“Seja como for…encosta-te a mim..”

     “Encosta-te a mim, esta é talvez uma das frases mais usadas, entenda-se cantada nos últimos tempos.

       Foi um golpe génio e de talento do Jorge Palma, é certo, mas esta canção traz-me à mente algo mais dramático e infelizmente bem mais real.

       Sei bem, que alguns não darão muita importância só a esta frase – “Encosta-te a mim” e sabem porquê?

Porque felizmente têm, ou têm tido sempre a quem se encostar, e aqui, não estou a colocar encostos tipo cunha, não. Falo de encostos de amor, de ombros de apoio, de mãos e palavras nas noites e momentos de solidão.

       Que bom é ter a quem nos encostarmos e que dramático é quando perdemos o encosto, ou porque os nossos companheiros morrem, ou porque o amor acaba e as vidas se separam, ou porque simplesmente a isso somos obrigados, com empregos longe, com a busca e procura de melhores condições noutros lados, ou porque nunca se encontrou a pessoa certa a quem dar e de quem esperar encosto, enfim de tudo um pouco, mas seja qual for a condição, é uma tristeza não se ter ninguém a quem dizer – “Encosta-te a mim”

       E a verdade é que todos nós, nem que tenha sido só enquanto fomos pequenos, já tivemos a quem nos encostar, aos nossos pais, às nossas mães.

       Encosta-te a mim, vou-vos contar uma coisa, e visto que estes textos são o suporte de uma rubrica na rádio. Há dias uma ouvinte minha contou-me que se deixa dormir ao som da rádio e só se sente bem e confortável com o rádio encostado a ela, curioso, disse-me – “Sinto-me segura e amada”. A verdade é que nós, muitas vezes, não percebemos o que dói não ter a quem nos encostarmos, não percebemos quanta importância tem ouvir dizer – “encosta-te a mim” , quanta tristeza e dor se guarda e fecha em corações sem encosto, em vidas sem amparo, em perguntas sem respostas, em sorrisos transformados em risos de tristeza.

       Da próxima vez que ouvires esta canção, amigo que me lês e escutas, podes dizer – “Vou encostar-me a ti” e pensar em mim, podes ter a certeza que apesar de não sentires fisicamente a minha presença, me irás encontrar algures, com espaço em mim para te encostares, e eu vou-te dizer, onde quer que esteja:

       – “Seja como for, encosta-te a mim…”

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