “ A necessidade é mestra de engenho”, não é? Hum! Se é, como me passei a desenrascar. Tudo fiz, mas como é possível, nada a fez ficar, nada a demoveu. Um dia disse-me: “ – Desculpa, vou desistir, vou-me embora.” Mas não, nesse dia ainda a demovi, sabem, fui à florista e comprei as suas flores preferidas, quando cheguei ainda estava deitada, bom já estava quase sempre, pus as flores na sua jarra preferida, dei volta ás gavetas todas e descobri aquela toalha, tão linda, de linho, toda bordada a fio dourado, tinha-a desde muito nova, tinha sido a mãe que lhe a tinha dado. Pus o serviço, que só tinha servido no jantar, do dia do casamento. Fiz um borrego assado no formo, esmerei-me. Arranjei vinho, tinto do bom e pão, do bom. Quando tudo estava pronto, fui chamá-la. Deviam ter visto aqueles negros olhos, tão felizes, disse-me: “ – Hã, é só miminhos”. Adorou, a verdade, é que a consegui demover, pelo menos por umas horas. Não muitas, de manhã, já lá não estava, ao lado deixou-me este bilhete: “ – Adeus meu querido, tens sido fantástico, tens-te esforçado tanto para me ajudar, tens-me feito tudo, mas, eu já não sou daqui, o nosso tempo está chegado ao fim. Tenho a certeza de que ainda serás muito feliz, tu mereces e eu, como as coisas estão, já não posso contribuir para a felicidade que julgo mereceres.” Eu? Não resisti àquela casa sem ela, em tudo a via, tudo me cheirava e fazia lembrar dela, por isso decidi partir. Hoje, vinte e cinco anos depois, estou aqui, novamente. Finalmente ganhei coragem de vir aqui. Comprei uns gladíolos, que ela sempre gostou muito de gladíolos, as suas flores preferidas. Toda a vida os teve lá em casa, dizia-me sempre, deixa estar assim, a jarra, com estes gladíolos, eles enfeitam-me a vida. Hoje, aqui estou, de volta, com a sua jarra de Gladíolos, infelizmente para lhe enfeitar a morte. ” – Aqui está a tua jarra… Mãe…que Deus te tenha…”

“O Tamanho da Janela…”

Há dias, passei junto a uma oficina de caixilharias de alumínio, não sei, nem me perguntem porquê, mas, fiquei preso a uma janela que estava encostada a uma parede. Era grande, enorme, de um verde escuro, mas não sei porquê, aquela janela, tinha qualquer coisa, não me parecia bem verde, olhava e via-a de quase todas as cores e o mais incrível, é que, sendo enorme, me parecia igualmente de todos os tamanhos. Não fui capaz de me deter, entrei e, perguntei ao único homem que estava na oficina, para que era aquela janela. Respondeu-me: “ – Qual janela?”, “ – Aquela ali encostada à parede.” “ – Há! A vermelha”. “ – Não amigo, a verde!”. “ – Mas não há aqui janela nenhuma, verde.”, “ – Ai,ai,ai,ai, então mas está a gozar comigo? Então aquela janela ali, enorme, não é verde?” “ – Não e não é nada grande, é pequena e é vermelha”. Julguei-me louco, então eu via claramente uma janela enorme e embora de facto de cor estranha, tinha claramente tons de verde. Como não queria causar qualquer problema, virei costas e achei que não seria boa ideia continuar aquela discussão, mas, de repente o homem, chamou-me: “ – Olhe, já vai embora?, Então vem aqui embirrar com a minha janela e agora vai-se embora? Então, duvida do tamanho e da cor e em vez de defender essa ideia, vira-me as costas? Meu amigo, é por isso que muitos falham na vida. Olham, dão opinião e depois quando são contrariados, viram as costas, não argumentam, resignam-se nas afirmações e pareceres dos outros. Caro amigo, a janela, para lhe ser franco, não tem cor, nem tamanho. O meu amigo vê-a, assim verde, porque lhe falta a esperança, eu, vejo-a vermelha porque me lembra o sangue e a vida. Para o meu amigo, ela é enorme, para mim é minúscula, sabe porquê? Porque para si o mundo é pequenino, muito pequenino e não consegue imaginar a grandiosidade das coisas, para a sua casa ela é enorme, porque os seus sonhos são pequenos. Para mim ela é pequena, porque sonho com uma casa enorme, onde essa janela caiba toda. Sonho com um Mundo de coisas e gente grande. Já agora diga-me lá se a janela tem vidro ou não?” Respondi o obvio, à vista de todos: “- É claro que tem vidros, ou também me quer dizer que não e que também não vejo em grande.” “ – Não meu amigo, não é uma questão de ver grande ou pequeno. É claro que a janela não tem vidros. O seu olhar é que não é transparente e não consegue ver claramente. Mais uma vez, lhe digo está enganado.  Para si a janela tem vidros, porque não consegue ver o Mundo para lá das ombreiras da janela, tem medo do que possa vir a encontrar, pala lá da segurança dos seus olhos e do que efectivamente consegue ver. Para mim, ela não tem vidros, porque assim consigo ver bem melhor e nada me pode impedir de conquistar o que está para lá da janela. As janelas, tal como a vida, terão sempre o tamanho e a cor que lhe quisermos pôr e serão sempre o espelho do que somos e onde queremos chegar. Para fechar, diga lá, acha que a consegue abrir? “ – Não sei”, “ – Está melhor. Já é um principio, nunca diga que não e que não é capaz, sem ao menos ter tentado. Vá homem, agora sim pode seguir o seu caminho e não se esqueça, vá construir uma casa, onde possa caber esta janela…”

