“É aqui, que sou feliz…”

“É aqui que sou feliz”

 

Vem daí meu coração

Abre a porta à emoção

Que hoje vou chorar contigo

Trago o peito alucinado

De Alentejo embriagado

A quem vou pedir abrigo

 

Veste a luz a madrugada

De calor amordaçada

Neste campo todo em flor

Palco aberto da vitória

Terra mãe és a memória

Da minha história d`amor

 

No beiral uma andorinha

Que feliz, mas tão sozinha

Vai bebendo rios d`esperança

Traz-me em cada golpe d`asa

A lembrança dessa casa

Dos meus tempos de criança

 

A correr nas minhas veias

Há crescentes marés-cheias

A pulsar contra a voragem

Cada porta, em cada rua

Vai-se abrindo à luz da lua

Debruçada na coragem

 

É aqui que sou feliz

Mais ao sul do meu país

Sob um céu da minha idade

Cai o sol sob o poente

Digo adeus à minha gente

E entrego-me à saudade

“Hoquei em Patins, (Des)Contentamento…”

            Hoje volto a um assunto que já aqui trouxe de outras vezes, hóquei em patins, aqueles que me conhecem não estranharão, pois sabem bem da minha ligação à modalidade.

            Está o Clube de Futebol de Estremoz, mais uma vez, o que infelizmente tem sido a pratica dos últimos campeonatos, à beira de descer de divisão. Ontem no nosso habitual “Treino” dos veteranos, dois amigos discutiam sobre esta triste realidade e o facto de, na última gala, o presidente do C. F. Estremoz, ter dito e feito referencia, ao facto da equipa de hóquei ter regressado à segunda divisão e considerar isso um aspecto positivo. Um dos amigos achava que era verdade e que era melhor ter subido do que ter ficado na terceira divisão. Já o outro companheiro, defendia que aquela posição do presidente não seria a mais correcta, pois, o que se devia salientar era o facto da equipa se manter e conseguir ficar na segunda divisão e era isso que deveria estar no espírito de todos, e não o facto, como já disse, de se celebrarem os regressos à segunda divisão.

            Eu, nos meus Trinta anos de federado na modalidade, ao serviço do Clube de Futebol de Estremoz, apenas joguei meia época na terceira divisão, quando regressei da Marinha Grande e o Estremoz estava, pela primeira vez na sua história, na terceira divisão, subimos e acabamos por ser Vice-campeões nacionais, tendo sido campeão o santa Cruz, do Porto. Digo isto para referir que estou de acordo com o facto de que, apesar de ser positivo, ser muito mais interessante e benéfico celebrar a manutenção da equipa na segunda divisão.

            Há muitos factores que desde sempre fizeram com que a cidade de Estremoz fosse de facto uma terra de Hóquei em Patins, foram vitórias nos campeonatos nacionais, foi a saída de alguns jogadores para os melhores Clubes, foi o facto de, de Estremoz saírem jogadores que se tornaram, no seu tempo, referencias da modalidade em termos nacionais e foi naturalmente, em 1962, a vitoria no campeonato do Mundo no Chile de um Atleta saído da cantera Estremocense, José António. Tudo isto para dizer que, se por um lado entendo que se possa salientar, como facto positivo, a subida de divisão, devo dizer que me agrada muito mais a ideia de valorizar e celebrar a manutenção. Estremoz é de facto um Clube de segunda divisão no hóquei nacional, mas não basta dizê-lo, há que prová-lo e, infelizmente nestes últimos tempos, a prova, tem dado erro.

            Não vou, e muito menos quero, entrar nas tais estéreis discussões sobre os culpados, onde também eu estive envolvido, como treinador, isso não, mas vou dizer que às vezes os resultados que atingimos são fruto da altura a que colocamos a fasquia, se por um lado concordo que é melhor subir depois de se ter descido, acho muito mais interessante a manutenção e de, paulatinamente, ir acrescentando degraus no sentido ascendente das nossas ambições, quem se contenta com o menos negativo, nunca chega a lado nenhum.

            Todos sabem, e já o disse e escrevi publicamente, que não concordo com a forma, opção de gestão do hóquei Estremocense, não as pessoas, obviamente, mas o modelo em si. A formação está muito longe de ser a ideal, a estratégia, quanto a mim está errada e há opções, que todos já há muito vimos, à muito, que não dão em nada, é mais do mesmo. Longe, muito longe mesmo, do que era desejável. Devo aqui, com a mesma frontalidade, dar os meus parabéns ao Carlos Silva, – Aquela passagem por Sesimbra fez-te bem e hoje, porque falamos há poucos dias, quando me disseste que agora percebias do que eu falava, entenderás melhor que estamos, infelizmente afastarmo-nos da realidade e os resultados estão à vista.

            Fecho assim, há dias vi na Tv. os nossos Juvenis e infelizmente, com uma equipa recheada de jogadores com boa qualidade, lá andávamos nós, a correr para a frente com a bola, mais do mesmo, e é uma pena.

