“Apagão Final…”

      “Não me peçam mais canções,

Porque a cantar vou sofrendo,

Sou como as velas do altar

Que dão luz e vão morrendo”

Não é minha, esta quadra, mas enquadro-a muito bem na minha vida e na visão que tenho desta nossa passagem.

Vamos muitas vezes de canção em canção, há umas melhores, outras piores, há igualmente melhores e piores cantores, há quem seja afinado, há quem nasça desafinado e com trabalho e muito treino acabe por afinar. Há igualmente aqueles que por mais que treinem, não afinam, ou melhor desafinam por natureza. Há cantores de todo o género e cantigas para todos os gostos.

Conheço cantores de belas cantigas, de talentos interpretativos fantásticos, levam-nos no embalo das palavras, da sua voz maviosa, de melodias elaboradas. Pena é que muitas vezes não convençam, falta qualquer coisa, às vezes é mesmo só o timbre da sua voz, cantam em falsete, vestem fatiotas de grandes criadores, grandes pinturas e cabelos cheios de ondas, anunciam e vendem o que não possuem.

Conheço cantores espertos, conhecedores das letras e das músicas, fazem daquelas músicas orelhudas, fáceis de aprender e convencer, tudo espremido não dá nada, a não ser, claro, convencimento próprio e projecção mediática. Dá-lhes igualmente alguns bens materiais e às tantas, estão convencidos que estão cheios de talento e que são grande cantores, o pior é quando o maestro muda e deixa a nu a sua falta de qualidade.

Conheço igualmente cantores vulgares, de poesia simples de música fácil sem lances rebuscados, mas cativam-nos, às vezes, é certo, nem têm grandes vozes, mas têm alma. São simples, humildes e de trato fácil, não vendem o que não têm e não se vestem com roupas que não são o seu número. Curiosamente são os que perduram, depois de passado o impacto inicial, são aqueles que paulatinamente vão fazendo o seu caminho, respeitam quem lhes aparece pela frente. Chegam mesmo a compor e a escrever para os outros, usando apenas o seu talento, sem mais nada. Há vezes em que até resulta, mas muitas há, na maioria, não funciona, como diz o povo, “Não bate a bota com a perdigota” e mais tarde ou mais cedo, percebe-se que há ali qualquer coisa que não está certo, ou falta a naturalidade ou há vaidade disfarçada e o verniz quebra-se ao primeiro contratempo.

Eu vou assim como na quadra inicial, de canção em canção, tentando manter viva a minha luz, o máximo de tempo possível, claro que o pavio se vai esgotando, a cera se vai derretendo e por consequência a minha vela tem cada vez menos tamanho.

Assim vou, de canção em canção, até ao apagão final… 

        

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