“Ai, Solidão…”

Um dia, perguntei a um  amigo que não via há muito, como estava e como lhe corria a vida. Respondeu-me: “ – Cá vamos andando, umas vezes melhor, outras pior. Tenho umas dores que não me largam, mas desde a morte da minha mulher quem mais não me largou foi a solidão e essa sim, é a pior das minhas dores”. Mas tu não foste morar para Lisboa? Então lá há tanta gente? E tu queixas-te de solidão? Encheu os olhos de lágrimas, mandou-me sentar e disse-me: “ – A vida é uma ilusão. Iludimo-nos nas riquezas e nas importâncias, iludimo-nos na ignorância e acreditamos ser muito sábios. Fechamos dia após dia, portas, julgando não mais necessitar de passar por ali. Julgamo-nos conhecedores e muito sabedores das coisas da vida e jamais acreditamos que o mal dos outros e as desventuras, um dia nos possam vir bater à porta. Passamos a vida a anunciar humildade e depois, olhamos por sistema, os nossos irmãos sempre como se fossemos superiores, quando: “Apenas temos o direito, de olhar alguém de cima, quando lhe estivermos a dar a mão, para o ajudar a levantar”. Comportamo-nos como se a esperteza e o saber fossem propriedade nossa. Levamos uma vida mascarados e vivemos de mascaradas verdades.  Fazemos sempre dos nossos interesses, a coisa mais importante e olhamos para aqueles a quem a vida ainda deu menos que nós, com um olhar de compaixão, anunciando ao resto do mundo a pobreza e enchemos a boca de coitadinhos, fingindo grades mágoas. Somos soberbamente errados. Quase tudo fazemos, para sermos os melhor e ter mais que os outros. Mas, a insofismável verdade, é que, tudo do que te falei, é sempre material. Um dia, no fim da vida, quando o material deixar de ter interesse, vês-te assim como eu, só. Completamente só. Porque fechaste portas quando as devias ter aberto, porque sempre te preocupaste mais em colher, do que em semear, porque quiseste a melhor casa, mas nunca a encheste de amor. Eu estou aqui, hoje, a dizer isto tudo e sabes porquê? Porque há mais de dois anos que não converso com ninguém. Hoje, todos me  fazem o que eu fiz, fecham portas. Na cidade grande como dizes, há tanta gente, que , tal como Eu, vai vivendo cheia de nada. As pessoas, enchem os dias de pressas e grandes aspirações materiais. Mas, como Eu, um dia quando chegarem à recta do final, a grande maioria, vai estar assim, como Eu, só. Completamente só. Tudo, porque fui demasiadamente egoísta, para acreditar que algum dia acabaria assim e a verdade é que aqui estou, completamente só. Porque apenas vivi ou me importei comigo, sempre dando mais importância ao material, desumanizei a minha vida e não posso esperar que a vida me dê hoje, o que lhe fui tirando no egoísmo dos dias. Por isso mesmo, hoje, estou tão só, porque: “ Os egoísta, morrem sozinhos…”  

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