“Nem Tudo O Que Luz…”

“É um tolo aquele que, verificando que uma rosa cheira melhor do que uma couve, conclui que fará também uma sopa melhor.”Esta, é uma citação que assenta e reflecte bem as minhas palavras e o titulo de hoje, “Nem Tudo o Que Luz…”.Quanta vezes, nos agarramos ás aparências e amamos ou detestamos em função do que nos dizem, do que nos parece e não em função do que conhecemos. Somos muito lestos a tirar conclusões, normalmente, não damos espaço a nós próprios para permitir que em nós caibam, aqueles que a vida nos apresenta. Somos diariamente bombardeados, por gente de bom aspecto, cheirosos, de boas palavras e grandes conhecimentos e influencias. Somos igualmente visitados por outros, menos perfumados, menos dotados linguisticamente, mas quantas vezes, bem mais ricos, bem mais disponíveis, bem melhores, que apesar do tal mau aspecto, produzem concerteza uma melhor sopa. Acompanhem-me nesta história: “ A vida não me corria nada bem, tudo me levava a crer que a vida me colocara numa encruzilhada. Um dia, fui abordado por um amigo, disse-me que alguém se queria encontrar comigo, para me propor um negócio. Como a vida me corria tão mal, julguei que era finalmente a tal luz, que julgava apagada, que se acendia de novo no fundo do túnel. Quando me dirigia, para o tal encontro de negócios, alguém me chamou: “- Anda cá. Olha quero propor-te um acordo.” Olhei, para quem me chamava e achei-lhe tão mau aspecto, que nem me aproximei, disse-lhe apenas que não tinha tempo, que estava cheio de pressa. Voltou a chamar-me: “ – Olha, onde vais com tanta pressa? Não corras atrás da Luz, Eu, tenho o Ouro verdadeiro para te oferecer”. Apesar de tão estranha afirmação, não hesitei um momento e continuei para o meu encontro de negócios. Ainda assim, já longe, ainda ouvi o homem, sujo e roto dizer: “ – Cá nos havemos d`encontrar.” Bom, segui o meu caminho e lá fui ter com o homem dos negócios, fiquei de veras surpreendido, que bom aspecto. Que boa casa e carro. Fiquei de facto motivado e pensei que estaria ali a minha grande oportunidade. O negócio? Era tornar-me traficante de droga e armas. Tive a certeza, que não estaria a fazer a escolha certa, mas, não me restava outra alternativa senão aceitar, a vida corria-me demasiadamente mal, para rejeitar aquela oportunidade. Aceitei e, lembrei-me logo, daquele que me havia chamado no caminho, de certo era drogado e ali já teria seguramente um cliente, há! E já agora refiro que, os pagamentos eram diários e bem simpáticos. Fui ver do tal homem, lá estava ele, um bocadinho mais abaixo do sitio onde me abordara. Chamei-o e claro, como quem não quer a coisa, lá lhe quis vender a droga, mostrei-lha, disse-lhe que era de boa qualidade. Não hesitou, disse-me que sim e que o acompanhase, porque conhecia uma malta amiga, que também estaria interessada no produto, e lá fomos e foi o fim. Hoje, escrevo este livro, a que chamei: “O Veneno da Luz”, aqui na prisão, onde estou há mais de dois anos, fui condenado a seis, por tráfico de estupefacientes. O homem que me prendeu, foi aquele do mau aspecto, que afinal, me queria convidar para entrar para a policia, porque tinham vagas abertas, para homens e mulheres, que se quisessem disfarçar e fazer parte do corpo da luta anti-droga, bem melhor pago, apesar de ter que me converter ao mau aspecto. Estou no fim do meu livro e sabem como acaba? Assim: Não te fies no brilho da luz, mais vale ires, lentamente iluminado a tua vida, com a certeza de que essa luz é pura, construída e acendida por ti em cada passo que dás. Nunca te importes, que te digam que não tens bom aspecto e que te conseguem conhecer e saber quem és assim, à primeira vista, só de olharem para ti. Responde-lhes apenas: “ – Ainda bem que sou assim, tão transparente e me conseguem ver o coração e a alma, através do mau aspecto que aparento.” 

