“Em bicos de pés…”

Já alguma vez se sentiram como Poncio Pilatos? Eu já, ou seja, a lavar as mãos daquelas coisas que só nós  poderíamos resolver. Mas a vida é mesmo assim, uns refugiam-se na fé, outros na falta dela. Todos somos assim, cheios de defeitos e virtudes e se há vezes em que de facto estamos limitados nas nossas acções, outras há, em que é apenas a maldade, a inveja, e o desejo de que os outros não estejam melhores que nós, que nos faz não ser justos. Quero partilhar convosco esta história: “Ontem de manha, logo cedo, apareceu em minha casa um antigo amigo, daqueles há quem não falava há mais de vinte anos, tinhamos brigado e nunca mais nos falámos. perguntei-lhe porque vinha e porque se tinha levantado tão cedo, ao que me respondeu: “- Não sei, esta foi uma noite difícil, muito difícil, pouco dormi e nos breves momentos de sono e sonho, só me vinha à imagem que tu estavas muito mal, a vida não te corria nada bem e que tinhas decidido pôr termo à vida dando um tiro na cabeça.  Era uma imagem constante e tão verdadeira que temi que fosse verdade e por isso mal achei que já estarias acordado, corri para aqui para de facto constatar que tudo não passava de um mau sonho e que tu felizmente estavas bem, de boa saúde. Ainda gostava de te dizer mais uma coisa, é que eu queria que tu me perdoasses por tudo o que possas julgar que te fiz de mal, sabes, este sonho trouxe-me á ideia de que de facto, tudo isto poderia ser verdade, e jamais queria que morresses e muito menos que isso acontecesse estando tu zangado comigo. Bom, agora que já vi que estás bem e que aceitaste de novo a minha amizade, vou-me embora. Desejo-te um resto de bom dia e obrigado por me teres perdoado.” Abalou este meu amigo, sei que depois de ter estado comigo, se dirigiu a várias casas de outros amigos, com quem também estava zangado e fez a mesma coisa, contou a mesma historia dos sonhos e pediu perdão. Sei agora aqui, que todos tal como eu estranharam, mas aceitaram a historia e concederam o perdão. A verdade é que nenhum de nós conseguiu prever e perceber a verdadeira história, é que este amigo, depois de pedir perdão ao ultimo amigo com que estava zangado, foi para casa e matou-se, exactamente com um tiro na cabeça. Agora estamos aqui todos no funeral, por uma lado de consciência tranquila e por outro com a raiva e a revolta de nenhum de nós ter desconfiado ou percebido que este amigo, se estava apenas a despedir de nós, de todos aqueles com que estava zangado. Quis partir em Paz e de consciência tranquila. Pena que muitas vezes nós façamos exactamente a a mesma coisa, só perdoamos ou pedimos desculpa quando já não há remédio. Acho, que apenas não vos contei o que ele nos disse a todos no momento da despedida: “ – Que bom, que bom que tenhamos feito as pazes, é que neste meu sonho também me aparecia uma imagem de Deus a criar os homens e por várias vezes o ouvi dizer a todos os que ia criando, olha que os calcanhares é que são para andar a suportar o corpo e não a ponta dos dedos, é que os calcanhares são largos, fortes, robustos e dão-te uma boa base de sustentação. Não te esqueças, por muito bem e alto que te aches em pontas dos dedos, ao primeiro encontrão, estarás no chão, ao contrário, nos calcanhares, podes sentir-te mais baixo, menos importante, mas, tenho a certeza que assim depois de todos os temporais ainda estarás de pé…

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