“Aqui Jaz uma merda…”

               “Sei que não vou por aí”. Não, não estou a plagiar o Cântico Negro do José Régio, estou só a suportar-me neste magnifico poema, onde me encontro e revejo em tanta coisa, digo-vos mesmo, se tivesse que eleger as palavras da minha vida, garanto que seguramente escolheria a harmonia, o ritmo e união das palavras deste “Cântico Negro”, dar-lhe-ia a mesma arrumação, e reflectiria, sem a mínima duvida, a minha vida, a minha forma de estar de ser e pensar.

            Estou farto de alguma gente de merda que entende que nos devem guiar, que devemos seguir os seus passos e entregarmo-nos à vida da forma que o fazem, com os mesmos interesses, as mesmas motivações e os mesmos objectivos. Estou farto de gente que vive de engano, que acusa os outros, que lhes cria defeitos ou virtudes em função dos seus interesses, que nunca fizeram nada, para além de criticar, de julgar e dizer mal dos outros, estou farto dos beijos de fel que alguns insistem em dar-me. Estou farto dos falsos humildes, vestidos de simplicidade convencidos que não os entendemos. Estou farto, farto. Não me convencem e muito menos vencem os meus pensamentos e os meus sonhos. Deu-me Deus uma dose considerável de obstinação, e algum amor-próprio. Deu-me Deus igualmente a lucidez de amar e respeitar os outros, dando-lhes espaço aos seus próprios sonhos, sem a minha almofada.

            “Sei que não vou por aí”. Pois não, não quero mesmo, não quero ser como alguns de vós. Não quero pensar como alguns de vós. Não quero o vosso fingimento, e não estou na vossa estrada. Não quero os vossos pensamentos e muito menos quero a vossa forma de vida. Não, não quero. Estou longe dessa forma mesquinha de ser.

            E muito ao contrário de vós, aqui estou, sem medos ou receios, com o meu nome, a minha voz, as minhas ideias, o meu percurso, no meu caminho. É exactamente por isso que vos digo, “Não vou por aí”. Por aí vão vocês, e esse caminho não me interessa nada. Não gosto dos vossos passos, não gosto da forma como pisam e, sobretudo, não gosto das marcas que deixam e o que destroem ao passar. Eu vou por aqui. Não levo, nem quero levar ninguém, felizmente, sinto e vejo que há muitos caminhos paralelos ao meu. Não quero que o meu caminho e as minhas marcas sejam as de ninguém. Não porque me sinta num pedestal, ou que seja um ser superior, não. O problema é que posso estar enganado, e não estou interessado em enganar ninguém.

            Nada tenho para vender, apenas me tenho a mim, assim, tal como sou, mas para o bem ou para o mal serei sempre eu, e jamais quero ou desejo que me confundam com alguém. Não quero a vossa cama, não quero os vossos sonhos. Quero a minha vida, com os meus fracassos e sucessos, alcançados com a mesma dor e amor com que minha Mãe me pariu. É só isso que quero, não quero os beijos envenenados, e não vivo para vos agradar, mas também não vivo para vos provocar. Quero ser EU, assim, e pronto, não quero que me comparem a ninguém, não quero que me achem parecido com alguém, e muito menos com aqueles que me dizem, “Vem por aqui”… Obrigado José Régio.

          Quando um dia morrer, podem por na campa, aqui jaz uma merda. Mas com cheiro próprio…”

Anúncios

10 comentários

  1. É preciso ter coragem. Parabens!
    Antónia Guerra

  2. Diga nomes caragoooooo

  3. GONÇALEZ, A ENTREVISTA DE HOJE AO CAMARADA JORGE PINTO É A TUA MELHOR RESPOSTA A TUDO E A TODOS ESSES FULANINHOS. PARA A FRENTE É QUE É O CAMINHO. NÃO TE DEMOVAS.
    GRANDE ABRAÇO.
    DESCULPA NÃO PODER DIZER O MEU NOME.

  4. E Deus deu-lhe mais coisas Zé, deu-lhe uma inegavel quantidade de talento inexplicavelmente não aproveitado aqui em Estremoz. Outros, noutros lugares, têm-no sabido aproveitar bem melhor.
    Um beijo.

  5. A quem se refere Gonçalez? Perseguição política?

  6. Bem escrito, muito bem escrito. Não sei a quem se refere e se há alvos concretos, mas está muito bom e com muita coragem. Arre!!!

  7. hé pá o Mourinha e a sua cartilha é que não devem estar assim tão contentes.

  8. é mais pró fateixa digo eu

  9. Ai, Alberta, mas tu dizes muitos disparates! Digo eu.

  10. Zé, curiosamente só hoje li o artigo acima, visito com alguma assiduidade o teu blog, mas não sei como, este escapou-me. Digo-te apenas “´ESPANTOSAMENTE MARAVILHOSO”!… Infelizmente há por aí muitos donos da verdade, o que nos vale é que a verdade deles, só os convence a eles mesmo! Como já escrevi noutro comentário, continua ! Pois ser-mos iguais a nós próprios e, não nos deixarmos ir pelas ideias, mais ou menos mesquinhas, dos outros , dá-nos, pelo menos, paz na consciência. O que muitos não podem ter.
    Parabens e,” não vás por aí ” fazes muito bem !
    Um abraço
    Xico Ramos


Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s