    

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“Saudade…salgando mais e mais o nosso fado…”

Saudade, esta Lusitana condição. Refugio de poetas e artistas. Mãe de tristezas e desgraças, do luto e da sorte desejada.  Saudade, servente desta gente desgraçada. Suave brisa ou violenta tempestade, de ancoras e grilhões arrebentados, debruçados como preito ao coração, dos teus feitos para lá do Bojador. Saudade, que vestes cada frase desta terra, que buscas alegrias adiadas, que despes os sorrisos dos que ficam na trágica lembrança dos que partem. Saudade, constância desta voz entregue ao fado, no choro, na dolência encontrada, no grito inebriante que se amarra, em cada nota solta da guitarra. Ai saudade, tu, que para tudo serves, para rir e p`ra chorar. Tu, onde se encontra o nada que somos, no todo onde sempre quisemos estar. Tu, que nos deixas sobre os olhos, o brilho da revolta, dos que nunca mais voltaram e a luz sempre ofuscada dos que nunca nos deixaram. Saudade, inundada felicidade de um país farto de nada, palavra p`rá tristeza  tantas vezes encontrada. Nunca como hoje te cantámos tanto, nunca com o hoje te carregámos tanto no papel, num vermelho tão viscoso a inundar os versos. Palavra única, conjugada maldição, em tudo nós te pomos; No Amor, na Vida, na Morte ou Solidão, na Alegria e na Tristeza. Palavra desta gente, que nunca te pusemos, tanto no passado, como hoje no presente.  Ao que chegámos. Pátria Mãe, Tu, a viver sempre com saudades da saudade. Que triste condição embriagada. Aqui neste planaltico Oceano, de Sol na beira-mar amordaçado, florida pátria de Camões e de Pessoa. Atlântica terra de vitórias, a vestir de mágoa e dor tanta saudade, assim vais, escorrendo o pranto da tristeza, salgando mais e mais o nosso fado…

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“Ai, Solidão…”

