“De regresso…”

Olá, tudo bem? Já cá estou…

“Autarquicas, os trunfos estão lançados…”

Bom, começo por dizer que também agora parto, para o meu merecido período de férias e que cá estarei, se Deus quiser, dia 2 de Setembro.

Os trunfos estão na mesa, no que às autárquicas diz respeito, em Estremoz. São conhecidos os candidatos à câmara:

Luís Assis – CDS

António José Ramalho – PSD

José Alberto Fateixa – PS

Jorge Pinto – CDU

Luís Mariano – Bloco de Esquerda

Luís Mourinha – Mietz

Este período que vai até Setembro pode servir para alguma calma e carregar baterias, porque o mês passa depressa e, estamos aqui, estamos lá.

A blogosfera, essa já ferve, com defesas e acusações, algumas delas perfeitamente disparatadas. Que saibamos todos colocar elevação neste processo eleitoral e que todos possamos votar conscientes de que estaremos, independentemente do candidato a escolher os que achamos melhores e mais capazes, mas lembremo-nos, todos têm a mesma legitimidade e todos nos merecem o maior respeito e consideração, o que nem sempre acontece, infelizmente, basta passar os olhos pela net.

Boa sorte a todos, muita luta e que ganhe o melhor. Eu cá vou, já estou a preparar-me para os debates e entrevistas e essas coisas. Até Setembro!

“Adeus Raul Solnado…”

          Não foi uma, nem foram duas, as vezes em que tive a oportunidade de privar com Raul Solnado, mais, tive esse prazer único e indescritível de cantar a seu lado, no mesmo palco, o mesmo fado. Em Alenquer, e numa festa organizada por si, para os doentes de trissomia 21, vulgo mongolismo, em que para além de mim, esteve o António Pinto Basto, e a Sancha Costa Ramos. Meu amigo, aquele sorriso único que me deu quando cantamos juntos, aquelas quadras soltas, no mesmo fado, será o que irei guardar para sempre. Eu adorava-o, por tudo, mas pelo seu coração, não essa matéria que agora o traiu, não, esse de fé e coragem, de bondade e humildade, jamais me esquecerei Raul…

       – “Escolhe sempre o caminho mais difícil, só esse nos leva a algum lado, o fácil, qualquer um percorre, o difícil, só os únicos, mas sobretudo os humildes, que têm a coragem de se por à estrada, escondidos, sem alaridos, sem dar nas vistas, ao abrigo da lua, à procura do sol. E depois, de encontrado o sol, e de saber o que custou o caminho, voltar para trás, e ir buscar mais e mais, e quantos mais melhor, para dividir a luz, que o sol só é bonito quando é dividido. Porque a nossa sombra só é bonita se houver alguém, ao nosso lado, a saborear o mesmo sol e a apreciar a nossa sombra. Nunca te esqueças, Uma sombra é triste, duas têm algum brilho, um milhão, é lindo, e impedem que o chão queime. Amortecem o impacto e impedem que as almas se queimem ao cair”.

         A toalha não reclamou da dor infligida pela caneta, e eu não reclamei das palavras, apenas as agradeci, e ainda hoje tento, em cada dia, colocar-me ao sol, e humildemente partilhar o espaço que me oferece a sombra, e encontrar-me recortado, entrecortado, com todas as outras sombras.

Obrigado Raul!

“O Tamanho da janela…”

Foi a 31 de janeiro de 2008 que publiquei o texto que agora aqui repito, sem emendas…

Há dias, passei junto a uma oficina de caixilharias de alumínio, não sei, nem me perguntem porquê, mas, fiquei preso a uma janela que estava encostada a uma parede. Era grande, enorme, de um verde escuro, mas não sei porquê, aquela janela, tinha qualquer coisa, não me parecia bem verde, olhava e via-a de quase todas as cores e o mais incrível, é que, sendo enorme, me parecia igualmente de todos os tamanhos. Não fui capaz de me deter, entrei e, perguntei ao único homem que estava na oficina, para que era aquela janela. Respondeu-me: “ – Qual janela?”, “ – Aquela ali encostada à parede.” “ – Há! A vermelha”. “ – Não amigo, a verde!”. “ – Mas não há aqui janela nenhuma, verde.”, “ – Ai,ai,ai,ai, então mas está a gozar comigo? Então aquela janela ali, enorme, não é verde?” “ – Não e não é nada grande, é pequena e é vermelha”. Julguei-me louco, então eu via claramente uma janela enorme e embora de facto de cor estranha, tinha claramente tons de verde. Como não queria causar qualquer problema, virei costas e achei que não seria boa ideia continuar aquela discussão, mas, de repente o homem, chamou-me: “ – Olhe, já vai embora?, Então vem aqui embirrar com a minha janela e agora vai-se embora? Então, duvida do tamanho e da cor e em vez de defender essa ideia, vira-me as costas? Meu amigo, é por isso que muitos falham na vida. Olham, dão opinião e depois quando são contrariados, viram as costas, não argumentam, resignam-se nas afirmações e pareceres dos outros. Caro amigo, a janela, para lhe ser franco, não tem cor, nem tamanho. O meu amigo vê-a, assim verde, porque lhe falta a esperança, eu, vejo-a vermelha porque me lembra o sangue e a vida. Para o meu amigo, ela é enorme, para mim é minúscula, sabe porquê? Porque para si o mundo é pequenino, muito pequenino e não consegue imaginar a grandiosidade das coisas, para a sua casa ela é enorme, porque os seus sonhos são pequenos. Para mim ela é pequena, porque sonho com uma casa enorme, onde essa janela caiba toda. Sonho com um Mundo de coisas e gente grande. Já agora diga-me lá se a janela tem vidro ou não?” Respondi o obvio, à vista de todos: “- É claro que tem vidros, ou também me quer dizer que não e que também não vejo em grande.” “ – Não meu amigo, não é uma questão de ver grande ou pequeno. É claro que a janela não tem vidros. O seu olhar é que não é transparente e não consegue ver claramente. Mais uma vez, lhe digo está enganado.  Para si a janela tem vidros, porque não consegue ver o Mundo para lá das ombreiras da janela, tem medo do que possa vir a encontrar, pala lá da segurança dos seus olhos e do que efectivamente consegue ver. Para mim, ela não tem vidros, porque assim consigo ver bem melhor e nada me pode impedir de conquistar o que está para lá da janela. As janelas, tal como a vida, terão sempre o tamanho e a cor que lhe quisermos pôr e serão sempre o espelho do que somos e onde queremos chegar. Para fechar, diga lá, acha que a consegue abrir? “ – Não sei”, “ – Está melhor. Já é um principio, nunca diga que não e que não é capaz, sem ao menos ter tentado. Vá homem, agora sim pode seguir o seu caminho e não se esqueça, vá construir uma casa, onde possa caber esta janela…”