“2008…ao cair do pano…”

          Hoje, de manhã ao chegar à rádio, como por norma faço, lá passei uma vista de olhos pela blogosfera e no blog do amigo José Ramalho http://blogdojoseramalho.blogspot.com/ encontrei um post, “Personalidades de 2008”  e para meu espanto, e alegria claro que eu não sou hipocrita, ele achou que eu seria, ao nivel artistico e no panorama regional, obviamente, a personalidade do ano. Bom, isso levou-me a olhar para 2008 e decidi fazer assim, como que uma especie de resumo, aqui fica, e fica claro o meu muito obrigado ao José Ramalho, pela lembrança.

          2008 foi de facto ao nivel artistico um dos melhores da minha vida, recordo 1998 e os 10 dias consecutivos a cantar na Expo/98 e 2003 ano em que lancei o album “Entre Amigos” e as trinta e tais participações em programas de todos os canais televisivos, mas 2008 foi de facto especial, desde logo o facto de ter conhecido pessoalmente, Frei Hermano da Camara e ter realizado uma tournée.

Realizei espectáculos como nunca: Estremoz(Fiape e Cozinha dos Ganhões), Borba(Festa da Vinha e do Vinho), Évora(arena), Elvas(São Mateus e Coliseu), Macedo de Cavaleiros, Vilafranca do Campo(Açores), Coliseu MIcaelense(Açores), Caminha, Vila Praia de Ancora, Cabeçeiras de Basto, Lisboa, Alhandra, Sabugueiro, Portalegre, Sousel, Cano e Casa Branca, Portel(Açordas, Portelaves, Feira do Montado), Ponte de Sôr, Vila de Frades(Vitifrades), Vimieiro, Alandroal, Arruda dos Vinhos…Etc, etc, etc…

         Participei em vários programas de tv:

TVI – “Tardes da Julia”

RTP 1 – “Sexta à Noite” de José Carlos Malato

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RTP 1 – “Verão Total”

 

RTP 1 – “Portugal no Coração”

Realizei, produzi e encenei o maior espectaculo da minha vida, 2ª Gala do Coliseu José Rondão Almeida, com Simone de Oliveira, José Carlos Malato, Xico Dias, Rita Guerra, Marina Mota, Alexandra, António Pinto Basto, lenita Gentil, Mafalda Arnauth, A magia dos Musicais, U-Bound, Adiafa, Be-dom, Academia de Musica de Elvas, Soraya Branco, António Zambujo, António Varela, José Luis Geadas, Henrique Feist, Joel Pina, José Leaça, Paulo Parreira, Francisco Gonçalves e Ricardo Parreira.

Já em Dezembro, convidado pelo Malato,  escrevi e compus, propositadamente para a RTP o tema de Natal “Manhã de Luz e de Cristal” convidei o António Pinto Basto para gravar comigo o tema, em dueto, e comecei a gravar o meu novo Cd que se irá chamar exactamente “Manhã de Luz e de Cristal” que deverá sair em Março/Abril de 2009.

2008 Fica igualmente marcado pelo lançamento do meu 1º livro, “Em Voz Alta”

         Foi de facto um ano muito bom, muito obrigado a todos os que acreditaram em mim…”

Religião versus folclore…

         Talvez o título possa parecer estranho, talvez demasiado forte, talvez sem sentido, mas para mim não.

         Sou assumidamente cristão, católico, e, confesso, tenho alguma pena de muitas vezes não ser mais praticante quanto o desejável e quanto desejava. Tive alguns momentos na minha vida que em vez de me retirarem fé ou de provocarem alguma vacilação, pelo contrario me fortaleceram e me tornaram num homem mais crente, refiro-me em concreto à morte de meu Pai, do meu irmão Paulo e de algumas coisas que alguns foram inventando a meu respeito e que muito me magoaram, mas também sei que quem se expõe como eu, está sujeito a isso mesmo, pena que o façam sempre sob a capa do anonimato e da hipocrisia, mas pronto.