Um dia, perguntei a um  amigo que não via há muito, como estava e como lhe corria a vida. Respondeu-me: “ – Cá vamos andando, umas vezes melhor, outras pior. Tenho umas dores que não me largam, mas desde a morte da minha mulher quem mais não me largou foi a solidão e essa sim, é a pior das minhas dores”. Mas tu não foste morar para Lisboa? Então lá há tanta gente? E tu queixas-te de solidão? Encheu os olhos de lágrimas, mandou-me sentar e disse-me: “ – A vida é uma ilusão. Iludimo-nos nas riquezas e nas importâncias, iludimo-nos na ignorância e acreditamos ser muito sábios. Fechamos dia após dia, portas, julgando não mais necessitar de passar por ali. Julgamo-nos conhecedores e muito sabedores das coisas da vida e jamais acreditamos que o mal dos outros e as desventuras, um dia nos possam vir bater à porta. Passamos a vida a anunciar humildade e depois, olhamos por sistema, os nossos irmãos sempre como se fossemos superiores, quando: “Apenas temos o direito, de olhar alguém de cima, quando lhe estivermos a dar a mão, para o ajudar a levantar”. Comportamo-nos como se a esperteza e o saber fossem propriedade nossa. Levamos uma vida mascarados e vivemos de mascaradas verdades.  Fazemos sempre dos nossos interesses, a coisa mais importante e olhamos para aqueles a quem a vida ainda deu menos que nós, com um olhar de compaixão, anunciando ao resto do mundo a pobreza e enchemos a boca de coitadinhos, fingindo grades mágoas. Somos soberbamente errados. Quase tudo fazemos, para sermos os melhor e ter mais que os outros. Mas, a insofismável verdade, é que, tudo do que te falei, é sempre material. Um dia, no fim da vida, quando o material deixar de ter interesse, vês-te assim como eu, só. Completamente só. Porque fechaste portas quando as devias ter aberto, porque sempre te preocupaste mais em colher, do que em semear, porque quiseste a melhor casa, mas nunca a encheste de amor. Eu estou aqui, hoje, a dizer isto tudo e sabes porquê? Porque há mais de dois anos que não converso com ninguém. Hoje, todos me  fazem o que eu fiz, fecham portas. Na cidade grande como dizes, há tanta gente, que , tal como Eu, vai vivendo cheia de nada. As pessoas, enchem os dias de pressas e grandes aspirações materiais. Mas, como Eu, um dia quando chegarem à recta do final, a grande maioria, vai estar assim, como Eu, só. Completamente só. Tudo, porque fui demasiadamente egoísta, para acreditar que algum dia acabaria assim e a verdade é que aqui estou, completamente só. Porque apenas vivi ou me importei comigo, sempre dando mais importância ao material, desumanizei a minha vida e não posso esperar que a vida me dê hoje, o que lhe fui tirando no egoísmo dos dias. Por isso mesmo, hoje, estou tão só, porque: “ Os egoísta, morrem sozinhos…”  

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“A mascara do mito…”

Hoje parti à minha procura. Foram anos e anos de intensa vida, de vitórias e derrotas, de encontros e desencontros. Cá fui fazendo os meus dias, sempre cheios, quantas vezes de nada, ou de uma importância inventada. Tive dias cheios de risos, de imensas gargalhadas, tudo quando deixei de saber sorrir e como me encontro nas palavras de Álvaro Duarte Simões: “ – O riso é sempre o começo, do sorriso que findou”. Sabem? Cheguei a ser pescador, preparei canas, fios, anzóis e iscos, as melhores amostras e os melhores locais para pescar. Fiz grandes lançamentos. Sabem o que pesquei? Efémeros momentos de verdadeira felicidade e alegria, mas, em contra partida, grandes períodos de verdadeira angustia. Raramente lancei fios no lago correcto, ou por que não os conhecia, ou porque não me interessava. Os meu lançamentos, foram sempre em lagos muito concorridos, cheios de pescadores e pouco peixe, mas parecia bem aparecer por lá, mostrar a minha cana e como quem não quer a coisa, lançar o isco em bom anzol, confesso que caíram alguns peixes, alguns bem grandes, daqueles que se julgavam muito espertos e que nenhum anzol lhes servia. Tenho uma vez mais que confessar, que também eu caí, também fui pescado, hó! se fui. Ás vezes sem querer, outras porque também me iludi, na cana, no isco e no anzol. Vezes ouve em que esperneie bastante, sacudi bastante água, mas, no fim, acabei sempre apanhado. Umas, com a plena consciência que nada podia fazer, apesar de perceber que aquele não era o anzol correcto para morder, mas, o dono da cana e os outros pescadores, não esperavam outra coisa de mim, se não o entrar no engancho e alguns dos que conhecei, tinham cada camaroeiro. Tenho que dizer que, também, muitas vezes me deixei pescar, tinha que ser, procurei anzóis, tive que morder iscos. Tantas vezes com dores tão profundas, daquelas, que tinha a certeza que iria ter, mas, preparava logo o antídoto, para o veneno que sabia ir encontrar. Resultado? Fui perdendo escamas e vontade de nadar, mudei de cor, de aspecto, de tamanho, deixei de respirar para viver, passei a viver para respirar. Hoje, depois te tantas pescarias, acabei aqui, neste aquário, onde nada é natural, as pedras são de plástico, as ervas e flores de silicone, a água e o ar, cheios de filtros e fertilizantes, as paredes de vidro, para que vejam bem o meu aspecto e os meus risos, por fim a comida, que deixei de procurar, porque, apenas posso comer a que me quiserem dar. Já pensei, um dia fujo do aquário, vou ver de mim, ao primeiro lago onde minha mão me deixou, vou ver daquelas gargalhadas que tanto gostava de dar. Deito fora as canas, fios e anzóis, que no meu isco já nem pega. Hoje, tal como o escritor João Dias, apetece-me dizer: “- Qualquer dia dou um grito, tiro a máscara do mito e regresso a mim de novo…” 

