“Espaço visível e transparente…”

            Será mesmo necessário? Talvez seja uma pergunta a que jamais conseguiremos responder. Talvez nem nos interesse mesmo responder, e nem nos apeteça gastar tempo a analisar conjecturas, realidades, verdades e outras coisas mais.

            O que ganhamos com isso? Outra questão, e talvez consigamos encorpar a resposta nos princípios defendidos no paragrafo anterior.

            Para onde vamos? E isso interessa alguma coisa? Vamos por onde nos deixarem e por onde conseguirmos, digo eu.

            Bom, não, não estou louco, nem a divagar. Talvez esteja à procura das respostas para aquelas coisas da vida, do dia a dia, para as quais não tenho solução e não encontro em mim, e no que me rodeia, uma resposta plausível, coerente e de acordo com os meus sonhos e com tudo o que defendo.

            Será necessário metermo-nos na vida dos outros? Arriscarmos intenções e atitudes? Encontrar na felicidade dos outros e nas suas vitórias o fel das nossas frustrações?

            Nada ganhamos, enganamo-nos ao julgarmo-nos muito felizes por falarmos dos outros, por dizer mal deles, por sentirmos que as suas derrotas e fracassos são as nossas vitórias e concorrem para o nosso bem-estar.

            Tudo, ou grande parte do que fazemos, fazemo-lo julgando saber por onde ir, que objectivos atingir, que metas alcançar. Tudo, ou quase tudo, é feito à nossa medida, em função dos nossos sonhos e desejos. Tu, que não és como eu, nem pensas como eu, és menor. Menos inteligente. Menos capaz. Eu, eu, é que sou aventureiro e audaz, cumpre-me a divina tarefa de vos conduzir, através do meu pensamento, das minhas palavras e acções. Vós, seres mais fracos, que não vêem a vida pelo meu prisma, sois a sombra, eu o Sol. Tenho esta árdua tarefa de vos criticar e indicar o caminho.

            É possível que me tenha perdido no texto e me tenha perdido em metáforas e sentidos figurados, mas talvez não. Talvez apenas vos tenha querido dizer, que, quanto mais e melhores nos julgarmos, piores somos, quanto mais pensarmos que Deus nos brindou com uma dose considerável de inteligência e capacidade de raciocínio, mais erramos. Quanto mais entendermos que o nosso é o caminho, menos nosso será o caminho, mais errónea será a nossa vida.

            Necessário é viver a nossa própria vida, não num casulo ou numa campânula, mas num espaço aberto, visível, transparente. Com fé e confiança, acreditar que o meu caminho só faz sentido quando partilhado, e que todas as minhas conquistas e vitórias só serão possíveis e valorizadas porque ao meu lado alguém vence também. Quanto maiores e melhores forem as vitórias dos outros, maiores e melhores serão as minhas. Está no saber apreciar as vitórias alheias, o trunfo e o mel das nossas próprias vitórias. Quanto mais forte e melhor for uma sociedade, mais fortes e melhores seremos todos. O acto mais inteligente estará sempre na valorização que dermos aos feitos alheios. É valorizando os outros, aceitando e enaltecendo os seus feitos, que estamos a subir a fasquia das nossas próprias vidas e a tornar melhores e maiores os nossos sucessos. Quanto mais desvalorizarmos os outros, mais nos desvalorizamos, e tornamos vulgares as nossas conquistas e vitórias…

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