…Sob a Lua…

Anda coração, vem-te deitar

Não vês que não há sombras pela rua

Deixaram de haver passos pr` enfeitar

As calçadas pincelas sob a lua,

E nunca mais ninguém vai perguntar

Se essa sombra que aí anda, é mesmo é tua!

 II

Tenta sossegar por um momento

O sol que já se pôs, volta a nascer

Nem sempre a solidão é um tormento

E o futuro, há-de sempre acontecer,

Nem sempre o que nos causa sofrimento

Nos impede de lutar, e de vencer.

 III

Talvez aind`  acredites na maré

Que voltava sempre ao cais do teu amor

E prometia que hoje fosse, o que não é

A tristeza a que vais chamando dor,

E teimas em despir a tua fé

Nas orações que desfias ao senhor.

 IV

Bem sei que não consegues suportar

A ausência desses passos sob a lua

E vais teimando sempre em enfeitar

Com outras sombras a calçada dessa rua,

E desejas que alguém possa perguntar

Se essa sombra que aí anda, ainda é tua!

 

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Aquela Casa em Cascais…

 

“Aquela Casa Em Cascais”
José Gonçalez
I
Pedi à minha memória 
Que voltasse aquela história
Da tua casa em Cascais
Ali onde o mar batia
E vinha a ventania
Embalar o nosso cais
II
Recordo a porta aberta
Daquela casa deserta
Num convite para entrar
Era a senha do teu corpo
A desejar o meu corpo
Sobre o teu a naufragar
III
Havia milhões de flores
E uns canteiros de amores
Naquela sala à direita
E o teu gato, o Jasmim
Que não gostava de mim
E que andava sempre à espreita.
IV
E aquele teu empregado
Que por ti enamorado
Me fechava sempre a porta
E jurava que a teu pai
Contaria o que ali vai
Sempre que se abre a porta
V
Era aquela inocência
De quem na adolescência
Embarca no primeiro cais,
Contínuas de porta aberta,
A casa mantêm-se deserta,
Mas eu não voltei lá mais!
 

Talvez tu, talvez eu…

 

TALVEZ TU, TALVEZ EU…
(JOSÉ GONÇALEZ)
 
LEMBRO-ME DO MOMENTO EM QUE TE CONHECI
VINHAS TÃO BONITA, DISCRETA E TIMIDA
APESAR DE TUDO, CONFESSO, NÃO ME CONVENCI
MAS TU VINHAS CONFIANTE, E DESTEMIDA
 
EU ESTAVA ALI, FUI PORQUE FUI, SÓ COMO AMIGO
APETECIA-ME SAIR, FALAR COM ALGUÉM,
A VERDADE É QUE TU ME DESTE ABRIGO
EU NÃO ERA NADA, NEM DE NINGUÉM
 
RECORDO O JANTAR, O TEU OLHAR CONFIANTE,
E TODO O TEU ESFORÇO PARA ME AGRADARES
A MINHA INTENÇÃO ESTAVA LONGE, DISTANTE
E TU DESEJANDO TUDO ME DARES
 
SAIMOS DALI, ENTRÁMOS NUM BAR
DAQUELE AMIGO QUE NOS CONHECIA
E QUE AO MEU OUVIDO VEIO SUSSURRAR
O PESSOAL AQUI, TODO DESCONFIA
 
E FOMOS CRESCENDO, ASSUMINDO OS BEIJOS
VAIDOSOS PASSEÁMOS PELA AVENIDA
E NA TUA CAMA ASSUMIMOS DESEJOS
QUE JURÁMOS, OS DOIS, SER PARA TODA A VIDA!
 
MAS O TEMPO PASSOU, A CHAMA ESMORECEU
DESATARAM-SE AS MÃOS E OS DESEJOS PRIMÁRIOS
NÃO SEI QUEM FALHOU, TALVEZ TU, TALVEZ EU
HOJE RESTAM DE NÓS, CORAÇÕES SOLITÁRIOS!
 

De Regresso!

Há muito que aqui não vinha escrever, não porque não me apetecesse, mas porque não tenho tido tempo! Mas continuo bem! Graças a Deus!

E sempre em forma… ou não…