“O canto da terra…”

Quem me dera ser terra. Sim terra, essa mesma, umas vezes farta d` água, outras farta de secas e sol escaldante, ora viçosa ora agreste. Essa que não reclama os temporais, os ventos, as mais violentas temperaturas, umas vezes trazidas dos céus, outras, o sumo da sua própria fertilidade, tombada pela violência  das labaredas. Essa, que grita e geme quando tolhida pela força de um arado, ou pelos golpes dilacerantes de uma enxada. Essa, amassada pelos caminhos. Essa que nos sente no calcorrear dos dias. Terra, umas vezes dura, outras em lamacentas vestes, a afogar em excessos, a gritar em agonias d`água. Quem me dera ser terra, furada, castigada na procura d`água, dura, revoltada, como pedra peneirada, batida, incendiada. Terra inóspita ou mãe de humanidades. Terra, que recebe no seu ventre, cada esperança desejada, que aceita e alimenta cada guerra inventada. Que bebe sem vontade, sem descansos, pisada, humilhada, esventrada, roubada, abandonada. Quem me dera ser terra, dessa, que aceita cada golpe inusitado, geradora de vida. Dessa, que absorve toda a podridão da morte, que cria e recria, que faz da morte vida, que transforma, que abraça, embala e guarda a solidão da despedida. Que bebe o veneno, em goles de prazer fertilizados. Quem me dera ser terra, dessa de coragem que responde a todos os castigos, injustiças, tormentos e dores, com Ervas, Arvores e Flores.

Anúncios

Deixe um comentário

Ainda sem comentários.

Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s