“Adeus amigo Zé…”

Garanto-vos, que estava muito longe de pensar, que o meu texto de hoje fosse este. Começo pelo fim, recebi no dia 22.12.07, e, a resposta de uma outra mensagem que enviei, a desejar boas festas, esta mensagem: “Agradeço e retribuo, todos nós precisamos de muita sorte e saúde, tudo o resto virá por acréscimo. Deus há-de ajudar, abraços. Zé Marcos.”Perdi hoje mais um amigo, este de sempre, lembro-me dele desde pequeno, quer da adega do Pai, o amigo Isaías, quer agora mais recentemente das fadestices. Sempre bem disposto, sempre a sorrir, com aquela gargalhada tão característica, o Zé Marcos. Há um tempo atrás, não muito, o Zé adoeceu, os rins não trabalhavam bem e a hemodiálise impunha-se e o Zé, lá passou a ir para Évora ás segundas, quartas e sextas para os tratamentos, assim aconteceu, até hoje de manhã, como sempre lá ia o Zé para Évora, mas, a chuva e o mau tempo tramaram-no, tudo acabou numa volta, que esta volta do Zé não previa. Como sempre, lá estava eu a fazer o meu programa e ouvi o soar aflito das ambulâncias, até pensei ligar para os bombeiros, mas, como chovia bastante, pensei que seria alguma inundação ou coisa parecida, mas não, a inundação era de dor e a chuva, essa, instalou-se nos meus olhos. E é aqui, que pergunto: “ – De que vale tantas pressas, tantas preocupações, tantas brigas, tantas, tantas, tantas…, tantos disparates, afinal, num segundo, tudo se acaba e é assim que percebemos que não valemos nada, para o Zé Marcos tudo acabou e se ao menos nós colhêssemos o exemplo, amanhã, podemos ser nós e mais vale morrer em paz, do que com a consciência a matar-nos em vida lentamente. Porque os bons, esses partem cedo. Os outros, nós, pecadores,  ficamos cá. Ao menos que o façamos da melhor forma possível, bebendo o exemplo que os que partem nos deixaram”.Amigo Zé Marcos: “-  Sei que partiste a ouvir-me, porque sempre me disseste, que quando ias para Évora para os teus tratamentos, levavas a rádio ligada, porque te dava os fadinhos de que tanto gostavas, pena eu não saber o que te esperava, para te poder avisar. Adeus Zé até sempre e como dizia o nosso amigo Francisco Gonçalves quando o meu irmão morreu: “ – não devemos chorar porque acabou, mas devemos sorrir porque aconteceu”. Já agora Zé, como tenho a certeza que foste para o céu, vai ensaiando aí uns fadinhos com o meu irmão, que um dia quando aí chegar, se Deus assim quiser, quero-vos ouvir e tenho a certeza que estarás a cantar ainda melhor. Digo-te por fim amigo, que o meu Cristo, aquele da minha letra que tu tanto gostavas de cantar, hoje estava a chorar, e tenho a certeza que o fazia por ti….    

Volto à mensagem que o Zé me enviou no natal, “ – Sorte, não teve nenhuma e a saúde, a pouca que o Zé já tinha foi-se assim, tão de repente. Não sei , se era esta a ajuda que o Zé esperava de Deus, mas Deus lá saberá de que ajuda precisará  do Zé…

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