       

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“Arre porra que é demais…”

Que país é este? Esta, é seguramente uma pergunta que muitos Portugueses já fizeram ultimamente, eu confesso: Já fiz muitas vezes. Estou farto desta falta de humanidade. É nas leis, sempre e só técnicas, despidas da mais elementar sensibilidade. O caso Esmeralda, aquele, daquela menina que, depois de não sei quantos anos à guarda de uma família de Amor, agora, apareceu o Pai, que nunca quis saber ou importar como ela estava, a dizer: “ – Há e tal Eu até sou o Pai e agora que me apeteceu ter a minha menina e não se esqueçam, quero uma indemenização”. ” – Indemenizados deveriamos de ser nós por ter de aturar isto”. Bom, isto é o que eu penso. Mas então, estamos todos loucos. Agora pergunto Eu, as leis, foram feitas para quem? Para as paredes? Para as pedras? Para as arvores ou pássaros? Se calhar mais valia, porque hoje, já há mais quem se importe com a raridade das flores, com os ninhos dos pássaros, com a qualidade das ervas. Enfim, para mim, uma chachada. As leis, foram feitas para as pessoas, se por um lado e bem, devem ter um carácter dissuasor e correctivo, por outro e na minha modesta opinião bem mais importante, devem ter um carácter social, de humanidade, e permitir uma vida mais agradável para todos. Já agora deixo esta ideia: “Pai ou mãe não é quem cria ou gera, é quem ensina a viver, é quem, está presente quando é preciso, é quem acarinha e corrige, é quem dá os braços para abraçar e a cara para beijar. É quem nos levanta do chão quando caimos e nos beijam os joelhos quando nos ferimos.”. Meus amigos, vamos tendo um país despido da mais elementar humanidade, onde está a compreensão? O carinho? A responsabilização social, pelo meu concidadão que nada tem. Estamos a criar um futuro completamente desumanizado, de leis demasiadamente técnicas. Porque nos admiramos, que cada vez mais jovens se entreguem à droga e ás delinquências? Onde estavam os país, os formadores, quando eles precisaram? Porque se demitem os nossos dirigentes das suas responsabilidades sociais, ou não percebem que: Fechando Escolas, Hospitais, Creches, Lares, Centros Sociais, entre tantas outras coisas, estamos a tirar o colo, os braços e a face ás gerações vindouras. Há!, e nada de cruzes ou nomes de Santos nas escolas. Tudo funciona pelos valores económicos, menos hospitais, menos escolas, menos creches, mais tempo a trabalhar, menos pensões, menos reformas, mais aumentos, mais despedimentos. Tudo numa lógica economicista, como se nós, de uma moeda nos tratássemos e depois, uns nascem nas ambulancias, outros nas urgencias e outros infelizmente morrem. Mas não interessa nada. O que importa é que o estado está a poupar muito dinheiro. Muito obrigado, também tem muito menos e piores serviços. Mas sabem? Daqui a uns anos até podemos ter uma grande economia, não temos é a quem a aplicar, ou então, vão ver de nós. Ás ruas, ás cadeias, aos guetos, sim. Porque é aqui que iremos todos acabar concerteza. São mais Impostos, são mais juros, são preços mais altos. É sempre tudo mais, esquecemo-nos apenas que os que ficam menos, somos nós, estes, de carne e osso, qualquer dia muito mais osso do que carne. Eu, que me desculpem mas estou farto de impostos, juros, bolsas, inspecções e outras merdas mais. Lembram-se daquela expressão, do tempo do Salazar, pois cá para mim, agora, aplica-se que nem gingas. “Arre porra que é demais”.

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