…”As Papoilas, da Seara!”…

AS PAPOILAS, DA SEARA!
(José Gonçalez)

HOJE VOLTEI A VER ESSES PARDAIS
QUE DE CINZENTO, EM PENAS SE VESTIAM
DEIXANDO SOB O CÉU, SEUS TRISTES AIS
E DE CORAÇÕES EM LUTO, ALI MORRIAM

HOJE VESTI, POR FIM, A NOSSA COR
DO LUTO DOS PARDAIS, DO CÉU EM LUME
AS VELHAS QUE CHORAVAM NOSSA DOR
BEBIAM-ME AS ENTRANHAS, EM PERFUME

E DEUS NA SUA CRUZ, EM PREGOS LAÇOS
FEZ DO SEU CHICOTE, OS MEUS PECADOS
DEIXANDO A MINHA ALMA EM PEDAÇOS
RASGADA PELO CHÃO, EM MIL BOCADOS

POR FIM VOLTOU DE NOVO A PRIMAVERA,
E TODAS AS PAPOILAS DA SEARA.
MORRERA EU AGORA, QUEM ME DERA,
POR SOBRE AS PAPOILAS, DA SEARA!

– “escrito ontem, em Alfama, no “Clube de Fado”, do meu amigo Mário Pacheco. Durante o jantar juntei em verso estas palavras, que agora aqui partilho convosco, espero que gostem!”

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Na Net, site da SIC, acabei de descobrir isto…

http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2011/12/12/duplo-cd-celebra-proclamacao-do-fado-como-patrimonio-imaterial-da-humanidade

Duplo CD celebra proclamação do Fado como Património Imaterial da Humanidade
A editora discográfica Ovação editou um duplo CD que integra Amália Rodrigues, Fernando Alvim, Alfredo Marceneiro, Jaime Santos e Custódio Castelo, entre outros, celebrando a proclamação do Fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade
No total, os dois CD, numa edição especial cartonada, integram 39 temas, 20 com voz e 19 instrumentais, que tradicionalmente se chamam “guitarradas”.

Entre os fadistas, além de Amália e Marceneiro, dois históricos, o CD integra nomes recentes como Duarte, que interpreta “Triste Fado”, de Teresa Grave, na melodia do “Fado Saudade”.

Neste CD, intitulado “Vozes do Fado”, a gravação mais antiga data de 1957, precisamente Amália Rodrigues interpretando “Uma casa portuguesa”, tema que teve a sua estreia no teatro de revista em Moçambique por Maria da Conceição.

Cinco temas foram gravados na década de 1970, entre eles “Rainha Santa”, por Alfredo Marceneiro, falecido em 1982 aos 91 anos. Os outros temas são “Senhor Vinho”, uma criação de Amália aqui registada por António Mello Corrêa, falecido em 1982, “Noite”, um tema criado por Max, interpretado neste CD por Beatriz da Conceição, e ainda Fernando Maurício e Tristão da Silva que, respectivamente, interpretam “Moreninha da travessa” e “Quadras soltas”.

A mais recente gravação data deste ano, “Moda das tranças pretas”, por Vicente da Câmara e seus descendentes, que é apresentado precisamente como “Câmara, três gerações”.

Vicente da Câmara, distinguido há dois anos com o Prémio Amália Carreira, e que canta há mais de 60 anos, bisa a presença, interpretando “O rio que nos viu nascer”, retirado do seu mais recente álbum, editado em 2003.

O CD inclui ainda os nomes de Fernanda Maria, numa gravação de 1987, “Candeia”, Maria da Fé que canta um dos seus mais celebrados êxitos, “Cantarei até que a voz me doa”, e Cidália Moreira que interpreta “Meu corpo”, gravação de 1991, um tema do teatro de revista criado por Tonicha, de autoria de José Carlos Ary dos Santos e Fernando Tordo.

Lenita Gentil gravou, também em 1991, “Maria Madalena”, um poema de Gabriel de Oliveira, um fado criado por Lucília do Carmo.

