“Correria…”

         Sei que não tenho andado muito por aqui e por isso peço-vos desculpa, sei que têm continuado a aparecer, a visitar-me, mas ando numa roda-viva, Estremoz, Évora, Elvas, para cá para lá.

         Gostaria de dizer a alguns que, não sou Dr., dou apenas um estudante que com sorte daqui a dois anos, mais coisa menos coisa poder ter tirado uma licenciatura em Psicologia, digo-vos igualmente que é um curso para qual entrei ainda no outro século e que este ano decidi, tentar terminar. Se há coisa na vida que me revolta completamente é algumas pessoas andarem por aí a armarem-se naquilo que não são e eu, por aí, não vou.

         A segunda coisa que queria dizer é que a vida é mesmo assim, tão depressa não temos nada que fazer, como não temos tempo para nada. Eu ando assim agora e por isso a minha vida cibernética ressente-se.

         Como já tinha desabafado, lá ando de volta da Gala do coliseu de Elvas, quem quiser ir, apareça, os bilhetes são muito baratos, prometo-vos um espectáculo, diferente, muito diferente, digo eu. Do elenco, só posso dizer que lá estarão, entre tantos outros, Simone de Oliveira, Rita Guerra e Mafalda Arnauth, apareçam custa apenas 5 euros para as bancadas e 10 para as camilhas da Plateia.

         Pronto, hoje é isto, arranjei assim cinco minutos.

         Beijinhos e abraços, do Zé.  

“Desculpem, mas é que hoje estou tão feliz…”

                Estou contente, muito contente, como não são muitas as vezes que assim estou, hoje venho aqui de forma diferente. Venho cumprimentar-vos, saudar-vos, beijar-vos, abraçar-vos, hoje estou para aqui.

                Há mais ou menos um mês, fui convidado para organizar a 2ª Grande Gala do coliseu Rondão Almeida em Elvas, para quem não sabe, é um espaço fantástico onde já aconteceram dos maiores espectáculos deste país, leva mais ou menos 6000 pessoas, e é daquelas casas que já mete muito respeito. Inaugurações na TV em directo, galas e mais programas de grandes audiências em directo, com encenações de Lá Férias e Carlos Castros, enfim, uma série de coisas e eu, este que aqui vos fala, nascido e criado aqui em Estremoz, mais ou menos longe de tudo, filho do Januário e da Natália, agora convidado para pôr mãos á obra e organizar uma coisa destas.

                Olhem, garanto-vos, tenho feito o melhor, quando puder trago aqui o programa, já fechado com 10 Artistas de primeira água, com muita luz e cor, som e… não posso contar mais para já, mas eu, logo eu, quem diria, desculpem se calhar não estou a ser humilde, como deveria, mas é que estou tão empolgado e contente com tudo isto, que não resisti a trazer-vos aqui a minha alegria.

                Bolas, afinal nem todos os dias são tristes e, ainda tenho essa esperança, um dia tudo há-de melhorar na minha vida. Como diz a minha querida Mãe, a quem Deus promete não falta, só tenho pena que isto não me aconteça na minha terra, mas tenho tentado tanta coisa e estão sempre a atirar-me ao chão, felizmente, até agora, tenho tido forças para me levantar.

                Abraços e beijinhos…

“Era o que faltava…”

         – “Então já foste vestir a camisa nova?”

         Esta talvez seja uma das frases que mais vezes ouvi a minha mãe, sempre que se comprava algo novo e eu, como qualquer jovem, que se queria empinocar todo, ia logo vesti-la. A minha mãe, como qualquer mãe, acho eu, não concordava nada com isso, achava sempre que as coisas novas se deviam guardar e utilizar nas ocasiões especiais. Devo dizer-vos que nunca concordei com esta visão, e claro, lá retorquia eu:

         – “Oh mãe, se se comprou foi para usar.”

         Hoje, tantos anos passados e com a liberdade de comprar e usar aquilo que bem me apetecer, desde que haja dinheiro para isso, claro, cada vez mais tenho essa filosofia, ou seja, comprei é para usar. Para mim, todos os dias e todas as ocasiões são especiais, devo dizer-vos que não concordo nada, e hoje cada vez menos, com essa coisa dos momentos e dias especiais.

         A vida passa tão depressa, tudo se consome em poucos instantes e nós, para que andamos feitos bacocos sempre à espera de um dia especial? Mas porque é que não fazemos de cada dia um dia de grandes acontecimentos, esse tal dia especial. Nos dias especiais, supostamente, engalanamo-nos todos, não é? Arranjamo-nos, penteamo-nos, lavamo-nos todos, perfumamo-nos e mais não sei quantas coisas, até porque cada um tem as suas manias e pancadas. Pois eu, não ligo nada a isso. Já viram que bom seria se todos os dias nos engalanássemos? Que bom seria, claro que há quem o faça, mas do que é que os acusamos logo? Vaidosos, para que andará todos os dias todo empiriquitado? Pois eu Acho que faz muito bem quem assim faz. Já viram cada dia é um acontecimento, que bom é poder viver bem e feliz, arranjar-se, gastar cada dia da forma mais fantástica. De que vale juntar, guardar, arrumar, sempre à espera do melhor dia, sempre à espera do dia Santo, ou do casamento dos amigos, bá, tudo balelas.

         Cá para mim é assim, se comprei, se tenho, é para usar, eu sei lá se amanhã cá estou e depois já nem me podem ver com a blusinha toda janota que hoje comprei para ficar um bocadinho mais bem parecido.

         Lembro-me de uma amiga que guardava religiosamente um serviço de loiça, caríssimo, dizia ela, já vinha do tempo da bisavó e só tinha sido utilizado no casamento da mãe, um dia mostrou-mo, era lindo de facto, com rebordos dourados e de um azul celeste absolutamente divinal. Lembro-me de lhe ter perguntado porque não o usava todos os dias, já viram que felicidade, que alegria, que gosto, seria comer todos os dias naquela maravilha, até a comida saberia melhor com certeza, mas não, foi quase uma ofensa – “Tas doido ou quê? Uma relíquia destas”. Talvez eu estivesse doido, ela entretanto já cá não está, o tal serviço é agora do filho, um bocadinho mais novo que eu. Um dia destes convidou-me para lá ir a casa jantar e ver umas coisas da mãe e, para meu espanto, então não é que o jantar foi servido no tal serviço que a mãe tão religiosamente sempre guardara. Que bom foi, e melhor ainda foi ver o Xico, um canito que lá têm, a lamber os restitos, servidos nos pratos de luxo. Fiquei contentíssimo, isso é que eu gostei de ver o bom do Xico a lamber os dourados rebordos. Sorte de Cão, pensei eu, e de certeza que o bom do animal estaria felicíssimo. Cá para mim é assim, se tenho é para usar, para gastar, eu sei lá que cão é que amanhã se pode andar por aí a pavonear com as minhas relíquias.

         O que temos é para nos tornar felizes e não escravos e protectores de felicidades adiadas, hoje estou cá e devo aproveitar tudo o que tenho, muito ou pouco não interessa, vou guardar para quê? Não, hoje estou vivo e devo ser e estar feliz, amanhã morro e depois até o cão me lambe os pratos, e com sorte o capote dará uma boa manta para a barraca, ná, era o que faltava, pode dar uma boa manta, mas vai roto e bem usado, mai nada!”