         Sou então católico e tenho tido o privilégio de privar com homens interessantíssimos, como arcebispos e outros de grande visibilidade religiosa como o padre Vítor Melicias ou Frei Hermano da Câmara. Mas isto por si só não diz muito, pelo menos a mim não me diz muito, acredito na fé posta ao serviço dos outros e apenas isso, não acredito na fé como meio de promoção social, como veiculo da obtenção de favores ou suporte para a obtenção de estatuto. Não a isso tudo chamo hipocrisia e, infelizmente, cada vez encontro mais o que de negativo têm as religiões, e que atrás referi, nas manifestações pública dos actos religiosos. Passo a explicar, vou várias vezes à missa das seis, não vou muito à de domingo por força das horas tardias a que me deito nos sábados, por força das minhas actividades musicais, e vou habitualmente à missa do galo. Assisto igualmente na televisão a diversas eucaristias e celebrações religiosas.

Vamos lá ao que interessa, pelo menos segundo o meu ponto de vista. Luta-se hoje para que os fieis não abandonem as igrejas, embora como sabemos a igreja sejamos nós e não o edifício de pedra, muitas vezes de construções grandiosas e de grande valor artístico, mas dizia eu que, tenta a igreja a todo o custo manter-se viva, forte e com mais intervenientes, tenta igualmente ter um papel mais activo, mais forte, mais actuante, serve como bom exemplo a ultima mensagem do Cardeal Patriarca de Lisboa nos apelo ao entendimento na educação em Portugal que, pelos vistos, só já lá vai com a ajuda divina. Tudo isto para dizer que, mesmo dentro deste princípio e necessidade, deverá haver limites. Não entendo como podemos estar numa celebração e se batam palmas por tudo e por nada, como se estivéssemos a assistir a um qualquer espectáculo, é para quem canta, para quem dança, para quem lê, para quem escreve os textos, para quem transporta a cruz, para quem isto, para quem aquilo… e isto, quanto a mim não leva a nada, corre-se o risco de aqueles que lá vão a primeira vez, ou que não estejam ainda enraizados na fé e firmes nas suas ideias e opções, se vão embora de vez. Eu, se entrasse pela primeira vez numa igreja, à procura de palavras de conforto, de respostas ás minhas dúvidas, acreditando que Deus me ouviria e ajudaria, com as suas palavras e ensinamentos e visse projecções e karaokes e mais modernices que a nada levam, nunca mais lá punha os pés.

Perguntar-me-ão se entendo que é com um discurso obsoleto e a cheirar a mofo que a religião sobreviverá e que atrairá mais fiéis? Não, claro que não, mas não é com folclores que lá iremos. Entendo que, como em muitas outras áreas, o desenvolvimento se faz à custa da evolução, da modernização e naturalmente é muito importante que a igreja acompanhe estes novos tempos, sob o risco de se deixar ficar numa ilha, mas pode e deve fazê-lo, e bem, com intervenções como a do Cardeal Patriarca de Lisboa, actualizando discursos, acompanhando os novos temas e ritmos, mas nunca desvirtuando o principio, Jesus, não vestia armaduras, nem punha penachos na cabeça, não fazia o pino nem dançava o vira. Deus, mandou-nos o seu filho só com uma tunica, e coloco-o quase nu na cruz e a verdade é que ainda hoje falamos dele e o lembramos, não pelas suas vestes, mas pelas suas palavras e acções. Hoje não estaria aqui a tirar o meu chapéu ao Sr. cardeal Patriarca de Lisboa se ele tivesse aparecido de saias de folhos e de lenço na cabeça, chamaria muito mais a atenção, é certo, mas perder-se-ia o essencial, a sua mensagem e os objectivos a que se propunha. Por isso defendo modernidade, actualização do discurso, novos ritmos, mas jamais acharei piada, ainda que isso à primeira vista possa parecer mais motivador, de chegar a uma igreja e ver actuar o rancho folclórico de Nossa Senhora do perpétuo socorro…  

Dia 23.12.08

No “Portugal no Coração” com a Tãnia e o João.

Meus queridos amigos, para todos um Santo e Feliz Natal

Beijinhos e abraços.

“Pancadas…”

         “A foto que vos mostro foi-me enviada ontem, pela produção do coliseu micaelense, na Ilha de São Miguel, nos Açores. Curiosamente é uma Ilha que até conheço bem, por culpa do Hóquei em Patins, há muitos anos que quase anualmente vou aos Açores e em concreto à Ilha de São Miguel.

         No dia 30 de Novembro realizei lá um concerto que hei-de recordar sempre, o coliseu é lindo, fui tratado de uma forma espantosa, de resto como sempre nos tratam as boas gentes do Açores e tudo correu tão bem.

