“Solidários até ao (Es)Pinho…”

        Talvez o título vos pareça estranho, ou não dê a entender bem do que quero falar.

         Não vou perder muito tempo com o ministro Manuel Pinho e a sua atitude inqualificável, ainda mais porque hoje se debatia a nação, e se cada vez mais vemos os cidadãos a afastarem-se da politica, jamais suporíamos ver tal atitude levada a cabo por um membro do governo, na assembleia da republica e num debate da nação. Depois não se admirem…

         Mas eu quero ir para outro lado, acabei de assistir na RTP 1 a um espectáculo espantoso, “Solidários até à medula”. Com fins conhecidos, arranjar verbas para os doentes com leucemia e, arranjar novos dadores de medula.

         Eu sou dador de medula, desde 2004, não custa nada e nada tem a ver com o processo antigo, agora tira-se uma bisnaguita de sangue, e já está.

         Permitam-me que recue até 2006, quando o meu irmão Paulo, de apenas 38 anos, faleceu vítima de leucemia, não se encontrou dador compatível, e não houve solução.

         Hoje, perdemos a tarde a julgar uma atitude, impensada e inconcebível de um ministro e, se calhar, não parámos para pensar um bocadinho na proposta da RTP, e dos que lutam contra a leucemia.

         A minha tristeza, reveste-se sobretudo do tempo que perdemos a discutir “os cornos do ministro”, e não nos debruçamos, uma hora que seja, para dar um bocadinho de sangue, que, quem sabe, poderá permitir a um nosso qualquer “irmão”, em qualquer parte do mundo continuar a viver. Para o meu irmão não se encontrou ninguém, e lá o perdemos. Já viram que poderemos ser nós os próximos? Ou alguém que nos é próximo? Um familiar? Não sabemos se alguma vez iremos ser úteis, é certo, mas bem mais certo é doarmo-nos, mesmo que nunca venha a ser preciso, mas termos a certeza que cumprimos a nossa missão, e que, se algum dia alguém precisar de nós, cá estamos, ou cá estivemos, e essa nossa tão pequenina atitude, poderá permitir a alguém, continuar a cá estar.

         Infelizmente para o Paulo não se arranjou dador compatível, mas eu, jamais partiria de cá, sabendo que em qualquer parte do mundo, um qualquer “Paulo” poderá precisar de mim, e eu, não suportaria esse peso, e tenho a certeza que o meu irmão lá no céu também não me perdoaria.

         Só mesmo para terminar, e para fechar como comecei. Nesta ligação tão desigual, o ministro ainda cá está, e queira Deus que continue a estar, como é obvio, mas o meu irmão e tantos outros, não fizeram cornos a ninguém, e a vida toureou-os, até à morte. Todos trazemos um capote e uma espada, é bem mais fácil dar uns passos “naturais”, do que uma estocada, mas muitas vezes, teimamos e insistimos em não ir pelo mais fácil, o pior, é que para dar a estocada final temos que nos aproximar muito, mesmo muito, dos cornos do toiro, ficamos expostos, sujeitamo-nos a ser colhidos e o sangue a jorrar pode ser o nosso. Os toiros não escolhem a quem colher e a leucemia também não, num e noutro caso, basta vivermos. Mas, se os toiros não escolhem, de facto, a quem colher, e colhem aqueles que se expoem. Nós, podemos de facto, escolher não colher, e devemos expor-nos, para ajudar a salvar… Pensem nisso!

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5 comentários

  1. Estou contigo Zé!!!! e digo mais pk nao se promove em Estremoz alguma inacativa para tb recolher um bem tão precioso??? Pensa nisso, como tu dizes amanha podemos ser nós ou algum familiar a precisar…bjs

  2. Os politicos com cornos ou sem cornos não se mordem uns aos outros!
    Tanta parra e tão pouca uva.
    Que belo debate da nação, mentem e desmentem-se uns aos outros, e é esta a política que temos.
    Eu pessoalmente nada me dizem, são todos iguais.
    Concordo com o artigo que o Zé escreveu, já o sentiu bem de perto e por isso bem alertar do problema da leucemia. Concordo plenamente consigo, e dá a impressão que ninguém precisa de ninguém. Como estamos todos enganados.
    Aqui digo Zé , mais uma vez que é para mim uma pessoa muito sensata e que a vida já o tem marcado muitas vezes.
    Eu tive mais sorte que seu irmão pois tive que levar 3 transfusões de sangue na casa de Saúde da Cruz Vermelha, e graças a Deus encontrei o sangue certo na hora certa.
    Por isso Zé obrigada, pois se calhar foi um Zé também que contribuiu para isso.
    ´´E certo que meus pais pagaram um balúrdio, mas tudo fizeram para eu ainda estar aqui hoje.
    Já tenho tido muitos problemas de saúde, mas lá se vão ultrapassando da maneira que Deus quer e nos ajuda.
    Parabéns zé

    • Assim vale a pena vir ler comentários! construtivos, educados, sentidos e responsáveis. Parabens Zé, pela maneira como escreves, quer seja criticando, positiva ou negativamente, mas sempre com postura.
      Parabens ainda por insentivares os leitores a acções tão nobres como dar sangue e partilhar.
      Os meus cumprimentos
      Xico Ramos

      • muito obrigado, amigo Francisco, fiquei muito contente com a visita e com as suas palavras. A amizade não tem tempo!
        Abraços, Zé.

  3. Ai discordo de ti Zé, pois a amizade tem efectivamente um preço, que é retribuir, partilhar, respeitar o amigo, independetemente de concordar ou não com a sua opinião, mas se não concorda deve dizer porquê, educadamente e frontalmente, como tu fazes
    è este o preço que atribuo á amizade. Tenho a certeza que se todos fossemos frontais e sinseros, mesmo que alguns não gostassem de ouvir , o mundo seria melhor, mais justo e mais coerente. Continua e não te arrependerás!
    Um abraço0
    Xico Ramos


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