“Coisas sem importancia nenhuma…”

            “Sei que a vida passa demasiado depressa e sei igualmente que muitas vezes gastamos demasiadas energias em coisas sem importância nenhuma.

            Há dias passei p`la rua por um amigo, daqueles antigos, tínhamos passado tantas coisas juntos, eu conhecia-o quase desde que nasceu.

Fiquei com a impressão de que não me falara, mas não tive bem a certeza, a verdade é que ontem voltei a cruzar-me com ele, bem mais perto, e afinal não me falou mesmo, ou melhor, não me fala mesmo.

            Fui para casa, triste com este facto e tenho estado a pensar o que pode levar um ser humano a deixar de falar a outro, quantos disparates são precisos para que alguém se julgue tão importante ao ponto de deixar de falar a outro, vou contar-vos uma história:

            Um dia há muitos anos, numa pequena terra chamada “Arrogância”, viviam dois amigos, daqueles muito próximos, haviam crescido juntos, partilhado inúmeros momentos, de alegria e felicidade e claro como tudo, de alguns dissabores e tristezas também. Um dia, um deles saiu-lhe a lotaria, muito dinheiro e começou a julgar-se muito importante, depressa se esqueceu de todos os seus amigos, de todos quantos ao longo da sua vida o haviam ajudado, mas o que é que isso importava agora, estava rico e claro, já não precisava de favores de ninguém, tudo o que precisasse compraria, tudo do que necessitasse estava apenas à distancia da sua capacidade financeira e isso, não era agora problema.

            Era verão, o sol ia alto e este nosso amigo agora rico e poderoso, poder à custa da riqueza, saiu de casa para um passeio, era solteiro e poucos ou nenhuns amigos se lhe conheciam, para além do tal amigo, que agora também já pouco próximo estava, com todo aquele dinheiro as relações eram outras, tinham mudado e aqueles com quem agora se dava eram apenas homens do seu estatuto financeiro. Bom mas dizia eu que era verão e o sol ia alto, o nosso amigo “João”, assim lhe vou chamar, agarrou no seu melhor carro, um Porche, ou lá o que era aquilo, daqueles que parece voar, e saiu para um passeio, a meio da sua viagem, numa curva mais apertada, o Porche, apesar de ter todas as condições, não se agarrou à estrada e embateu violentamente numa pedra, quando os meios de socorro chegaram já nada havia a fazer, ali se perdia mais uma vida, e logo agora que tudo era tão bom, que tanto dinheiro tinha e tantos sonhos para gastar.

            Já no céu, Deus chamou o “João” e pediu para este se sentar com ele e ali, de cima, assistir ao seu próprio funeral. Que estranho, nem uma pessoa ia no seu funeral, nenhum dos seus novos e poderosos amigos e para grande tristeza e espanto do “João”, nem o seu amigo de sempre lá estava. Deus apenas lhe perguntou:

            – “Então não há quem te queira acompanhar?”

            – “Não sei o que se passa, não entendo, ninguém e o que mais surpreende é que nem o meu amigo de sempre ali vai!”

            – “Pois não, queres ver aqui de cima onde ele está? O que está a fazer e porque não te acompanha neste caminho final?

            – “Sim, gostaria”

            – “ Então olha, ali está ele, naquele jardim, naquele onde cresceram juntos, naquele onde partilharam tanta vida, naquele onde se encontravam para falar, para rir, para trocar sonhos e ambições, vês o banco onde está sentado? Ainda te recordas? Lembras-te quando há muitos anos prometeram que, fosse qual fosse a vida que viessem a tomar, jamais se afastariam, que jamais deixariam cair a vossa amizade?

            Pois é ele está ali desde a hora que soube que morreste e sabes para quê? Para rezar. Está ali há dois dias, a rezar incessantemente e sabes o que tem pedido nas suas preces? Perdão. Perdão por todos os erros cometidos, pela falta de humildade e excesso de orgulho, pela cegueira de desprezar os outros, está ali a pedir perdão por ti, para que te perdoe todos os teus erros.

            Sabes porque estás aqui comigo agora, no céu? Tu que seguramente não merecias aqui estar.

            – “Não!”

            – “Estás por ele, que apesar de tudo, ali te chora. Está ali naquele banco e não no teu funeral porque se foi despedir de ti ali àquele banco, naquele jardim, porque o amigo que perdeu é aquele que ali se sentou com ele ao longo de tantos anos, o que vai no caixão, nada lhe diz e desse ele não tem saudade nenhuma.

            Hoje estás aqui no céu, apesar do teu lugar ser no inferno, porque não suporto ver o sofrimento em que ele está, é que os amigos, por mais mal que lhe façamos, nunca se afastam de nós, apesar de muitas vezes nós nos afastarmos deles e, estupidamente, muitas vezes por coisas sem importância nenhuma desprezamos quem gosta de nós verdadeiramente, julgando-nos muito superiores e importantes, e quando reparamos, às vezes é tarde demais.

 A importância de nada nos serve.

 Os amigos, há que os saborear enquanto estamos e estão vivos…”

1 Comentário

  1. Acompanho desde sempre os seus escritos. Sou demasiado “velho” para que algum dia nos pudessemos ter cruzado nesta estrada da vida. Sou médium, vidente, nasci em Estremoz no ano da graça de 1951. Desde há muitos anos, que antecipo o que vai acontecer, escrevo, guardo e depois assisto aos acontecimentos que antes tinha previsto. As minhas palavras quando se lêm, dão vida, saúde, prosperidade, liberdade, dinheiro. Sou médium vidente. Quem me quiser consultar, poderá fazê-lo gratuitamente para o E-Mail: centro-espirita-estremoz@hotmail.com. Obrigado José Gonçalez. A tua vida mudará para melhor brevemente.


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