“Cristo entre os meus dedos…”

Senhora trago o teu rosário ao peito

Em contas de tristeza e solidão

Na soma do pecado em que me deito

Descontas dia a dia o meu perdão

 

Na prece que a teus pés vou desfiando

Ofereço-t` em sussurro os meus segredos

E o Cristo que nas mãos vou amarrando

Liberta-se da cruz por entre os dedos

 

E pede-m`outra fé, outra vontade

Na taça do amor que me quer dar

E o brilho inebriante que me invade

Reclama um Deus que teimo encontrar

 

No sal que o meu rosto amargo dá

Em lágrimas de sangue sobre ti

Imploras-me o caminho p`ra que vá

Em busca do lugar d` onde parti

 

Não sei o que me prende, mas não vou

E sinto mais distante a tua luz

Por fim, tão triste como me encontrou

O Cristo volta sempre à sua cruz

“Não vale fazer batota…”

         Não me incomodem, que hoje não estou cá!

         É o que me apetece dizer, há dias em que pura e simplesmente não devíamos existir.

         Quando nesta coisa de viver sentimos que alguns fazem batota, mas batota daquela mal feita, descarada, apetece-nos, ou pelo menos a mim apetecia-me, fugir, ou tão simplesmente deixar de existir.

         Não entendo, de resto nunca entendi, o que move certas pessoas, porque fazem do mal dizer e da destruição dos outros a sua forma de vida? O que lucram? Que vantagem lhes trará tal atitude? Ninguém no seu perfeito juízo diz mal de alguém. Ou não entendeu que já nasceu e vive, ou então é porque vive sem ter entendido que já nasceu. Talvez possa parecer confuso, mas não é. É que não é o mesmo, nascer é um acto decidido(ou não) por outros, pelos nossos pais, agora viver é diferente, a partir do momento que nos tornamos seres conscientes, pensantes, que tomamos consciência do que nos rodeia, dos objectivos. De onde viemos e onde queremos chegar. Aí sim, vivemos. Temos o poder de perceber o que é bom e o que é mau.

         Vamos passar isto para um jogo de cartas, acompanham-me? Ok, vou dar o jogo, dez cartas para cada um, somos 4, vamos colocar nomes, Francisco, Kiko, António e Miguel.

         – “Então Miguel, que tal, tens bom jogo? – Diz o Kiko.

         – “Nem por isso, só duques e ternos.

         Está a fazer Bluff, estou a ver-lhe a cara, disfarça mal, deve ter por ali um Ászito. 

         – “E tu, como vai isso de trunfos? – Pergunta o Miguel ao Francisco.

         – “Vai bem, muito bem mesmo, belo jogo. 

         Talvez esteja a dizer a verdade, foi convicto.

         – “Vocês são uns sortudos, já eu não tenho um joga que não é peixe nem é carne, come-se. – Falou o António, nem foi preciso perguntar nada.

         – Só faltas tu Kiko, que tal de jogatana? – Pergunta o António.

         – “Eu tenho um jogo razoável, com algum engenho, poderei ganhar, e em função do que dizem, é capaz de não estar mal. Joguemos então.

         Fim do jogo.

         O Miguel ganhou, o António ficou em segundo, o Francisco em terceiro e o Kiko em ultimo.

         – “Isto é que foi um belo jogo. – Diz o Miguel.

         – Não foi mau, não senhor, se não fosse aquela dama, ganhava-te. – Diz o António.

         – “E eu a pensar que tinha um belo jogo, sim senhor! – Exclamou o Francisco que continuou:

– Então e tu Kiko, não dizes nada?

– “Não há nada a dizer. O Miguel disse que tinha só duques e ternos e ganhou. O António “sem jogo nenhum”, ficou em segundo. Tu que até dizias ter bom jogo ficaste em terceiro e eu que até julgava ter um jogo razoável,  e tentei utilizar inteligencia, bom senso e equilibrio, fiquei em ultimo.

