“Hoquei em Patins, recordações…”

           Li hoje, com toda a atenção, os “Ecos da cadeia” que nesta edição juntou à mesma mesa, uma rapaziada amiga, do Hóquei em Patins, do Clube Futebol de Estremoz.

          Confesso que não consegui, que os meus olhos me lembrassem, nas lágrimas que me impuseram, as saudades que tenho do Hóquei. É verdade que actualmente, às quartas-feiras, lá vou dar umas patinadelas com a rapaziada que já abandonou a prática activa da modalidade, mas é diferente, muito diferente. Devo confessar que não foi muito pacífico o meu abandono da prática da modalidade, não por essas coisas que estarão já a querer imaginar, não. Refiro-me ao facto de nunca ter conseguido conviver muito com a ideia de que os anos foram chegando e que, naturalmente, deixei de reunir condições para continuar a jogar, garanto-vos que foi das coisas mais tristes da minha vida o facto de ter que deixar de jogar, “o meu hóquei”.

        Encontrar aqui, no jornal, cinco ex e actuais guarda-redes, e sobretudo amigos, a falarem de algo que me é tão grato. Perceber aquelas palavras, aquela emoção, aquela realidade. Curiosamente com todos joguei e, à excepção do Joaquim Silva, “Chiba” de quem só fui colega, de todos fui colega e treinador. E, é por isso mesmo, que não consigo resistir à força dos sentimentos e ficar assim, lamechas. Aqueles são, de facto, importantes peças do xadrez do que foi, e é, o hóquei em Estremoz. São interessantes as coisas que contam e sobretudo a forma como olham para o passado, presente e para o futuro da modalidade. É curioso ver como, apesar de pertencerem a várias gerações, partilham a mesma memória do clube, e a forma como era, e é, o hóquei, claro ao nível das “redes”, o que passaram e como chegaram para ocupar de forma inquestionável o lugar de titular, nas formações Estremocenses.

         Curioso, é que os recordo a todos de forma diferente. O Joaquim Silva, grande companheiro, fomos colegas muitos anos, um guarda-redes incrível, enorme e bom amigo, dos copos, noitadas e até fadistices. O Biga? O da minha geração, somos praticamente da mesma idade, fica-me a mágoa de ter abandonado as balizas quando era eu o treinador, no tal jogo infeliz de Vila-Franca, o mais “Louco”, mas talvez o mais talentoso que conheci, grande companheiro de muitas, mesmo muitas horas, viagens, passeios e tantas outras coisas. O Ruben Dias, talvez, de todos, seja aquele com quem mantenho actualmente a relação mais próxima, grande guarda-redes, se não fossem as pancadas teria ainda chegado mais longe, abandonou cedo de mais, lá esteve sempre que precisei, o curioso é que quando estou com ele e quando me lembro dele, me vem igualmente à memoria o meu irmão Paulo, um bom amigo o “Jameson…”. O Carlos Pires, um misto de bom guarda-redes e de momentos de menor regularidade, recordo que quando fui treinador pela primeira vez, muito me ajudou, acabou por agarrar o lugar e cumpria, sempre tive boa impressão dele, não concordo como as coisas aconteceram quando fui treinador pela ultima vez, mas guardarei sempre o seu sentido, refinado, de humor e no fundo a amizade. Por fim o Dinis, o actual, lamento não o ver jogar actualmente, sei que está muito bem, o que não é de estranhar dadas as suas características, bom companheiro, aprecio sobretudo a sua humildade e espírito de amizade, bom miúdo com muito tempo à sua frente, gosto bastante dele.

        Sei que ninguém me pediu, mas apeteceu-me escrever isto, hoje, e mais distante, bateu-me a saudade do hóquei e dos meus amigos. Lamento muito, mesmo muito, não manter hoje uma relação tão próxima, como desejava, da minha modalidade, mas a vida é assim, infelizmente, às vezes afastamo-nos e somos afastados das coisas de que gostamos, ficando feridas abertas, por demasiado tempo.

         Queridos amigos, “Chiba”, Biga, “James”, Carlos e Dinis, que bom foi vê-los aí à mesma mesa a falar de algo de que todos tanto gostamos, Hóquei em Patins. Queira Deus que o futuro permita, que daqui a uns anos, quando já formos mais velhotes, possamos novamente assistir a uma conversa entra as gerações vindouras, como reflexo da continuidade da modalidade e sobretudo da qualidade dos guarda-redes Estremocenses que tanto e tão bem sempre souberam representar a sua terra, ao mais alto nível…

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