“Viver não custa…”

“A vida não custa, custa é saber viver…” “ Este é um provérbio tantas vezes ouvido. Eu não sei se tenho vivido ou sabido viver. Se calhar, até nem tenho sabido. Hoje estou assim, para este lado. Talvez nostálgico, talvez saudosista ou, talvez só Eu, mesmo Eu. Sem capas ou subterfúgios. Quero-vos dizer abertamente, que nunca me senti feliz. Claro que como todos já tive momentos de grande felicidade, mas que isso seja uma realidade, presente na minha vida. Não. Também não vos quero surpreender, ou fazer-me desgraçadinho, que vos possa dizer também, que se há coisa que me desagrada, é aqueles que se fazem de coitadinhos e passam a vida a usar as pessoas, utilizando a sua suposta má vida, reflectida em tristeza. Não, o que quero dizer é honesto, aqui para o papel, quero, deixar que não sou propriamente um poço de virtudes. Tenho algumas qualidades, naturalmente, mas, estou tão longe da vida que desejei. Sabem? Adorava ser um grande cantor, de fado, claro. Adorava poder pôr em prática uma série de ideias que sempre me encherem os sonhos. Mas, tenho estado tão longe de o conseguir. Não quero ser falso, portanto não irei dizer que, não há coisas que me não me tenham corrido bem. Claro que há e, algumas delas tem-me dado grande felicidade, mas, sou muito emotivo, amo as coisa com uma intensidade, que ás vezes nem eu entendo. Tenho o coração muito perto da boca, sou muito piegas e não suporto ver ou fazer sofrer. Acreditem, desta vez estou a falar a sério. Sei que muitas vezes posso aparentar, muitas coisas, mas garanto-vos, muito poucas estarão perto do que sou e penso na realidade. Sabem, tenho sido acusado de muita coisa, algumas, profundamente injustas. São o preço da minha exposição e forma de estar, dizem alguns. É certo, assim será algumas vezes, mas quero-vos hoje aqui garantir, olhos nos olhos, de que na maioria da vezes, me sinto tão triste com os rótulos que me põem. Mas a vida é isto e, quando fiz a tal opção de não ser cinzento, sabia que me iria sujeitar a estas coisas, é sempre assim. Há quem, por motivos que muitas vezes só os próprios conhecem, se apresse a destruir-nos, têm-me sido apresentadas facturas, caras, algumas muito caras mesmo. Sabem? Assim de forma sucinta: Nasci em Estremoz, uma cidade pequena no Alentejo. Aqui cresci, desde pequenino que, tive dois amores, o hóquei, herança do meu Pai, que faleceu quando eu tinha doze anos e o Fado. Herança da minha mãe, que cantava muito bem e ainda cá está, felizmente. Ao longo dos anos, cá fui desenvolvendo a minha actividade nestas duas áreas. Aos quinze anos comecei a fazer rádio, que se acabou por tornar na minha profissão. Já lá vão mais de vinte anos e ainda cá estou. Por culpa da minha paixão pelo desporto, passei por outros clubes que não só o Estremoz, Évora e Marinha Grande. Fui igualmente presidente do Clube da minha terra, não posso dizer que as coisas tenham corrido muito mal ou muito bem, sei que me fartei de lutar e trabalhar, acabei por pagar uma factura demasiado alta, pela avaliação que fiz de alguma situações, mas uma vez mais…é a vida, não é? No fado, tenho feito algum caminho, já gravei uma série de discos, tenho igualmente escrito para alguns amigos, uma descoberta que fiz, nesta fase mais recente da minha vida. Enfim, volto à expressão inicial, lamento desapontar, mas acho mesmo que custa viver e muito, ou pelo menos a mim tem custado. Tenho que vos confidenciar, que embora esteja nas áreas que mais me fascinam, até agora, nunca fui verdadeiramente feliz. Não sou de facto daqueles com muitos amigos, não passo, ao contrario do que pensem a vida em festas. Não tenho de forma alguma a vida que sempre desejei ter. Mas não pensem que já desisti. Não, sabem também tenho algumas qualidades e não desisto ás primeiras. Acreditem e tem sido nos momentos mais difíceis, que tenho percebido, do que nós, humanos somos capazes. Não sei o que vou ser, não sei o que me reserva Deus para amanhã. Mas garanto-vos, que para já não penso em desistir. Nem que seja no ultimo dia da minha vida. Mas quero pelo menos, nem que seja só por um dia, acreditar que valeu a pena. Sabem? Tenho sonhado muito com a felicidade, talvez até já tenha sido um bocadinho feliz, em pequenino, ás vezes lembro-me desses tempos e, se calhar, aì, até soube viver, porque nessa altura, tinha tudo, tudo do que precisamos para ser felizes. Os meus Pais, os meus irmãos e todos os sonhos, afinal, é preciso tão pouco para se ser feliz. Hoje percebo, que quando nascemos temos a felicidade completa, nós é que no tal processo de saber viver, nos iludimos. Saber viver, afinal não custa. O que custa mesmo é viver, porque para se viver, basta existir. Para se saber viver, basta fingir…”

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1 Comentário

  1. É com grande prazer que notifico algo tão idêntico pela simples semelhança, e com grande tristeza pelo facto de ser real.

    “Mas a vida é isto e, quando fiz a tal opção de não ser cinzento, sabia que me iria sujeitar a estas coisas, é sempre assim.”

    Extremamente interessante. Por vezes até pode não ser uma opção feita directamente, mas inconscientemente. E só mais tarde é que (uma pessoa) se apercebe da verdade.

    “Tenho sonhado muito com a felicidade, talvez até já tenha sido um bocadinho feliz, em pequenino, ás vezes lembro-me desses tempos e, se calhar, aì, até soube viver, porque nessa altura, tinha tudo, tudo do que precisamos para ser felizes. ”

    É verdade, a ingenuidade facilita a felicidade. Quando crescemos e nos apercebemos que existe um mundo lá fora, torna-se difícil uma pessoa sentir-se concretizada.

    Com a experiência aprendi que a força de vontade deve ser aquilo que nos trará a verdadeira felicidade, pois sabes que exerceste esforço, e foi graças a esse próprio esforço que te concretizaste, é preciso é estabelecer metas a alcançar, e quando olhar para trás, apercebes que fizeste vários acontecimentos e tornar-te feliz, porém, a felicidade acabará se desistires de traçar metas.

    Pensa nisso.

    Deve ter sido o único comentário que fiz num blog ( que encontrei por puro acaso). Sei que já foi escrito à bastante tempo, mas ainda assim, gostava de ouvir uma resposta por parte do autor.


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