“A grandeza das coisas pequenas…”

O natal passou há pouco tempo, mas, na nossa memória, ecoam ainda os gritos, a alegria, o brilho no olhar, principalmente dos mais novos, pelas prendas recebidas. Li há dias um artigo, que chamava a atenção para os valores gastos pelos portugueses no natal de 2007, uns largos milhões e depois, agregada à noticia, uma outra a referir, que apesar dos valores astronómicos gastos, muitas crianças se sentiam insatisfeitas, ou porque as prendas não eram as desejadas, ou porque o primo, o vizinho tinham tido prendas melhores. Dava conta a mesma noticia, de que havia uma série de pais,  igualmente descontentes, tudo, porque com os problemas da economia portuguesa, não tinha sido possível comprar melhores prendas para dar aos filhos, família e amigos. Devo confessar que também estou descontente, muito descontente, revoltado mesmo. Acompanhem-me até 1979, tinha eu os meus 10 anos e não mais vou esquecer esse natal, talvez tenha sido o ano em que recebi a melhor prenda da minha vida, nós, em casa, éramos muitos, seis e no Natal os meus pais davam o que podiam, nunca era muito, lembro os chocolates, as meias e, uma vez , uma caneca, mas a melhor, mesmo a melhor, foi aquele cubo mágico, recordo como eu e o meu irmão Paulo ficamos contentes, foi uma loucura, passámos a noite ás voltas e os dias que se seguiram, continuaram ás voltas nas voltas da alegria que nós dávamos naquele cubo. Ainda o tenho, está velhote é certo, cheio de folgas e já lhe faltam umas cores, mas nunca mais o perdi. Não estou a recordar estes momentos, para me fazer coitadinho e para que tenham pena de mim, não. Estou a fazê-lo, porque a felicidade não tem preço e está tão longe de se encontrar nas coisas caras. Ensinou-me a vida, que há muito mais prazer nas coisas pequeninas, naquelas que parecem não ter importância nenhuma e tenho a certeza que fui muito mais feliz nesse ano, do que agora muitos meninos que receberam grandes prendas. Sabem, nesse ano, não foi o facto de receber o tão desejado cubo mágico, mas o  ter a certeza que os meus pais o deram com todo o amor que tinham, sabendo que não tinham hipóteses de nos dar mais nada e o sacrifício que fizeram concerteza para no-lo dar. Por fim, digo que não há prenda maior do que o amor verdadeiro entre as pessoas. A minha melhor prenda em 2007? Foi um amigo, com quem estava zangado há uns tempos e depois de eu lhe ter mandado uma mensagem a desejar as boas festas, me ter ligado, no ultimo dia do ano, a desejar, Boas Festas. As grandes prendas, não custam nada, nós é que não temos coragem para as oferecer…

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