“O silêncio dos bons…””

“Há frases que um dia lemos e que nos marcam irremediavelmente para toda a vida.     

     Há dias recebi um e-mal com uma história que terminava com uma afirmação tremendamente verdadeira “Não me preocupa a gritaria dos maus, o que me preocupa é o silêncio dos bons”.     

     Tenho desde esse dia andado a pensar que esta afirmação daria um bom texto, aqui para a minha voz alta. É que esta é uma verdade impressionante, quantos de nós não sentimos já que há gritos que não nos afectam nada e que por outro lado há silêncios que tanto nos incomodam.     

     Há quem passe a vida a gritar julgando assim, por um lado, impressionar os outros e por outro criar algum medo. Normalmente os gritos vêm de quem poucos ou nenhuns argumentos tem e pior que isso, muito pior muitas vezes, vêm de quem não tem razão nenhuma e apenas são lançados para o ar com o fim de mostrar quem os põe na voz e têm o claro objectivo de destruir. Por maldade, por ignorância ou apenas por má fé. Ainda assim na grande parte das vezes, depois da algazarra, nada fica, ou apenas fica a sensação de que daquela gritaria nada resultou ou ficou para além do incómodo inicial. Até porque quem muito grita, pouco se houve e pouco se faz ouvir. Por outro lado, há gente muito boa que opta viver em silencio ou apenas dando opinião quando lhe é pedida. Vivem com a constante intenção de respeitar e não magoar os outros. Calam sentimentos de revolta muitas vezes, porque sabem que ao darem a sua opinião serão levados em conta e com isso poderão estar a ajudar a formar opinião, e sendo esta contrária aos seus inicias locutores criará agitação e mau estar.     

     Tudo isto estaria certo se estas pessoas dotadas de bom senso e inteligência não optassem sempre por este silencio e é aqui que me afasto delas e faço a ponte para a minha citação inicial é que há silêncios demasiado caros. Há gente que sofre porque aqueles que deveria falar se calam consentido que a gritaria dos sem razão se imponha. Há quem tenha muitas responsabilidades e opta por se escudar na falta de palavras e opinião contribuindo assim para a possibilidade das injustiças.     

     Dos bons espera-se uma voz presente e activa, dos bons espera-se a palavra certa na libertação dos oprimidos. Dos bons espera-se sempre tudo, mas nunca se deveria esperar ou desejar o silêncio, uma vez que calar pode ser tão violento como gritar, com alguma diferença: Quem grita, apenas o faz por não ter razão. Quem é bom e cala, está decisivamente a contribuir para o mau estar dos outros. Os maus, por mais que gritem, ninguém os ouve. Em contrapartida os bons, por mais que se calem ninguém os deixará de ouvir…”       

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