“Por entre velas…”

“É meia-noite, espero por um dos meus maiores amigos, ligou-me hoje a pedir para conversarmos. Está a chegar.” ” – Então, pareceste-me tão desesperado hoje à tarde, o que se passa? “ – Não sei, só sei que a minha vida está um caos, não existe mais, que trevas, perdi as forças, não existe caminho, por onde possa ir.”“ – Deixa-me desafiar-te, para uma viagem, durante trinta dias, pelas trevas onde dizes viver. Acredita em mim, nem precisas de abrir os olhos, confia. Dá-me a mão, vamos pôr uma venda nos teus olhos. Onde quiseres, poremos uma pequena vela. Não tenhas medo de pôr velas, põe quantas quiseres. Comprei uma caixa bem grande, tem centenas. Vamos?, “ – Vamos”. “ – Bom, meu caro amigo, já se passaram os trinta dias. Vamos tirar a venda e olhar para trás”. “ – Mas que caminho maravilhoso e quanta luz!”, “ – Vês, este caminho, foi todo feito por ti, pelos trilhos que decidiste. Subimos, descemos, andamos de noite, de dia. Tudo feito sobre a tua orientação. Diz-me, ainda pensas que não consegues? Ainda julgas não ser capaz de sair das trevas e caminhar? “ – Talvez, tudo o que fiz foi por ires comigo”, “ – Enganaste, deixei-te naquela primeira curva, quanto te pus o saco das velas às costas e te disse para, a partir dali, não mais falares comigo. Para acenderes tu as velas e as colocares no chão. Desde esse momento, que não estou contigo. Tudo o que fizeste, fizeste-lo sozinho, apenas porque acreditaste que eu estava ali, ao pé de ti, mas não, acompanhei-te à distancia, vi que tropeçaste algumas vezes. Vi que caíste, tropeçaste e bateste com a cabeça outras vezes. Sempre te levantaste e continuaste, porque tínhamos combinado, fazer a viagem em silencio, sem palavras. Ainda te recordas onde puseste as velas? “ – Sim perfeitamente, em todos os lugares, onde me foi difícil passar, onde tropecei, onde caí, onde bati com a cabeça”. “ – Ainda bem que sabes, sabes o que te tem faltado na vida? Confiança, vai. Segue o teu caminho. Como sinalizaste os locais de maior dificuldade, é só seguires as luzes que acendeste. Nada te pode impedir de seguir rumo à felicidade, adquiriste confiança e conhecimento. Agora, só te falta viver as coisas boas, desvia-te dos locais das velas e estarás no caminho certo. Não de encontro às velas, elas estão lá, para te mostrar que por ali o caminho não é bom, estão iluminados os pontos de dificuldade, agora é só colocares uma passadeira, por entre as luzes, com confiança caminha, se voltares a encontrar alguma dificuldade, volta a colocar uma vela. Quando chegares ao fim da vida, acabarás por ver que grande caminho fizeste e, mesmo que as velas se tenham apagado, a passadeira, já mais se destruirá e o teu caminho, estará feito, verás que outros fizeram o mesmo, alguns cruzar-se-ão com o teu, uns estarão por cima, outros por baixo. Mas poderás sempre dizer, que aquele, foi o teu caminho e não deve haver maior desventura do que chegar ao fim da vida, sem caminho, ou, viver, utilizando o caminho dos outros…”

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