            Os Seniores, pode ser que ainda vão a tempo, queira Deus que sim, não é pela falta de recursos, mas devo referir que quem se contenta em optar pelo que é menos mau e não pelo que é melhor, mesmo que isso implique grandes roturas, está sujeito a que estas coisas aconteçam, neste caso em prejuízo do nosso hóquei em patins.

            Se daqui a dois anos, na gala, se fizer uma grande festa pelo regresso, tenho que confessar, que estarei ao lado, dos que lamentam estas vitórias das derrotas…”    

“Afinal, ainda vale a pena sonhar…”

           “Mesmo que amanhã assim não me sinta e assim pense, hoje quero dizer-vos, sem rodeios ou palavras bonitas, que desde que tenhamos amigos, ainda vale a pena sonhar.

            Entendi ilustrar hoje este desabafo com esta foto tirada ontem, dia 18.02.09, durante as gravações do último programa, “Jogo Duplo”, não que eu tenha participado, ou tenha ganho alguma coisa, não. Mas talvez tenha ganho a melhor coisa da minha vida, o tempo o dirá, hoje peço desculpa de ainda não vos dizer muita coisa, mas a breve trecho direi, espero. Mas duma coisa tenho a certeza e é isso que quero hoje aqui partilhar convosco, nunca deixem de sonhar, de acreditar, de lutar e, nem sempre, é certo, mas talvez, na maioria das vezes, é compensatório e faz-nos sentir muito bem e jamais devemos desistir, mesmo nas maiores contrariedades.

            Agradeço a Deus o ter-me dado a conhecer muita gente, de quem muito gosto, agradeço, hoje, aqui publicamente, o facto de me ter permitido conhecer o José Carlos Malato, homem integro, bom amigo e, coisa que jamais esquecerei, me estendeu a mão e abriu portas, acreditou em mim, achou que teria algumas qualidades e fê-lo de forma inequívoca, quando precisei dele, sem nada em troca, apenas pela amizade e com a nobreza dos grandes, em humildade. Apesar de estar no pedestal, sem reservas, convidou-me a partilhar esse “espaço” com ele. Estão a ver o púlpito da foto? Talvez agora não entendam esta metáfora, mas, queira Deus, que brevemente possam perceber…Afinal, ainda vale a pena ter amigos.

            Obrigado Malato, estar-te-ei eternamente grato…”  

“E isso, pode vir a fazer toda a diferença…”

          Há dias dei por mim a pensar na falta que me têm feito os meus amigos. Aqueles que já não vejo há muito tempo, aqueles com quem já não estou nem converso há muito tempo, aqueles com quem deixei de sair e de me dar, aqueles com quem me chateei e nos zangámos. Confesso que isso me tem feito diferença.

         Tenho sentido a falta de palavras cúmplices, a falta de sorrisos verdadeiros, de olhares de verdade, de apertos de mão, e isso, tem-me feito diferença.

          Não mais bebi um copo, não mais comi um petisco, não mais nos juntámos para ver o futebol ou ir a um concerto, e isso, tem-me feito diferença.

         Deixei de partilhar alegrias e tristezas, de contar aquelas coisas que só contamos aos nossos amigos, deixei de explodir de alegria pelas nossas vitórias e conquistas, deixei de dar aquelas gargalhadas grandes de lágrimas nos olhos, e isso, tem-me feito diferença.

          Não mais chorei na partilha das dificuldades, não mais pus a minha mão à disposição, não mais perguntei como estás e se precisas de algo, e isso, tem-me feito diferença.

          Não vou aos lugares onde nos encontrávamos, aos cafés onde nos divertíamos, não vou aos sítios onde sei que estão e vão, e isso tem-me feito diferença.

          Nunca mais deixei que as lágrimas me deixem, nunca mais deixei de sentir esta amargura no coração, assim como se estivesse amarrado, preso, nunca mais deixei o meu pensamento ir à procura do mar, do céu, dos sonhos, e isso, tem-me feito diferença.

          Mas o pior de tudo, é que a tudo o que atrás fiz referencia, me tenho sentido indiferente, e isso, tem feito toda a diferença, uma vez que tenho medo que um dia, isso, deixe de fazer diferença…”

“Hoquei em Patins, recordações…”

           Li hoje, com toda a atenção, os “Ecos da cadeia” que nesta edição juntou à mesma mesa, uma rapaziada amiga, do Hóquei em Patins, do Clube Futebol de Estremoz.

          Confesso que não consegui, que os meus olhos me lembrassem, nas lágrimas que me impuseram, as saudades que tenho do Hóquei. É verdade que actualmente, às quartas-feiras, lá vou dar umas patinadelas com a rapaziada que já abandonou a prática activa da modalidade, mas é diferente, muito diferente. Devo confessar que não foi muito pacífico o meu abandono da prática da modalidade, não por essas coisas que estarão já a querer imaginar, não. Refiro-me ao facto de nunca ter conseguido conviver muito com a ideia de que os anos foram chegando e que, naturalmente, deixei de reunir condições para continuar a jogar, garanto-vos que foi das coisas mais tristes da minha vida o facto de ter que deixar de jogar, “o meu hóquei”.

