“No canto da igreja…”

“ – Não sou grande apreciador da maioria dos programas da televisão em Portugal. Não me levem a mal mas, não consigo entender como a troco de, “Audiências”, se use e abuse das pessoas e quando mais desgraçadas, melhor, quanto mais chorarem, melhor, quanto mais revelarem da sua miserável vida, tanto melhor. De preferência com, violência. É muito bom, haver um marido que engana e bate na mulher, mãe, de preferência que o faça à frente dos filhos. É bom, mesmo muito bom que a casa esteja em péssimas condições, com buracos no tecto, para se poderem colocar uns baldes no meio da casa para filmar. Se houver então ratos, isso é que tem valor. Mas ainda assim a cena pode ser mais perfeita: Uma casa, nas condições atrás referidas e, na cama a avó ou o avô, que há muito não se levanta e que ninguém pode tratar. Para fechar este maravilhoso quadro, muitas vezes, até dos deficientes, há que tirar dividendos. Boa, boa é a família que para além de todas as dificuldades, ainda tem alguém com alguma deficiência, de preferência, que seja criança. Talvez esta seja uma forma brutal de pôr as coisas, mas, lamento, não deixa de ser verdade. Esta triste, Lusitana condição, daria seguramente, um quadro, que nem Malhoa retrataria melhor. Fome, desgraça, tristeza e mais umas quantas amarguras. Dão-se prémios de heróis, a alguns “apresentadores”, alguns deles excelentes em teatro, cheios de sorrisos de plástico, que caem, assim que as luzes e as câmaras se apagam. Muitos e porque quem os vê se ilude, nessa santidade televisiva, quando de facto, convidados para apoiar, em locais onde não haverá câmaras, nem luzes, nem repórteres, nem revistas, sabem como respondem?: “ -Falem com o meu agente”, ou então: “ – Nesse dia é de todo impossível, já tinha um compromisso” e ás vezes, bem mais grave: “ – Sim estou disponível, mas, têm que arranjar aí 500€ para despesas de deslocação”. Ainda assim, quero-vos dizer, que há de facto alguns muito bons. A minha revolta, não é de hoje, garanto-vos que tem muitos anos. Acho absolutamente inaceitável, que se usem as pessoas, apenas porque estas, vivem vidas perfeitamente miseráveis e naturalmente sujeitam-se a tudo. Não há maior vergonha do que, a troco de grandes audiências, se destruir o mais elementar dos direitos, o da dignidade. Colocar num ecrã, gente triste e desgraçadamente magoados, a chorar e quanto mais melhor. É absolutamente vergonhoso. Não. Não sou contra as campanhas de solidariedade, de forma nenhuma, sou é completamente contra que se use e abuse da desgraça dos outros para se tornarem beneméritos e vistam capas de santos. Ainda por cima, porque eles concretamente, nada dão, são meros intermediários. Se queriam ajudar, então, apresentem os problemas, façam campanhas sem mostrar as pessoas e quando lhes forem dar, o que os outros derem, não levem câmaras nem repórteres atrás. Uso para fechar, uma passagem bíblica, naturalmente fazendo uso, do sentido figurado, que a ela está subjacente. assim, apenas digo: ” – Ser bom e solidário não é acender luzes e ligar sirenes. Quando deres alguma coisa a alguém, apaga a luz, fá-lo ás escuras e vê se não há vento. Tal como Deus nos disse: ” – Quando quiseres falar comigo, não vás para o meio da praça, vai para o canto da igreja. É aí que me irás encontrar…”

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