“Bem me quer, Mal me quer…”

“Até ao fim da vida, não irei mais portar-me mal. Talvez tenha sido a mais arrojada decisão que tomei, ainda mais, sabendo eu que, isso não é possível, mas também pensei que valeria a pena tentar. Se colocamos a nós próprios, ou deveríamos colocar, metas, objectivos, caminhos e tantas coisas mais, para podermos realizar os nossos sonhos, para podermos ser aquilo que sempre sonhamos, para termos tudo o que sempre pretendemos ter, então, não será igualmente licito, que, possamos lançar a nós mesmos um desafio desta natureza?. E afinal, é tão simples, não serão precisos grandes investimentos, é só isto. Não mais me portarei mal e pronto. Quero sair para a rua e dar cumprimentos, beijos, sorrisos, palavras aos que não tem com quem conversar e estes, garanto, são muitos e estão muitas vezes bem mais próximos do que aquilo que pensamos. Quero ir ao jardim, quero conseguir entender o que muda, desde aquele tempo dos baloiços, até ao tempo da solidão, do banco à sombra das árvores. Quero perceber, porque aquele menino dos baloiços que salta e pula e arranca as pétalas das flores, se torna mais tarde naquele velhinho, que acaricia, protege e bebe todo o perfume daquela mesma flor. Quero tudo, sem nada querer, apenas me quero tornar, bom. Como é possível, que, algo tão simples, seja tão difícil de alcançar. Então não é tão fácil, não falar dos outros, a não ser que seja para dizer bem. Então não é possível, deixar de olhar para o mundo, com aquela cegueira de quem tudo quer, sem me preocupar, como o conseguir. A verdade, é que já passaram tantos anos, desde que tomei a tal decisão, ser apenas bom, e o que constato hoje? É que não consegui, fui lá agora só bom, portei-me sempre da mesma forma. Uns dias esforcei-me mais, outros esforcei-me menos. Houve dias, em lá me lembrei da decisão, também o que é que importava. Nunca tinha dito a ninguém e se não cumprisse a promessa, não cumpria. Houve igualmente dias de enorme angustia, de revolta completa. Há Zé, então, bolas, uma coisa que é tão fácil, ser bom e tu, nada. Cometes hoje, os mesmos erros que cometeste sempre. Afinal o que mudaste? Que bem fizeste? Nada, não foi?.  Aqui estou Eu, no jardim, no tal banco do jardim, estou farto de ralhar com os gaiatos, aqueles ali dos baloiços, só o que fazem é mal, aí andam a estragar as flores e eu aqui estou, a proteger estes Malmequeres. À bocadinho, fui arrancar dois malmequeres, e de pétala em pétala, fui perguntando: “- Portei-me, bem, Portei-me mal?, Curioso, os malmequeres, acabaram assim como eu, carequinhas. Mas o pior é que sem duvida, são muito mais as pétalas do portei-me mal, do que as do portei-me bem. Que triste constatação, esta, a do resumo da minha vida. O mais difícil, não foi o desafio que lancei a mim mesmo. O mais difícil foi o nunca entender, porque é que, sempre que tentei ir pelo bem, o Mundo também não me ajudou. Recordo as palavras que um homem uma vez me disse: “ – Para ser Mau, não é preciso nada, está tudo em nós. Para ser bom, é preciso tudo. Além de ti, tens que mudar os outros e muitos, não estão dispostos a tal mudança…”

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