“O pequeno pescador e a sua foca…”

        “Há muitos anos no Alasca, vivia um menino pequenino, todas as manhãs saía cedo de casa para pescar, tinha apenas uma vara que servia de cana, algumas poucas sardinhas, para servir de isco, e um fio com um anzol na ponta.

        Quando saía todos os dias se dirigia a um pequeno monte de gelo, apenas para olhar para o céu e, lá na sua língua, dizia qualquer coisa para os céus. A sua mãe sempre observou este ritual, mas nunca o questionou, apenas observava e mantinha-se à porta até àquela linha, onde os seus olhos perdiam a pequena figura, do pequeno Hyahushy.

        O pequeno Hyahushy, andava mais de três kilómetros até atingir o seu local de pesca, um buraco que não teria mais de 35 centímetros de diâmetro.

        Ali chegado, puxava de um banquinho, prendia uma das suas pequenas sardinhas ao anzol e lá deixava descer o pequeno peixe na procura de uma pequena foca, era uma festa, todos os dias uma pequena foca vinha bincar com a sua sardinha e ele cá de cima assistia àquele espectáculo, assim como que umadança entre gato e rato, mas sabendo que o rato é esperto e jamais se deixaria apanhar pelo gato.

O seu Pai também saía cedo e todos os dias trazia uma grande foca para casa.

        O pequeno, nunca tinha apanhado nenhuma até àquela manhã. O sol brilhava intensamente e enchia aquele branco gelado de uma cor assim meio amarelada, de luz intensa, quase encandeante. O pequeno lá lançou o isco e ao fim de poucos instantes, lá esteva ela, a pequena, que cada vez estava maior, foca. Sem que o pequeno pescador desse por isso, ela desta vez agarrou-se ao isco e prendeu-se no anzol, foram momentos de luta e quando finalmente a foca desistiu, o pequeno puxou-a, já não mexia, ainda lhe tentou tirar o anzol, quis desprendê-la o mais rapidamente possível, mas já não havia nada a fazer, estava morta. O pequeno Hyahushy, tomou-a nos seus braços e rumou a casa.

        Quando o pequeno Hyahushy cegou a casa a sua mãe reparou que chorava, que chorava muito, nos braços, trazia o seu troféu, pela primeira vez havia pescado uma foca, uma pequenina foca, a sua mãe, ao aperceber-se da aflição do seu pequeno esquimó, aproximou-se, ajoelhou-se limpando-lhe as lágrimas e perguntou:

        – “Porque choras meu pequeno Hyahushy? Hoje devias vir radiante. Como pode alguém que apanha a sua primeira pescaria vir tão triste? Meu filho, acabaste de apanhar uma foca, estás a tornar-te homem, grande e forte.”

        – “Não mãe, estou a tornar-me grande e mau, sabes mãe! Todos os dias quando saio de casa vou ali até àquele altinho de gelo pedir ao sol que me traga a minha amiga foca, ali àquele buraquinho onde a vi nascer, todos os dias lhe levo estas pequenas sardinhas, não para a apanhar, mas para lhe dar de comer. Todos os dias quando de manhã falo com o sol, peço-lhe para a proteger, para que ninguém lhe faça mal, para quando eu chegar ao meu pequeno buraco ela ainda lá esteja. Hoje, o apetite dela foi mais rápido que a minha mão e não consegui fugir-lhe, agarrou-se ao anzol e apenas a consegui libertar quando já estava morta. Matei a minha amiga porque a sua fome e desejo foi maior que o seu desejo de brincar. É assim que nos tornamos mãe, à medida que crescemos tornamo-nos gananciosos, deixamos de querer as coisas para brincar, mas para ter mais, deixamos de admirar as coisas para as passarmos a possuir e depois, tal como a minha amiga foca, no desejo de tanto ter, deitamos tudo a perder…”   

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