“A Canção da Minha Vida…”

            Músicas, ele há músicas, é verdade.

         Não sei se a vocês vos acontece, mas há musicas que nos marcam para sempre. Umas, mais tristes, porque naquele momento estávamos mais fragilizados, outras mais alegres, porque a vida nos deu qualquer coisa mais feliz.

         Eu tenho uma série de músicas que jamais esquecerei, ligadas naturalmente aos tais momentos. Curiosamente, ou não, as musicas da minha vida são praticamente todas tristes, não sei se pela minha alma fadista, mas, a verdade é que são sobretudo fados, densos, tristes, nostálgicos, trágicos alguns.

         Sei que não é a primeira vez que aqui vos digo que de facto não sou assim tão feliz, não porque tenha algum motivo especial para assim ser, não. Talvez seja condição, ou simplesmente uma forma de estar, de ler o mundo e de o interpretar da mesma forma que tento interpretar a maioria dos meus fados, por isso mesmo a maioria do que canto e que escrevo são fados mais tristes.

         A vida deveria ser feita só de musicas alegres e felizes, só de coisas boas que nos apetecesse recordar de sorriso nos lábios, mas a vida também não é isso pois não? Os momentos bons são assim, tão pequeninos, ou ficam tão pouco, mal os saboreamos e já lá vão, em contrapartida os momentos menos bons, parecem que se cravam em nós e não nos libertam, são como as tais pilhas, duram, duram, duram…, se calhar nem é bem isso, pode ser pelo simples facto de as coisas boas nos alegrarem e pronto, mas as más muitas delas marcam-nos de forma eterna, algumas tornam-se mesmo a nossa imagem de marca e por mais que nos esforcemos, elas estarão sempre presentes.

         Não quero de forma alguma julgar o todo pela parte, esta visão é apenas a minha parte, muitas vezes uma parte que nem eu entendo, às vezes sem motivo aparente, mas é assim.

         Estaria aqui um dia inteiro a dizer-vos que me músicas me marcaram e porquê, mas isso também não teria grande interesse, até porque há musicas que a nós muito dizem e que a outros não dizem nada. Apenas vou buscar uma, que oiço desde pequenino, chama-se Maria da Minha Infância, cantada pelo padre Zézinho, lembram-se? Um brasileiro, não sei se por ser assumidamente católico, mas acima de tudo porque essa musica toca em duas das coisas que mais alimentam a minha alma, a fé em Cristo e a lembrança, sempre presente, da minha mãe, aquela canção e a Maria, só me fazem lembrar a ternura, a paz e a serenidade, tudo coisas que até hoje só encontrei na minha mãe. Mas claro, um dia vou ter que dizer como na canção, “…o tempo passa não volta mais, tenho saudades daquele tempo, em que te chamava de minha mãe…” , ainda assim, será sempre a canção da minha vida…”

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1 Comentário

  1. Que tristeza é essa jovem. Até parece que nasceu para sofrer, como Cristo. Uma vez vi um estudo de um estudioso da vida social, que concluia ser a Igreja uma das fontes de pobreza da humanidade. Não quero discutir consigo a bondade desse estudo, é coisa pouco importante. Quero apenas espevitar a sua mente e fazê-lo reflectir. POdemos, inclúsivé, criar um debate do género. Diga-me, alguma vez pensou que a alegria não tem sido um atributo da igreja? Lembra-se como eram as missas há 40 anos atrás? Pois meu caro zé, eu acho que a Igreja tem um papel importante, mas apenas no plano espiritual. Dá às pessoas uma explicação da vida que transmite confiança e tranquilidade. Mas no plano material as coisas já são diferentes. Já reparou nos crimes que os seus representantes praticaram ao longo da história? E já nem falo apenas da inquisição, veja-se o caso dos Estados Unidos e a pedofilia.
    Bom, mas o que eu lhe quero dizer mesmo é que a alegria é um estado muito breve em cada um de nós e a Igreja devia contribuir para aumentar essa duração. Mas não o faz. Se calhar você gostava de ter mais momentos de felicidade, mas a sua dedicação à Igreja impedem-no. Lamento a sua tristeza, muito honestamente. Não tenho convivio pessoal consigo, não tenho sequer uma admiração especial por si, mas detesto a tristeza, detesto a desumanização da sociedade, e sou um apaixonado por estremoz. SEndo você um estremocense, gostaria de o saber feliz, como gostaria que estremoz fosse uma cidade feliz. Já viu o deserto que é a nossa cidade a partir das 20 horas? Falando de música. Também eu tenho as tais músicas mágicas, que nos fazaem vibrar, ou simplesmente recolher na nossa casca de melancolia. São muitas, pois claro. Digo-lhe apenas uma, que você como homem da música conhece: “Tombe la neige”. Melancólica, triste, mas saudosa de tudo aquilo que eu vivi e já não vivo. É esse o segredo. Dantes viviamos pobres mas felizes…… Por favor, tente ser feliz e se assim o entender, questione-me, cá estarei para rsponder.


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