“O vento que sopra pelas flores…”

“O vento que sopra pelas flores”. Esta expressão, não é minha, faz parte de uma história tibetana. Um dia, apliquei-a nuns versos que fiz para o meu irmão, quando foi internado pela ultima vez, antes de falecer. Tudo isto, porque também ele tinha cancro e claro, também eu, acreditava que “O Vento que sopra pelas flores”, o pudesse curar. Não como na história do homem do Tibete, ou que o meu irmão, precisasse de encher o seu corpo de perfume e de amor, para vencer o cancro. Não, porque isso, ele sempre teve. Mas sim, por acreditar que, “O vento que sopra pelas flores” é um vento rico em vida. Para além do perfume, transporta igualmente as sementes da vida e, eram essas sementes, que sempre esperei, que pudessem encontrasse nele, terra fértil, para a germinação. Aos versos, que fiz para o meu irmão, coloquei o titulo, “Na curva do caminho”, é verdade, foi ali, bem na curva do caminho, que foi apanhado, numa curva, que só agora começava a sua fase ascendente. Talvez, tivesse sido melhor, que este encontro se tivesse dado, no meio da casa. Numa casa cheia de janelas, abertas, por onde o vento pudesse passar e permitir que ele, conseguisse absorver tanto pólen, que não houvesse, linfoma que resistisse.  E nós, por onde andamos? Será que temos as nossas janelas viradas para os jardins, será que temos aos nossos parapeitos, canteiros de perfumadas flores. Será que temos essa coragem de, absorver “O vento que sopra pelas flores”, ou, apenas deixamos entrar e absorvemos o vento da estrumeira dos dias e fechamos janelas, não deixando sequer que, o ar das nossas casas, possa pedir boleia ao vento e nos revele em toda a nossa podridão. O vento, sopra indiscriminadamente, molda-se aos obstáculos, rouba odores, e entrega-se por onde passa, assim, sem dissimulações ou disfarces. Nós, bem tentamos, muitas vezes, usamos perfumes para tudo. Para a casa, para o corpo, para a vida. Mas, mais tarde ou mais cedo, o perfume desaparece e o vento, lá está na mesma, feito a denunciar-nos outra vez, sem apelo nem agravo. Também muitas vezes, somos nós que alimentamos o vento, com o veneno das nossas palavras, dizemos-lhe para não dizer quem tal perfume lhe deu. Apenas que vá e, faça o seu  trabalho, mas, ás vezes, esse vento encontra paredes intransponíveis, volta para trás, o mau cheiro, aí, torna-se insuportável, nauseabundo e mesmo que nos rodeie, fingimos não ser nosso. Que bom seria, que todos tivéssemos a coragem de construir um jardim e todos os dias, ao anoitecer, quando o sol viesse beijar a terra, nos colocássemos contra o vento a absorver todo aquele perfume e talvez, quem sabe, a pouco e pouco esse vento nos fosse limpando, dia após dia, até que de nós emanasse, apenas o perfume, “Do vento que sopra pelas flores…”

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1 Comentário

  1. Muito interessante… vejo esse vento como o Deus que está dentro de nós pronto para ser germinado… entretanto, poucos são aqueles que acolhem tais sementes, permitindo-se florir! Fique com Deus e felicidade!


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