“A mascara do mito…”

Hoje parti à minha procura. Foram anos e anos de intensa vida, de vitórias e derrotas, de encontros e desencontros. Cá fui fazendo os meus dias, sempre cheios, quantas vezes de nada, ou de uma importância inventada. Tive dias cheios de risos, de imensas gargalhadas, tudo quando deixei de saber sorrir e como me encontro nas palavras de Álvaro Duarte Simões: “ – O riso é sempre o começo, do sorriso que findou”. Sabem? Cheguei a ser pescador, preparei canas, fios, anzóis e iscos, as melhores amostras e os melhores locais para pescar. Fiz grandes lançamentos. Sabem o que pesquei? Efémeros momentos de verdadeira felicidade e alegria, mas, em contra partida, grandes períodos de verdadeira angustia. Raramente lancei fios no lago correcto, ou por que não os conhecia, ou porque não me interessava. Os meu lançamentos, foram sempre em lagos muito concorridos, cheios de pescadores e pouco peixe, mas parecia bem aparecer por lá, mostrar a minha cana e como quem não quer a coisa, lançar o isco em bom anzol, confesso que caíram alguns peixes, alguns bem grandes, daqueles que se julgavam muito espertos e que nenhum anzol lhes servia. Tenho uma vez mais que confessar, que também eu caí, também fui pescado, hó! se fui. Ás vezes sem querer, outras porque também me iludi, na cana, no isco e no anzol. Vezes ouve em que esperneie bastante, sacudi bastante água, mas, no fim, acabei sempre apanhado. Umas, com a plena consciência que nada podia fazer, apesar de perceber que aquele não era o anzol correcto para morder, mas, o dono da cana e os outros pescadores, não esperavam outra coisa de mim, se não o entrar no engancho e alguns dos que conhecei, tinham cada camaroeiro. Tenho que dizer que, também, muitas vezes me deixei pescar, tinha que ser, procurei anzóis, tive que morder iscos. Tantas vezes com dores tão profundas, daquelas, que tinha a certeza que iria ter, mas, preparava logo o antídoto, para o veneno que sabia ir encontrar. Resultado? Fui perdendo escamas e vontade de nadar, mudei de cor, de aspecto, de tamanho, deixei de respirar para viver, passei a viver para respirar. Hoje, depois te tantas pescarias, acabei aqui, neste aquário, onde nada é natural, as pedras são de plástico, as ervas e flores de silicone, a água e o ar, cheios de filtros e fertilizantes, as paredes de vidro, para que vejam bem o meu aspecto e os meus risos, por fim a comida, que deixei de procurar, porque, apenas posso comer a que me quiserem dar. Já pensei, um dia fujo do aquário, vou ver de mim, ao primeiro lago onde minha mão me deixou, vou ver daquelas gargalhadas que tanto gostava de dar. Deito fora as canas, fios e anzóis, que no meu isco já nem pega. Hoje, tal como o escritor João Dias, apetece-me dizer: “- Qualquer dia dou um grito, tiro a máscara do mito e regresso a mim de novo…” 

       

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