– “Mas ouve lá. Disse o Miguel. Tu não vês que isto é como a vida. Não podes dizer tudo. Não podes mostrar tudo. Quanto melhor fingires melhor. Quanto menos deres a entender quem és e o que tens, melhor vives. E sobre tudo, quanto mais conseguires, falar dos outros e despistar os outros, melhor vida terás? Vais subindo, fazendo jogo, inebriando os outros. Não entendes?  Tens que aprender a não por os trunfos na mesa, a fazeres bluff, é fácil. Ok? E não te esqueças, faz disto tudo uma brincadeira, estamos a brincar. Continuamos com a jogatana?

– “Não. Ouviu-se da voz embargada do Kiko. Vou-me embora, não jogo mais. Um dia li um livro de François Mauriac, que terminava assim: “Não sinto o menor desejo de brincar, num mundo em que todos fazem batota”

“Vou ter contigo ao passado”

I

Só Deus sabe o sofrimento

Que veste cada momento

Da minha vida vazia

A cama que ontem foi tua

Está hoje mais só e nua

Está hoje mais triste e fria

 

II

Não mais mudei os lençóis

Testemunhas de nós dois

Nessa louca primavera

A almofada que deixaste

E tudo o que abandonaste,

Ainda estão à tua espera

 

III

Guardo o perfume das flores

Daqueles brancos Amores

Que de tão secos, me ferem.

Na jarra não mais toquei

E os meus olhos não sequei

Porque sei Qu`inda te querem

 

IV

Talvez tu não voltes mais

Mas vou pedir aos pardais

Que se aninham no beirado

Que partam bem de manhã

E te digam que amanhã

Vou ter contigo ao passado

 

 

 

Fiz para oferecer à Maria João Quadros, Estremoz, 11 de Janeiro de 2009

“Germano e género humano, não são a mesma coisa…”

         Sempre ouvi dizer: “quem não se sente não é filho de boa gente”, por isso, hoje, ao ler o “Jornal Brados de Alentejo”, que o amigo Jaleca deixa aqui no vão da escada logo de manhã, como sempre lá fui ler e ver as novidades. Como não sei se é para mim, e a propósito do meu texto aqui na “Voz Alta”, “Porque na política não pode valer tudo”, mas eu aproveito já, para esclarecer.

         Vem o Dr. Assis, e bem, corrigir o erro quanto aos valores das iluminações de Natal, mantendo, e mal, na minha opinião, como referi na altura no meu texto a necessidade de ter sido uma empresa exterior a realizar os trabalhos, mas isso é moita que já deu coelhos, portanto por aí não vou. Agora não posso é deixar de ir ao seguinte:

         Diz o Dr. Assis “Mas, também ficamos esclarecidos quanto ao facto de a Câmara “ter” um órgão informativo de defesa, que se afirma isento, mas que, mais uma vez, demonstrou claramente que o não é, acusando e julgando sem cuidar de saber a verdade.”  

         Pois meu caro Dr. Assis, fui ler atentamente o “Jornal Ecos” na sua última edição, e aquilo que lá encontro sobre o assunto, é a publicação do texto que a câmara Municipal enviou aos diferentes órgão de Comunicação Social. Ora como os “Brados” só saíram hoje, deduzo, que se estivesse a referir a mim e ao facto de eu ter feito a “defesa” das iluminações de Natal. Pois fiz, meu caro, e voltaria a fazer hoje, mas onde o meu amigo se engana, e de forma grave, e se assim não for então diga clara e abertamente a que órgão de informação se referia, é que eu não “defendi a Câmara, nem coisa nenhuma, mas apenas e só a Minha Cidade, repito, A MINHA CIDADE, e sabe o que é mais grave? É que Germano e género humano não são a mesma coisa, o blog é meu e nada tem a ver com a câmara ou com a rádio, é meu, pessoal e escrevo aquilo que a minha consciência me diz, em relação aos assuntos que entendo. Sendo o Dr. Assis Advogado, diga-me lá se quanto emite opinião sobre a Justiça em Portugal, isso vincula as suas ideias ao Ministério da Justiça? Desafio-o aqui, caro Dr., se de facto é a mim e à rádio a que faz referencia no seu artigo, onde e em que momento foi o Sr. Maltratado ou de forma diferenciada pela rádio? Diga Dr. em que momento foi o CDS desrespeitado por mim ou pela rádio? Saiba pois o Dr Assis, que, a rádio nem uma nota deu sobre o assunto, o fax foi recebido sexta-feira dia 9 ao fim do dia quando todos os blocos já estavam fechados, repito, não deu a rádio, em nenhum momento, uma única nota sobre este assunto e o senhor Dr. agora vem para o jornal, sem saber o que se passa, fazer acusações demasiado sérias.