         Ao contrário do que alguns julgarão, eu, não sou assim tão social quanto isso, passo a explicar, sou muito mais introvertido do que pensarão e não levo uma vida de rua, noites e cafés, não. A minha vida resume-se ao acordar todos os dias às 6 da manhã, ir para a rádio e depois do almoço refugiar-me em casa. Não sou de facto presença de bares, cafés ou da noite. Recebo, felizmente, muitos convites para muitas coisas, a que normalmente não vou. Talvez por isso já me apelidaram de muitas coisas, algumas que magoam muito, há quem me julgue vaidoso e com certas manias, não é certo ser juiz em causa própria, mas pelo menos aqueles que me conhecem bem, sabem bem, que apenas converso muito e me divirto com aquelas pessoas que conheço bem, não sou de forma nenhuma alguém que goste de grandes balbúrdias, de grandes festas e coisas assim, não. Sinto-me mal quando me sinto observado e detesto dar nas vistas, detesto quem fala alto e acho absolutamente possidónios aqueles que passam a vida de telefone na orelha a falar sabe-se lá sempre para quem e se pavoneiam só para que os observemos.

         Detesto a hipocrisia e falsidade por isso mesmo muitas vezes intervenho e como não sou propriamente o exemplo do politicamente correcto, lá vou conquistando inimigos, mas isso não me incomoda mais, prefiro assim do que ter “amigos” à custa da hipocrisia, fingimento e falsidade.

         Tudo isto para vos dizer que o meu refugio é de facto a musica, não sei se bem ou mal, com ou sem talento, mas sempre fiz o meu caminho, jamais pisei alguém e jamais me vendi a alguém. Nunca paguei fosse o que fosse a alguém para chegar a algum lado e nunca me colei a ninguém na procura de tachos. A vida é o que é e felizmente no mundo da música e do hóquei, tenho feito muitos e bons amigos e é dessa partilha e cumplicidade que as coisas me têm acontecido, queira Deus que sempre assim me continuem a acontecer.

         Há dias em Estremoz, o meu querido amigo Malato ligou-me, convidou-me para jantar mais uns amigos e amigas, no dia seguinte ligou-me a convidar para participar num programa dedicado ao natal na RTP 1, escrevi e compus um tema propositamente para o efeito, chama-se “Manhã de Luz e de Cristal”, será dia 23 à tarde, lá estarei e se calhar lá estarão os outros a dizer, lá está ele, tem a mania, a quem é que se terá encostado… enfim aquelas coisas estúpidas de quem não sabe, nem tem mais nada para dizer.

         Que Deus me continue a ajudar, numa vida que tenho tido bem longe de boa e fácil, reservado e fechado em mim, mas muito longe de faltar ao respeito a todos os meus concidadãos julgando-me mais do que eles. Serei diferente? Talvez. Há um amigo meu que diz frequentemente: – “É artista”. É possível, mas nunca perceberam que os artistas não são pessoas normais? Têm pancadas, não sei se serei artista e de que tipo de arte, mas lá que tenho pancadas tenho e algumas são jeitosas, são…

         Beijinhos e abraços…”

“Porque eu, sou eu…”

         “Uma vez disserem-me:

         – “Não gosto de ti assim, tens uma forma de ser e estar muito diferente da minha, não pensas como eu, vês a vida de forma diferente. Não gostas do meu clube preferido, nem das minhas músicas. Não tens, nem defendes, as mesmas ideologias sociais e politicas que eu defendo. Mas porque é que não vives e pensas como eu?

         A minha resposta foi tão simples quanto isto – Se fosse tudo aquilo que te agrada e de que tu gostas, não seria eu, mas tu.

         O problema na vida não é cada um ser como é. É conseguirmos perceber e respeitar a forma de estar e de ser dos outros.

         O que nos caracteriza, define e ao mesmo tempo afasta ou aproxima é a forma como nos enquadramos nos outros, e como em tudo na vida, numas coisas enquadramo-nos bem, noutras, nem por isso. Não temos é o direito de considerar aqueles em quem não nos enquadramos como piores e mais defeituosos que nós.