Este CD inclui ainda o grupo feminino Entre Vozes constituído por Alexandra, Lenita Gentil, Maria Armanda e Maria da Fé que canta “Tudo isto é fado”, um êxito de revista da primeira metade do século XX, criado por Irene Isidro.

Registam-se dois duetos de Maria João Quadros com Cátia Montemor, que gravaram “Antigamente”, e António Pinto Basto com José Gonçalez, “Viagem p’lo fado”, um original de Gonçalez, registado o ano passado.
Integram ainda “Vozes do Fado”, Margarida Guerreiro, Alexandra, Nuno da Câmara Pereira e João Ferreira-Rosa que gravou em 2004, “Fado Alcochete”.

O CD de instrumentais, intitulado “Guitarra portuguesa”, inclui entre os 19 temas, uma versão do Hino Nacional, de Alfredo Keil, para guitarra portuguesa, gravada por Manuel Mendes, em 1974. Do mesmo guitarrista, falecido em 2009, inclui-se “A balada da saudade”, de Casimiro Ramos.

A maioria dos intérpretes bisa a participação, com excepção de Pedro Caldeira Cabral que, ao lado de Fernando Alvim, toca “Variações em mi menor”, de Armandinho, uma gravação de 1974.

Além de Manuel Mendes, Pedro Caldeira Cabral e Fernando Alvim, o álbum inclui Jaime Santos, António Bessa, António Chaínho, Francisco Carvalhinho, Jorge Fontes, Fontes Rocha, Sidónio Pereira e Custódio Castelo, distinguido o ano passado com Prémio Amália Melhor Instrumentista.

Treze dos dezanove temas são gravados na década de 1970, sendo os mais antigos de 1970, “Fados antigos” e “De New York a Lisboa”, ambos de autoria de Jaime Santos e interpretados pelo próprio.

“Lisboa à noite” e “Encontros”, ambos de José Fontes Rocha, Prémio Amália Compositor 2006, músico e compositor falecido em agosto passado, são interpretados pelo próprio, tendo sido gravados em 1991.

Os mais recentes são de 2000 e 2006, respectivamente por Sidónio Pereira e Custódio Castelo.

Sidónio Pereira toca de sua autoria “Águas calmas do Tejo” e “Atlantidades”, enquanto Castelo, “Terra de Pó” e “Homenagem a Paredes”.

Lusa

“Agora És Também Voz Da Humanidade!”


Inédito, feito de proposito para a RTP, especial Portugal no Coração, de consagração ao fado, enquanto Património da Humanidade. Acompanhado, pelos magnificos, e amigos, Angelo Freire, e André Ramos! – Dia 28.11.2011. Espero que gostem, tem umas imperfeições, mas foi sem rede, e enganei-me num bocadinho da letra, mas paciencia, fiz o melhor que sabia, numa das quadras, falta lá este verso, aqui inclinado:
– Agora que honraste os filho mortos
– lIberta essa saudade que te amarra
– E deixa-a navegar pra outros portos
No quente e doee embalo, da guitarra

Agora És Também Voz da Humanidade!
(José Gonçalez)

Agora que outra lua beija as águas
No límpido cristal das madrugadas
Entrega ao mar profundo as tuas mágoas
E canta as alegrias desejadas
Agora que a gaivota do O`neal
Se lança sobre o tejo, em aguarela,
E traz outros matizes ao perfil
Dos rostos debruçados à janela.

Agora que honraste os filhos mortos
Liberta essa saudade que te amarra
E deixa-a navegar pra outros portos
No quente, e doce embalo da guitarra
Agora que os poetas somos nós,
Do poema tantas vezes desejado
Agora Patria lusa ergue a voz
Que na voz d`amalia sabe sempre a fado!

Agora que as palavras já estão gastas,
Nos rimas que deixavas sobre a mesa,
Agora tu meu povo, vê se afastas
Os versos qu`inventavas prá tristeza.
Agora tu meu fado, vê se inventas
Versos novos para esta identidade!
Dobraste mais um Cabo das Tormentas
Agora és também voz, da Humanidade!