“A minha casinha…”

“Que saudades eu já tinha

Da minh` alegre casinha

Tão modesta como eu…”

            Conhecem este bocadinho da música chamada “A Minha casinha”?

            Não na versão mais moderna dos “Xuntos e Pontapés”, não, eu refiro-me mesmo à versão original da Milu.

            Pois hoje apetece-me falar da minha casinha, e desafio-vos irem pelas minhas palavras e ideias e se quiserem vistam-nas com a vossa casinha.

            Sabem? Eu ainda sou do tempo de se nascer em casa, é verdade, nasci em casa, naquela casa onde ainda hoje mora a minha mãe, aquela casa que apesar de pequenina e humilde, será sempre a minha casinha, a de que mais gosto, a que me trás melhores recordações, e algumas más também.

            Foi daquela casa que parti para o meu primeiro dia de escola, para o primeiro treino de hóquei, para o primeiro espectáculo, para o primeiro emprego, para a primeira namorada, para tantas primeiras coisas.

            Também foi daquela casa que vi partir meu Pai, para nunca mais voltar, foi daquela casa que vi partir alguns dos meus grandes amigos, sabem quem? Alguns dos meus muitos cãezinhos, porque sempre lá tivemos cãezinhos. Também foi aquela casa que me viu chorar, me viu crescer e descobrir todo o meu corpo, foi aquela casa a companheira de tantas horas de leituras e estudos, foi aquela casa, aquela mesma casa e aquele mesmo quarto que sempre partilhei com os meus dois irmãos, aquele beliche, que me viu rir e zangar, ás vezes grandes brigas com o meu irmão Paulo, quem me dera hoje poder brigar-me contigo outra vez, como dava a minha vida toda pela repetição de um só desses momentos, mas não dá. Não há remédio, tudo passa, nós crescemos, envelhecemos e só quando mais tarde olhamos, como eu o estou a fazer nesta altura, é que percebemos o quanto impotentes somos para travar o tempo e poder saborear aqueles momentos.

            Parece estranho, mas como uma casa, aquela casa, guarda tantas recordações

            A verdade é que ainda hoje, naquela casa está a coisa mais importante da minha vida, a minha mãe, a verdade é que aquela é que é a minha casa, a verdade é que todos nós seguramente temos a nossa casinha. Pode hoje já nem ser a nossa casa, até pode já nem existir, mas tenho a certeza que existirá e viverá para sempre nas nossas memórias. Tenho a certeza absoluta que todos guardarão no coração uma casa muito especial, pode não ser nada de especial, pode ser feia, pode ser pequena, mas é como no amor, podem aqueles a quem amamos não ser os mais belos e os mais deslumbrantes, mas aos nossos olhos, sê-lo-ão concerteza, e isso é que interessa, que importância tem o que os outros pensem, se o que importa é a nossa felicidade,   quero lá saber que a minha casa e o meu amor e a minha vida não agradem aos outros, o que importa é que me agrade a mim e que isso me permita ser feliz.

Façamos todos, de todos os dias, um Mundo à imagem da nossa

casa, com defeitos e virtudes, com tristezas e alegrias, mas que nos protege de tudo, do frio e do calor, do sol e da chuva, dos que dizem bem e dos que dizem mal. Façamos das nossas vidas o que fazemos ao entrar em casa, fechemos a porta e não permitamos que quem não vier por bem lá entre.

É por isso que hoje faço esta alusão à minha casinha, aquela onde

nasci, cresci e vivi e onde adorava um dia vir a morrer…”

 

Deixe um comentário

Ainda sem comentários.

Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s