         Tu que me lês, nunca venhas aqui à procura de um espelho, porque jamais vais encontrar aqui, a tua imagem reflectida, o único reflexo que espero e desejo que aqui encontres é o meu, fruto da tal minha forma de ser e de pensar, seguramente diferente da tua. Por isso nunca me desenquadres da tua vida, pensa apenas que temos quadraturas diferentes e que é dessa cumplicidade e variedade que se faz o mundo e por isso mesmo “Pula e avança”, por caminhos diferentes, umas vezes mais afastados, outras mais juntos, às vezes cruzam-se, mas o mais importante de tudo é que nos levem a algum lado…

“Manhã de Luz e de Cristal”

Manhã de Luz e de Cristal

(José Gonçalez)

I

Amigo vem cantar esta canção

Vestida só de amor e felicidade

É claro que eu vou, mas porque não?

É tempo d` inundar toda a cidade

Com versos de mil cores e fantasia

Com luzes e foguetes d`ilusão

É tempo de deixar a`legria

Encher de novo tod` o coração

 

II

Que em cada rua fique a porta aberta

E se oiça alegrement` o rouxinol

Que cada coração faç` a oferta

E ench` a vida com raios de sol

Abraça cada homem qu`encontrares

E deixa tod` o bem vencer o mal

Não tenhas nenhum medo de te dares

Nem deixes que percebam que é Natal

 

Refrão

Manhã de luz

De amor e felicidade

O bom Jesus

Passeia p`la cidade

E na vidraça

Escondidos dois olhinhos

Cheios de graça

Vão enchend` os caminhos

De luz e cor, de amor divino,

E satisfeitos

Amarram junt` ao peito

Esse carrinho, que lhe troux` o Menino

 

III

Faz uma lareira sem mortiços

Troncos a arder de solidão

Arranca do teu rosto os postiços

Traços d`alegria e compaixão   

Que nunca o amanhã seja como antes

N`olhar entristecido da criança

 Enfeit` a tua arvore de brilhantes

Com bolas e luzinhas d`esperança

 

IV

Ench` o teu sorriso de ternura

Estend` a tua mão a quem passar

Invent` em cada dia um` aventura

E nessas coisas tristes, nem pensar.

Que cada dia possa ser um hino

A essa madrugada de cristal

Vest` e põe na rua o Deus Menino

E faz de cada dia um Bom Natal

“Ficar ou partir…!!!”

         Diz o Miguel Sousa Tavares no seu “Equador”:

         “No momento da despedida é sempre pior ficar do que partir”.

         Como te entendo Miguel. Ficar quando já nos despedimos é péssimo. Recordo uma outra frase de um amigo:

         “Não há nada mais triste do que sentir a presença de quem está longe de nós”.

         Talvez queiram classificar estas duas frases como uma antítese, e me julguem desconexo de pensamento e coerência, mas não. Julgo que todos já nos despedimos de alguma coisa na vida, ou que alguém ou alguma coisa já se despediu de nós e isto, não quer necessariamente dizer que se foi embora, que deixou de existir, que deixou de nos ser presente, não. Isto apenas quer dizer que perdemos algo de que muito gostávamos ou amávamos, algo que não suportamos ter perdido, algo que jamais imaginámos que viéssemos a perder ou a deixar de ter.

         Acredito claramente que é bem melhor despedirmo-nos, partindo. É violento estar sempre a ver, a sentir, a cheirar aquilo que já perdemos, é violento sentir ali, ao lado aquilo e aqueles a que já não temos direito, que por diversas circunstâncias, já não nos pertencem. Por isso concordo claramente com o Miguel, já que nos despedimos, então que partamos e não nos violentemos com a imposição da nossa presença ao que já não reclama nem lhe interessa a nossa companhia. “O que os olhos não vêem o coração não sente”.

         Quanto à segunda citação, enquadro-a em sentido inverso ao ângulo de visão anterior. Que martírio sonhar, ter presente, encontrar nos sonhos e no pensamento aqueles e aquilo que amámos e amamos, de que gostámos e gostamos que apesar da distância, de afastados, não conseguimos esquecer.

         É a vida, dirão alguns é verdade digo eu. Seja como for:

“Tão mau é ficar quando já partimos, como depois de partir estar sempre presente”.  

         Já agora fecho com outro pensamento:

         “…e pensar que estando tão perto de ti, te sinto tão longe e inacessível”.