         Se não era a mim nem à Rádio a quem se estava a referir, aqui fica desde já o meu pedido de desculpas, mas também desde já lhe digo, que só as aceitarei quando o Sr. Dr. no mesmo local e no seu painel, disser claramente e sem rodeios a quem se estava a referir. E de uma vez por todas, nem o Sr, nem ninguém, confundam, em momento algum, a Rádio Despertar com o Zé Gonçalez, onde sou apenas um funcionário e onde nada mando e nada me pertence.

         Como disse no outro artigo, até tenho estima e consideração pessoal pelo Dr. Assis, mas não aceito que possa ficar no ar a minima duvida sobre a isenção, quer da rádio, quer da minha…”

“E nós…por quem fariamos isto?”

         “Não só pelo facto de ser aficionado, mas também, aqui publiquei este momento. Terrível, incrível e único.

         Somos todos os dias “bombardeados”, com notícias de guerras, brigas, ódios e mais ódios, e depois encaramos com uma das maiores manifestações de dar, repito, de dar verdadeiramente a vida pelos outros.

         A mim, são momentos como este, que reforçam a minha aficion, e reforçam o facto de que é no dar que está o receber, é no entregarmo-nos, sem capas ou capotes que está a nossa salvação.

         Sirvo-me igualmente deste momento, para mostrar que não são precisas palavras, muros ou canhões para preservar a vida, basta, tão simplesmente como podemos ver na filmagem, que o nosso corpo movido pela mais elementar das qualidades, a bondade, sirva por si só, como escudo.

         Hoje, matamo-nos, ofendemo-nos por coisas tão pequeninas, enquanto aqui, se preserva a vida e o respeito pelos outros, dando apenas a sua própria vida.

         Por isso pergunto:

         – ” E nós, por quem seriamos capazes de dar a vida? Se nesta estúpida forma de estar e de viver, sobre tudo, nos preocupamos em preservar a nossa própria vida…”

        

Click em baixo para ver.

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“A todo o tempo…”

“Se cada um de nós, a cada momento das nossas vidas, fizesse algo de absolutamente extraordinário, fariamos da vida, algo absolutamente extraordinário, a todo o tempo…”

“Ao teu perdão…”

Não sei se algum dia a coragem

Tomará em mim a face do que sou

P`ra despir a verdade da imagem

Na mentira da moldura em que me dou

 

Não sei porque me doem as palavras

Nos espinhos da cruz que me suporta

Talvez sejam as lanças que me cravas

Na alma, que da dor, já nem se importa

 

Não sei porque tão só se pode estar

Quando o mundo transborda ao nosso lado

E nem tu sequer, queres escutar

O louco que te chora aqui prostrado

 

Nem sei porque te choro se não escutas

Os lancinantes gritos da revolta

Os dias são mais negros porque enlutas

A esperança que me trazes na derrota

 

Mas sei que no suspiro do final

Quero ter por fim a tua mão

E os degraus que me deres por bem ou mal

Sejam a escada que me leva ao teu perdão