Adeus, “meu querido amigo”, Zé Costa…”

           Poderia levar várias páginas a falar do meu querido amigo Zé Costa, pois era assim que ele me travava, “Meu querido Zé “Gonçalves”, sempre me tratou assim.

            A minha relação com o Zé Costa é antiga, muito antiga, mais antiga que eu. O hóquei em patins, o Clube de Futebol de Estremoz, e o meu pai, fazem com que a nossa relação, seja de sempre, de muito antes de eu ter nascido. Sei que muitas, e bonitas palavras surgirão, e por isso mesmo, apenas vou deixar duas pequenas histórias, de um grande amigo, daqueles que amarei sempre! Embora, e vou dizê-lo hoje aqui, pela primeira vez, mas o Zé Costa merece, eu não seja, e nunca tenha sido do PS. Ele, naquela altura, falava comigo muitas vezes, e, tal como o meu amigo Zé Alberto Fateixa, bem tentaram, mas não.

            Vivi, profissionalmente, muitos anos com o Zé Costa, na Câmara Municipal, primeiro nas águas, e depois, quando foi eleito vereador, quando me convidou para ir trabalhar para o seu gabinete, de lá saí para as piscinas, e ainda hoje, bem arrependido estou, mas isso são outras contas.

            – Eu, era apenas um miúdo, jogava no CFE, o meu clube de sempre, e na altura, não havia camadas jovens, não havia formação, liderava a secção o meu amigo João Churro Lopes, que me fez o convite para começar a dar treinos aos miúdos, que aparecessem. Falei, com o meu chefe, Zé Costa, que me disse para fazer uns papéis, a convidar os miúdos para irem patinar, e assim fiz, as fotocopias foram feitas na farmácia costa, e tudo arrancou. Não havia patins, nem dinheiro para os comprar, e o Zé Costa, mandou-nos comprar patins, e enviar a factura para a farmácia, e assim aconteceu, e o hóquei, pelo menos nessa altura, não morreu.

            – 1989, preparava eu o meu primeiro disco, um LP. Tínhamos jantado na “Ribatejana”, eu o José Alberto Fateixa e o Padre Júlio, dir. da Rádio Despertar, o José Alberto lançou o desafio, o padre Júlio aceitou, vamos fazer um disco, do Zé, o “Fado Lusitano”, meu primeiro disco, ainda em vinil, com edição da Rádio Despertar. E assim aconteceu, no inicio da semana, no meu local de trabalho, confidenciei ao meu chefe, e amigo, José Costa, que iria gravar um disco, iria realizar o meu sonho, perguntou-me quem seriam os músicos, ao que respondi, que seriam os de Estremoz, pois uns músicos profissionais custariam muito dinheiro. Sem demoras ou hesitações, disse-me:

              – “Era o que mais faltava, vê quanto custam os melhores músicos, combina com eles, gravas com eles, e eu pago.”

              E assim foi. Sei que, em função dos exemplos dados, se possa levar a minha admiração, em função da disponibilidade financeira, o que no caso vertente, para além de injusta, seria sempre uma leitura ridícula, e hipócrita. O Zé Costa, foi, é, e será sempre por mim recordado, como o “meu querido amigo”. Era tão guloso, o que ele adorava os bolos que a minha mãe fazia nos meus dias de anos.

                     Até sempre, “meu querido amigo”, um beijo.

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