        Encontrar aqui, no jornal, cinco ex e actuais guarda-redes, e sobretudo amigos, a falarem de algo que me é tão grato. Perceber aquelas palavras, aquela emoção, aquela realidade. Curiosamente com todos joguei e, à excepção do Joaquim Silva, “Chiba” de quem só fui colega, de todos fui colega e treinador. E, é por isso mesmo, que não consigo resistir à força dos sentimentos e ficar assim, lamechas. Aqueles são, de facto, importantes peças do xadrez do que foi, e é, o hóquei em Estremoz. São interessantes as coisas que contam e sobretudo a forma como olham para o passado, presente e para o futuro da modalidade. É curioso ver como, apesar de pertencerem a várias gerações, partilham a mesma memória do clube, e a forma como era, e é, o hóquei, claro ao nível das “redes”, o que passaram e como chegaram para ocupar de forma inquestionável o lugar de titular, nas formações Estremocenses.

         Curioso, é que os recordo a todos de forma diferente. O Joaquim Silva, grande companheiro, fomos colegas muitos anos, um guarda-redes incrível, enorme e bom amigo, dos copos, noitadas e até fadistices. O Biga? O da minha geração, somos praticamente da mesma idade, fica-me a mágoa de ter abandonado as balizas quando era eu o treinador, no tal jogo infeliz de Vila-Franca, o mais “Louco”, mas talvez o mais talentoso que conheci, grande companheiro de muitas, mesmo muitas horas, viagens, passeios e tantas outras coisas. O Ruben Dias, talvez, de todos, seja aquele com quem mantenho actualmente a relação mais próxima, grande guarda-redes, se não fossem as pancadas teria ainda chegado mais longe, abandonou cedo de mais, lá esteve sempre que precisei, o curioso é que quando estou com ele e quando me lembro dele, me vem igualmente à memoria o meu irmão Paulo, um bom amigo o “Jameson…”. O Carlos Pires, um misto de bom guarda-redes e de momentos de menor regularidade, recordo que quando fui treinador pela primeira vez, muito me ajudou, acabou por agarrar o lugar e cumpria, sempre tive boa impressão dele, não concordo como as coisas aconteceram quando fui treinador pela ultima vez, mas guardarei sempre o seu sentido, refinado, de humor e no fundo a amizade. Por fim o Dinis, o actual, lamento não o ver jogar actualmente, sei que está muito bem, o que não é de estranhar dadas as suas características, bom companheiro, aprecio sobretudo a sua humildade e espírito de amizade, bom miúdo com muito tempo à sua frente, gosto bastante dele.

        Sei que ninguém me pediu, mas apeteceu-me escrever isto, hoje, e mais distante, bateu-me a saudade do hóquei e dos meus amigos. Lamento muito, mesmo muito, não manter hoje uma relação tão próxima, como desejava, da minha modalidade, mas a vida é assim, infelizmente, às vezes afastamo-nos e somos afastados das coisas de que gostamos, ficando feridas abertas, por demasiado tempo.

         Queridos amigos, “Chiba”, Biga, “James”, Carlos e Dinis, que bom foi vê-los aí à mesma mesa a falar de algo de que todos tanto gostamos, Hóquei em Patins. Queira Deus que o futuro permita, que daqui a uns anos, quando já formos mais velhotes, possamos novamente assistir a uma conversa entra as gerações vindouras, como reflexo da continuidade da modalidade e sobretudo da qualidade dos guarda-redes Estremocenses que tanto e tão bem sempre souberam representar a sua terra, ao mais alto nível…

“Coisas bonitas…”

“Só dizem mal de nós porque temos alguma qualidade, ninguém fala mal ou ataca, quem não tem qualidade nenhuma. O talento sempre incomou muita gente, meu querido.”

Simone de Oliveira.

“Na ternura dos meus braços”

Sob o meu lençol de linho

Adormecem em sossego

As tranças do teu cabelo

E o meu corpo em desalinho

Procura o aconchego,

Do amor, para envolvê-lo

Na ternura dos meus braços

Corre o teu sangue nas veias

A encher o coração

É a Força dos teus laços

Que me prendem como teias

Amarrando esta paixão

Não há vaga onde t`escondas

E a lucidez que é tão pouca

Incendeia ao teu calor

Vou P`lo mar das tuas ondas

E naufrágo em tua boca

Embriagado de amor

Roubo gemidos à voz

Num sussurro endoidecido

Ao tocar da nossa pele

Do suor que sabe a nós

Do teu corpo arrefecido

Beb` o sal que sab` a mel