“Os três meninos da beira da estrada..”

 “ – Porque o egoísmo nos cega e cega os outros. Nunca deixem de acreditar. Nunca deixem que vos pisem. Nunca julguem que o fim é a única solução. Não há maior martírio do que uma vida sem fé e esperança. Não quero que se fechem, numa crença, não quero que julguem que, a religião A, B ou C, é a melhor. Não quero que a voracidade dos dias, vos retire capacidade de análise e acção. Não quero acreditar que, alguém acredite que a terra está parada e somos nós que nos movemos, por isso, alguns encontram o Sol mais depressa e outros não se livram da Lua. Não quero ver braços fechados nem demasiado abertos. Se uns evitam que alguém se encoste ao peito, os outros permitem que todos possam roubar o coração. Não quero arco-íris de chuva e sol. Quero cores de chuva a alimentar a vida e cores de Sol na noite do pranto. Não quero a revolta de mentes doentes, nem exageros de ganâncias tontas. Não quero a tristeza dos insatisfeitos. Não quero nada, porque nada me falta, do nada que tenho que sempre me sobra.” “Conheci três meninos, irmãos, na beira da estrada. Um muito alto, outro muito gordo, o terceiro muito baixo. Todos choravam, na beira da estrada. “ – Sou tão alto, na mesa estou tordo, ao chão nunca chego”, “ – Pior estou eu”. Gritava o mais gordo: “ – Aos frutos do alto não chego, apenas me serve a mesa, mesmo à altura da boca. Do chão nada provo, pois mal me dobro.” “ – E eu?” Exclamou o mais baixo. “ – Das árvores não provo os frutos e da mesa também não, apenas consigo o que a terra me dá.” Do outro lado da estrada, sentado em frente destes, estava um louco. Cantando. Alegre. Levantou-se, dirigiu-se ao três irmãos e: “ – Loucos, são vocês. Tu, hó grande! Vê se te calas. Vai apanhar os frutos das árvores mais altas. Apanha muitos, para quatro dias e põe aqui, no chão, à vossa frente. Tu, tonto gordo. Vai a casa, senta-te à mesa, não comas nada. Traz comida e bebida suficiente para quatro dias e põe aqui no chão, à vossa frente. Por fim tu, choramingão mais pequeno, vai à horta, traz legumes para quatro dias e põe aqui no chão à vossa frente. Já, os três.” “ – Assim fizeram, quando chegaram, em uníssono disseram:” “ – Tu, és louco, apenas por medo de ti fizemos o que mandaste. “ – Agora, para que quero eu tanta fruta?” “ – E Eu, tanta comida e bebida?” “ – E eu, vou passar o resto da vida a comer alfaces e batatas e alguns morangos?”. “ – Não, meninos egoístas, o que trouxeram, dá para os três, dividam tudo, partilhem tudo e assim tudo terão. Se vivessem com menos egoísmo, nunca chorariam, aproveitariam as qualidades que cada um tem. Se em vez de chorarem, por não ter cada um por si tudo e unissem forças para o bem-estar dos três. Nada vos faltaria. Tem tudo. Juntos. Altura, força e flexibilidade. Apenas vos tem faltado coração.” Ficaram quedos e mudos, até que o mais alto, em voz muito baixa disse: “ – Mas se somos três, porque nos mandaste trazer tudo para quatro dias?” “ – Simples, porque tinha a certeza, que no vosso egoísmo, nunca se lembrariam de mim e Eu, também tenho fome e sede…”   

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