“Há lá coisa melhor…”

Costumo dizer que: “ – O Amor e o ódio, vivem muito próximos, que existe uma fronteira muito ténue entre um estado de amor platónico e o estado de ódio, que, surge necessariamente quando as coisas não correm como o sonhado”. Não há meio termo para esta condição: ” Só odiamos alguém, que um dia tenhamos amado verdadeiramente”. Ou então, fingimos bem e, levamos uma vida num secreto amor. Muitas vezes andamos na vida, á procura de gente para amar e que nos ame. De uns fazemo-nos amigos, de outros, não nos aproximamos, nem deixamos aproximar. Há também os que nos fascinam,  pelo aspecto físico, pelas palavras, ou muitas vezes por coisa nenhuma, há um clik. Gostamos e pronto. Isto leva, a que sem perceber bem porquê, ás vezes nos prendamos ás pessoas erradas. Esta atitude, impulsiva e emotiva, fecha-nos muitas vezes os olhos, e passamos a olhar sem lucidez, deixamos de ver os ramos e as folhas, para nos prendermos nas flores e nos frutos e o pior, é que muitas vezes nem nos apercebemos que, aquelas raízes, não estão na nossa terra, a água que consomem não cai do nosso céu e os raios de sol, são reflexos e não os que enviamos, directamente do nosso coração. Quando amamos verdadeiramente alguém, perdemos muitas vezes o bom senso e a coerência, não que isto tenha mal, ou vos queira dizer que não concordo ou não aceito, não. Quero apenas dizer que, não conseguimos agir ou reagir da forma que seria mais adequada, mas, o coração, os calores e os suores, são claramente mais fortes do que o que a cabeça nos sugere. E por mais que critiquemos o vizinho do lado, a verdade é que nós acabamos por fazer exactamente a mesma coisa. Quando estamos apaixonados, até o mais cinzento dos dias é de um azul turquesa, qualquer chilrear dos pardais, nos soa ao mais belo rouxinol, qualquer tempestade ou frio, nos lembra a candura da neve e o mais terno urso polar em cambalhotas de alegria. Somos todos assim, uns alegres “Patetas”. Mas, quem é que não prefere passar por “Pateta”, tonto enamorado e experimentar todas estas sensações? Quantas vezes só nós é que não percebemos as figuras que fazemos; são olhares, são bilhetinhos, são carinhos, são festinhas e depois vêm os beijinhos e o resto… pronto. Se calhar é nossa condição, sermos estes bacocos por amor. Mas, porque infelizmente, há sempre um mas, um dia, as coisas não correm bem e lá desmorona todo aquele Mundo que existia aos nossos olhos e no nosso coração e depois? E depois o Urso polar, só já nos lembra o frio e o gelo, o melhor cantar de um rouxinol, não nos soa senão ao mais desafinado dos pardais e o mais bonito dia de sol, apenas nos lembra a necessidade de encontrar uma sombra, p`ra nos refugiarmos de tanta luz. É assim, pois é, claro que esta não é um certeza absoluta e que felizmente muitos há, para quem os ursos, são sempre ursos, os rouxinóis, rouxinóis e a luz o sol a melhor fonte de vida. O problema, é que temos tendência a exagerar, pronto, ou eu tenho e não sei amar à condição. Amamos porque está na nossa natureza amar e, se gostarmos muito de alguém, enquanto as coisas correrem bem, gostamos muito, quando correrem mal, porque gostámos muito, passamos a odiar e a achar impossível que tenhamos amado e nos tenhamos entregue daquela forma. Ás vezes dizemos mesmo: “ – Onde é que eu tinha a cabeça!”. Eu respondo, ali mesmo, no amor verdadeiro.  Que apesar de Pateta, é a melhor coisa do mundo e se um dia odiarmos alguém, é porque um dia, também a amamos verdadeiramente e, é bem mais grave ter passado por cá, sem ter vivido essa experiencia. É que apesar de tudo:” – Há lá coisa melhor, do que amar verdadeiramente alguém…?

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1 Comentário

  1. Sou um ouvinte assíduo do seu programa da manhã, e venho por este meio felicitá-lo e ao mesmo tempo agradecer-lhe a forma como o Senhor divulga a Música Portuguesa, e em particular o nosso Fado.

    É com grande prazer que todos os dias de manhã quando me desloco para o meu trabalho, delicio-me com a nossa música. Já que as grandes estações de rádio nacionais, pouco ou nada de Música Portuguesa passam.

    Quero ainda felicitá-lo pela forma como aborda os mais variados temas do nosso dia a dia, na rubrica “Voz Alta”.

    Por tudo isto lhe peço, continue. Porque do outro lado do microfone, estará sempre alguém que o está a ouvir com o sentimento de que num mundo cada vez mais cruel ainda existe alguém que nos faz sentir vontade de viver.

    OBRIGADO.

    Norberto Gomes Franco

    Monte da Pedra – Crato


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