“Porque o vento muda!…”

         Não deve haver maior desconforto, do que ouvir dizer mal daqueles de quem gostamos e por quem temos consideração.

         Há vezes na vida em que me sinto verdadeiramente mal, não entendo o que nos leva a dizer mal, a falar dos outros. Já perguntei a mim mesmo, por diversas vezes, que vantagens tiramos em falar dos outros? Que felicidade é que isso nos traz?

         Somos sectários em tantas áreas da vida comum, e para quê? Que vantagens tiramos de olhar para a vida e para os outros, apenas com a visão dos nossos olhos? Olhamos apenas na direcção que nos interessa e julgamos os outros em função dos nossos interesse e objectivos. E onde é que isso nos leva?

         Encontramos, em tantas coisas do dia a dia, aqueles que apenas se divertem a destruir os outros, a construir imagens, à imagem das suas próprias derrotas, dos seus insucessos.

         Há igualmente, aqueles que se vestem de grande humildade, fingindo estar distantes e desinteressados dos seus reais interesses, julgando que não os entendemos, que não compreendemos a sua postura e sobretudo o caminho que trilham para atingir, os seus, e só os seus objectivos, sem se importarem quantos pontapés vão dando nas pedras do caminho e quantas ervas ou flores têm que destruir.

         Há coisas na vida que nunca entendi bem. Como é possível que alguns, apenas existam e vivam, para tornar insuportável a vida dos outros?

         Talvez, e para aqueles que já tem essa experiencia, esta questão posta desta maneira seja mais fácil de entender, se falassem dos vossos filhos, como alguns falam dos dos outros? Se tratassem os vossos filhos como alguns tratam os dos outros? Se o caminho dos vossos filhos fosse destruído, da forma que alguns destroem o dos filhos dos outros?

         O Homem é um animal social e, pena tenho, que alguns não percebam que ao destruir a vida dos outros, estão por arrasto a destruir as suas próprias vidas e a tornar esta passagem por cá num verdadeiro martírio.

         Àqueles que se divertem a estender o seu veneno, o veneno das suas próprias amarguras, por aí, pela vida dos outros, não lhes desejo o mesmo, não. Desejo, luz e paz de espírito, que Deus os ilumine, para ver no erro em que andam e persistem.

         Lamento que os objectivos individuais, se sobreponham muitas vezes ao bom senso e ao verdadeiro sentido da vida. Adoramos ou odiamos aqueles que em determinados momentos das nossas vidas nos são aliados ou adversários. Odiamos aqueles que apenas não olham no mesmo sentido que nós, que não dão o mesmo colorido que nós aos seus assuntos, que não são úteis para as nossas conquistas e vitórias, e é uma pena.

Existe um só mar e um só céu, umas vezes mais calmo e mais azul, outras vezes mais revolto e turbulento. A cada um de nós cumpre-nos a obrigação de construir Naus e Balões para aproveitar as vagas e os ventos. Cumpre-nos a obrigação de pôr nesse mar e nesse céu, comum, barcos e aviões, que não destruam peixes e pássaros. Cumpre-nos a obrigação de, a cada e em todos os momentos, respeitar o que nos foi posto à disposição e jamais devemos julgar pertencer-nos o que nos emprestaram. Cada ser humano é uma gota do Oceano que somos todos nós, quantas mais gotas envenenarmos, mais insuportável se tornará o mar. Competirá sempre, e a cada um, oxigenar cada partícula de ar, lembrando-nos sempre que quanto mais poluído estiver, mais mortal se tornará. E, se pensamos que o ar mau que andamos a distribuir pelos ares, nunca nos atingirá, estamos profundamente enganados, o vento muda, e um dia, atingir-nos-á irremediavelmente.

 O maior erro é pensarmos que o insucesso dos outros nos beneficiará. Quanto mais homens bem sucedidos houver, mais probabilidades teremos nós ser bem sucedidos também. Quanto mais felizes forem os que nos rodeiam, mais probabilidades há, de nos tornarem a nós igualmente felizes. Quanto mais felizes estivermos todos, mais feliz será a vida, e mais prazer teremos em andar por cá. Será sempre, e só, a somar. É uma conta simples, qualquer criança a sabe fazer…”

  

   

 

 

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