“Uma questão de sinais…”

     – “Quero partilhar convosco uma das mais extraordinárias conversas que tive nestes meus trinta e oito anos.      

     Há dias, deu-me Deus a possibilidade de conversar e entrevistar, Frei Hermano da Câmara. Toda a minha vida me fascinou aquela figura, tinha estado com ele duas ou três vezes e, apenas tinha trocado alguns cumprimentos de ocasião, recordo uma vez no Instituto Português de Oncologia, numa festa de natal e pouco mais.      

     Para além da sua figura e das suas canções, devo confessar que o que mais me fascinava era a personalidade. Quem seria? Como seria? Que tipo de homem estaria por trás, do que publicamente conhecia?      

     Através de um outro amigo comum, consegui marcar uma entrevista. Da primeira vez e, para grande tristeza minha, a conversa, entenda-se entrevista, não se realizou. Estava marcada para o dia 2 de Dezembro de 2007 no Estoril, em casa de Frei Hermano, eu cantava nessa noite no Casino Estoril e assim, juntava-se o útil ao agradável, mas, quando já estava em Lisboa, fui informado que Frei Hermano tinha adoecido e não seria possível realizar a entrevista. Confesso que fiquei desiludido, decepcionado mesmo. Achei que por qualquer motivo o Frei Hermano havia desistido e, ali, ruíam os meus sonhos de estar, conversar, entrevistar com uma das figuras que mais admirava, que mais me fascinava.     

     Eu, não sou de desistências, nunca desisti ás primeiras e apesar de desiludido sempre acreditei que iria realizar a conversa, iria continuar a tentar. Sei hoje que há muitos anos, Frei Hermano, não concedia entrevistas e que, apesar de num primeiro momento ter concordado, entendeu depois que não estaria interessado e não iria dar a entrevista.     

     Há algum tempo, através da net, vou falando com um rapaz, que passou pelos seminários de Frei Hermano, hoje trabalha no Alentejo e em Espanha e, foi ele que fez a ponte sempre entre mim e Frei Hermano. Um dia voltou a ligar-me e informou-me que parecia que agora é que era, que o Frei Hermano lá concederia a tal entrevista. Já não acreditava muito mas pronto, voltei a contactá-lo e agora afinal já era possível, este amigo lá o tinha convencido a falar comigo e assim foi. Marcou-se o dia, 15 de Março de 2008 ás 16h e lá fui. Agora tudo estava a correr como combinado.

     Instantes antes de chegar a sua casa ligou-me, ainda temi, mas não era só para saber se estava demorado. Entrei na sua casa, seminário, ás 16 horas, saí ás 20h, estava acompanhado de outras pessoas, padres seus colegas e também uma senhora. Conversámos bastante, antes e depois da entrevista, ofereceu-me alguns dos seus discos, eu também lhe ofereci alguns meus, bebemos um cafezinho e talvez tenhamos ficado amigos.     

     Frei Hermano ainda é mais fascinante ali, ao vivo e a cores do que no meu pensamento, inteligente, conhecedor e acima de tudo com uma paz de espírito impressionante, há qualquer coisa nele de divino, não sei, uma luz. É um homem afável e simples de uma humildade só entendível em Cristo e naqueles que, vivem intensamente uma vida suportada em princípios religiosos, nos bons claro e aqui, Eu, não distingo religiões, apenas princípios, que tenho a certeza, os do bem, estarão subjacentes a todas as que querem os bens humanos.     

     Saí com a convicção de que aquele homem possui um dom, não sei se de Cristo se não, mas um dom, eu acredito que de Deus, feito Cristo.     

     Acho que o convenci, que deveria voltar a cantar, que deveria continuar a fazer o seu apostolado através da musica e das suas palavras em Cristo, sei, pela experiência que tenho na rádio todos os dias que as pessoas continuam a adorá-lo e tenho a certeza de que se voltar a cantar e a aparecer regularmente, muitos e muitas se sentirão bem felizes.

     Quase na saída, mostrou-me a sua capela e confessou-me que me entendia ali, na sua casa, com aquela conversa e com a minha ligação à música como se eu fosse portador de um sinal de Deus e ele, sempre tinha vivido de oração e as respostas que Deus enviava ás suas preces eram através de sinais e, Eu, para ele, transportaria um desses sinais, por isso terminou a sua conversa comigo assim:

     – “Sempre vivi de sinais, se Cristo me o enviou é porque me queria dizer alguma coisa e se essa alguma coisa for voltar a cantar, então cantarei. As maiores bênçãos para si…”         

1 Comentário

  1. Amigo Zé tambem o frei Harmano te disse o mesmo que eu te disse na noite de fados da Conferencia «é DEUS que te envia para cantares na ajuda aos outros»
    De qualquer forma imagino a sensação de estar diante de uma figura como o Frei,Deus deu-te essa possibilidade.
    Um abraço de Zé Marcelino


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